Palavras por Amor
Nota Editorial: Este texto é uma obra de ficção. Embora possa incluir referências a eventos históricos e figuras reais, a história, os diálogos e as interpretações são fruto da imaginação do autor. Qualquer semelhança com pessoas, vivas ou mortas, é mera coincidência.
Recordo um amor antigo, que viveu de sonhos
Por algum tempo.
Que vem até mim, em sonhos disperso.
Sabes de quem falo? Tu, cujos olhos me lêem?
Sabes a saudade que tenho, dos cálidos beijos
E ternos abraços?
Mirrados frutos deste amor que foi ficando,
Encerrado nas folhas que escrevo,
Encarcerado no livro que fecho,
Fechado nas lágrimas que verti,
Em forma de cadeado.
Secas, como as pétalas da rosa,
Conservada de uma saudosa primavera,
Assim ficam estas palavras,
Outrora viçosas.
Recordo o brilho dos olhos, o calor dos lábios
E o carinho do abraço,
Que não mais voltam.
Fica este testemunho, em letras luzidias,
Negro sobre o alvo marfim,
Aconchegado em capa cinzenta.
Repousa amor, sonho inacabado,
Prematuramente desperto.

