Pensei que eras eterno
Nota Editorial: Este texto é uma obra de ficção. Embora possa incluir referências a eventos históricos e figuras reais, a história, os diálogos e as interpretações são fruto da imaginação do autor. Qualquer semelhança com pessoas, vivas ou mortas, é mera coincidência.
ventos.
de braços e resistindo por décadas e décadas… até que os seus muros, construídos
para resistir à força bruta dos bárbaros invasores, começa a derruir, pedra após pedra, cedendo aos elementos e ao tempo. Por fim,
já pouco mais eras que uma pequena cerca, apoiada em fortes, mas soterrados,
alicerces. Mas era aí que eu recorria, conhecedor da força das tuas bases,
a aprender o conhecimento da tua estrutura e desejando um dia vir a ser metade
do homem que eras, ter pelo menos metade da tua força.
Para me falares na tua voz calma e ponderada, embora poderosa. Darias um
excelente orador, se a tua educação de gente humilde, de quem viveu na
escravidão dos ricos, não te fizesse tão discreto e receoso de protagonismo. Os
anos ensinaram-te as virtudes da invisibilidade e evitar a atenção da inveja e
do mal. Quando erguemos uma torre acima da cabeça dos demais, haverá sempre
alguém para tentar derrubar, apenas poque não é capaz de a igualar, quanto
mais fazer melhor.
abrigo, aquele a quem falava dos meus eventos e dos meus projetos, que escutava
e debatia, como sabias debater a maior parte dos assuntos. Eram os frutos da
bagagem dos anos e da tua fome de saber, que te levou a devorar tomos e tomos,
que guardavas ciosa e orgulhosamente.
vazio, que nunca poderá ser preenchido; antes evitado e escondido, nos recantos
da minha memória. Espaço que vou tapando com montes de outros tantos eventos,
bons e maus, que compõem a minha vida.
O sol nasce e as serras distantes tingem-se de tons
alaranjados. O céu, de um azul puro, tem apenas algumas nuvens dispersas, na
promessa de mais um belo dia de agosto. De mais um dia sem ti.

