2021 — O Ano da Travessia Lenta

O Mundo

2021 foi um ano de transição inquieta, como se o planeta tentasse reaprender a mover-se depois do choque pandémico. A vacinação contra a COVID‑19 avançou a ritmos desiguais: abundância no Ocidente, escassez no Sul global. Variantes como a Delta e, no final do ano, a Omicron, lembraram que o vírus ainda ditava o compasso.

Os Estados Unidos começaram o ano com a invasão do Capitólio e uma mudança de administração. A Europa procurou equilibrar recuperação económica com prudência sanitária. No Afeganistão, o verão trouxe o colapso do governo e o regresso dos talibãs, numa retirada que deixou o mundo entre perplexo e impotente.

O clima voltou a impor-se como urgência: cheias devastadoras na Alemanha e na Bélgica, incêndios na Grécia e na Califórnia, e a COP26 em Glasgow a tentar redesenhar compromissos.

Portugal

Em Portugal, 2021 foi um ano de contenção e de recomeço cauteloso.

A vacinação avançou de forma exemplar, devolvendo ao país uma sensação de controlo. As restrições foram sendo levantadas, e a vida cultural e social começou a regressar, ainda com hesitações.

Politicamente, o ano foi marcado por tensões entre o Governo e os partidos à esquerda, culminando no chumbo do Orçamento do Estado para 2022. Esse impasse abriu caminho à dissolução da Assembleia e às eleições antecipadas — um prenúncio do que viria a marcar 2022.

A economia recuperou parcialmente, mas com cicatrizes: turismo fragilizado, setores culturais exaustos, pequenas empresas a tentar sobreviver. O SNS continuou sob enorme pressão, dividido entre a resposta à pandemia e as necessidades acumuladas.

As Figuras que Partiram

Internacionais

  • Desmond Tutu, arcebispo sul-africano, símbolo da luta contra o apartheid e da reconciliação possível.
  • Colin Powell, figura central da diplomacia e da política externa norte-americana.

Portugueses

  • Carlos do Carmo, voz maior do fado, cuja partida deixou um silêncio cheio de memória.
  • Maria João Abreu, atriz profundamente querida, cuja morte inesperada tocou o país.
  • Jorge Fernando, encenador e realizador, presença marcante na televisão e no teatro português.

Cada ausência trouxe uma sombra distinta, mas todas contribuíram para o desenho emocional de um ano que ainda vivia entre o luto e a esperança. 

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