Margarida
Nota Editorial: Este texto é uma obra de ficção. Embora possa incluir referências a eventos históricos e figuras reais, a história, os diálogos e as interpretações são fruto da imaginação do autor. Qualquer semelhança com pessoas, vivas ou mortas, é mera coincidência.
encolheu-se quando o homem se sentou a seu lado.
impossível não tocar nas pessoas e eles estavam tão próximos que
ela conseguia sentir o cheiro da loção da barba. Corou ao sentir o
calor da perna dele em contacto com a sua através dos jeans coçados.
dele.
nariz largo e sobrancelhas hirsutas encimado pela cabeleira negra e
encaracolada. O olhar parecia preso lá longe, na parte dianteira do
veículo.
voltar-se e olha-lo diretamente. Os olhos sempre foram aquilo que
mais a atraía nos homens…
tinha vinte e dois anos e apenas teve um namorado. Se se pode chamar
namoro ao que ela e o “pau de virar tripas” do seu vizinho
pré adolescente fizeram durante dois anos… onde nem um beijo na
boca aconteceu.
telemóvel e, simulando estar a escrever uma mensagem, inclinou o
vidro do aparelho de forma a apanhar por reflexão o rosto do
companheiro de viagem. Apreciou-o demoradamente e tentou fixar-lhe os
olhos… que repentinamente a focaram através do reflexo.
equipamento. Virou rapidamente o mostrador para o chão enquanto se
esforçava por regularizar a respiração entrecortada e acalmar o
rosto que abrasava.
ficar quieta no seu canto, que lhe dera para fazer aquela fita?”
fechou os olhos com força inclinando a cabeça para baixo. “Será
que esta aflição é um ataque cardíaco? Não sou muito nova para
isso?”
ligeiramente para trás e inspirou fundo. Abriu os olhos e aquele
rosto moreno, de olhos como carvões incandescentes, fitava-a num
misto de preocupação e divertimento enquanto perguntava: “Está
a sentir-se bem?”
completamente atordoada, levantou-se abruptamente gemendo disconexa:
“Sim, estou bem. Estou bem, obrigada. Sim, é a minha paragem,
tenho que sair aqui, com licença.”
a correr do transporte público… ainda não era naquele dia que
arranjaria um namorado.

