2023 — O Ano Antes da Viragem

O Mundo
2023 foi um ano suspenso entre crises antigas e sinais de mudança, como se o planeta estivesse a ajustar a respiração antes de um novo ciclo.
A guerra na Ucrânia prolongou-se num impasse duro, onde avanços e recuos já não eram notícia, mas rotina. A Rússia consolidou posições, a Ucrânia resistiu, e o mundo habituou-se a acompanhar o conflito como quem observa uma tempestade que não passa.
No Médio Oriente, a tensão acumulada entre Israel e o Hamas atingiu um ponto de rutura em outubro, com o ataque do Hamas e a resposta militar israelita a desencadear uma nova fase de violência que marcaria profundamente o final do ano.


A nível global, a economia viveu um período de inflação persistente, reajustes energéticos e incerteza. A Europa continuou a adaptar-se ao pós-pandemia e à crise energética, enquanto os EUA atravessaram debates intensos sobre tecnologia, direitos e futuro político.
A ciência e a tecnologia avançaram em passos largos: a inteligência artificial tornou-se tema central — promessa, ameaça, ferramenta, espelho. O mundo começou a perceber que a tecnologia já não é apenas instrumento, mas ambiente.
O clima voltou a lembrar a sua urgência: ondas de calor extremas, incêndios devastadores no Canadá e na Grécia, cheias violentas na Líbia. A Terra insistiu na sua mensagem.
Portugal
Em Portugal, 2023 foi um ano de desgaste político e de revelações que culminariam na dissolução do Parlamento no final do ano.
O governo de António Costa enfrentou sucessivas polémicas, culminando na operação “Influencer”, que levou o Primeiro-Ministro a apresentar a demissão em novembro. O Presidente da República dissolveu a Assembleia e convocou eleições para março de 2024, deixando o país num estado de suspensão institucional.

A economia cresceu acima da média europeia, mas com tensões: inflação elevada, dificuldades no acesso à habitação e greves em vários setores, especialmente na saúde e na educação. O SNS viveu um ano de grande pressão, com urgências fechadas e negociações tensas com médicos e enfermeiros.
Culturalmente, Portugal continuou a afirmar-se: Lisboa e Porto consolidaram-se como polos de criação e circulação artística, e a literatura portuguesa manteve presença internacional.
As Figuras que Partiram
Internacionais
- Tina Turner, a “rainha do rock”, cuja voz e presença deixaram uma marca indelével na música do século XX.
- Henry Kissinger, figura central da diplomacia norte-americana, controverso e influente até ao fim.
Portugueses
- Eunice Muñoz, uma das maiores atrizes portuguesas, cuja carreira atravessou gerações e palcos.
- Mário Soares Júnior, advogado e figura pública ligada a uma das famílias políticas mais marcantes do país.
- José Eduardo dos Santos (embora angolano, profundamente ligado à história portuguesa), cuja morte encerrou um capítulo complexo da relação luso-africana.
Cada partida deixou um eco distinto — uns mais íntimos, outros mais históricos — mas todos contribuíram para o desenho emocional do ano.
