Praia Deserta

 

 

Dei por mim na praia deserta.

A areia cor de chumbo contrasta com a brancura dos meus pés e o céu, incandescente é ferro em brasa a perder de vista sobre o mar escuro e de marulhar suave.

Estou de regresso ao meu mundo… Ao meu refúgio, mundo solitário e frio qual limbo entre dimensões.

Os restos das últimas fogueiras ainda ali estavam, o mar, constante, não limpou os restos carbonizados das parcas fontes de calor da minha última visita.

O mar está calmo, mas o braseiro do céu parece crepitar com as nuvens escuras correndo velozes sobre vermelho… Avizinha-se tempestade. Não tarda o mar irá alterar-se, do céu cairão raios e trovões ensurdecedores acompanhados de chuva grossa e copiosa.

Uma vez mais irei vibrar com a força da tempestade, regozijar-me com o poder que parece emanar de mim. Numa onda gigantesca a tormenta revolverá este mundo interminável para acabar tão depressa como começou deixando-me vazio, esgotado e gelado, caído nas areias plúmbeas.

De novo vaguearei tremendo de frio em busca de uns parcos pedaços de madeira que me permitam aquecer um pouco até que o meu castigo termine e regresse ao local de onde parti.

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