Manhã de Domingo
Nota Editorial: Este texto é uma obra de ficção. Embora possa incluir referências a eventos históricos e figuras reais, a história, os diálogos e as interpretações são fruto da imaginação do autor. Qualquer semelhança com pessoas, vivas ou mortas, é mera coincidência.
tocar, às 7:30h, como o fazia todos os dias. A música de Miguel Gameiro, “Dá-me
um abraço”, encheu o espaçoso quarto, dançando nas paredes ainda cheias de
sombras.
seja forte
canto
nada é tanto
sorriso, ao mesmo tempo que estendeu a mão para desligar o aparelho. O gesto
ficou suspenso no ar por uns segundos e acabou por deixar cair, sem interromper
a música.
por perto
espaço
só o silêncio
música de fundo de muitas e boas cenas da sua vida.
contra as suas costas. A luz da manhã filtrava-se através dos pequenos espaços
da persiana em focos de partículas de pó, douradas e flutuantes, estendendo-se
até ao chão. Ajeitou as costas contra a pressão, espreguiçando-se
voluptuosamente… é domingo e o braço de João nas suas costas estava a
lembrar-lhe algumas “urgências”. Um calor invadiu o seu baixo ventre, sem, no
entanto, afastar o sono.
mais as costas contra o braço do adormecido companheiro, esperando que ele
acordasse e quisesse fazer o mesmo que ela desejava naquele momento. Empurrou
os seus braços entre as coxas e apertou com força enquanto se espreguiçava.
Deixou-se dormir mais um pouco, mas a vontade não ia embora. Há quanto tempo
não faziam amor…? Há quanto tempo não sentia aquele corpo musculado em cima
dela, não o apertava com as suas coxas ávidas…? “Desde que a cabra da Isaura
começara a rondá-lo” lembrou-se com raiva, “Maldita seja, que acabou por o
levar…”
suas próprias recordações dos momentos de carinho com ele.
amiga…
por o levar? Então quem está atrás de mim?”
da cama que devia estar desocupado, rodando rapidamente. Um miado indignado
fez-se ouvir, logo seguido de patas fofas fugindo sobre o soalho.
completamente do pobre bichaninho.”
correr ao longo do nariz e pingou sobre o travesseiro.
que está solta há meses e nem substituiu o prego do quadro do corredor que está
sempre a cair… imprestável!” Revoltou-se.
o rádio despertador, enquanto lhe gritava:
lágrimas com raiva.
“Ele foi-se embora? Quem
perdeu foi ele! Raio que o parta, não faz cá falta nenhuma!”

