Criação

October 2, 2003

 

O mundo era jovem e as estrelas crianças reluzentes,

E nós, os Primeiros daquela raça.

Éramos luz e promessa de vitória,

A Esperança tornada vida.

Os rios eram cristalinos cheirando a alfazema,

Cantando histórias das suas viagens.

Os animais, nossos companheiros,

Acompanhavam-nos e falavam-nos com alegria.

Naquele tempo, o mundo era virgem,

E nós os futuros donos.

Naquele tempo em que o mundo era jovem,

Éramos apenas crianças,

Vigiadas ternamente pelo Bom Pastor,

Que olhava carinhosamente a sua Criação.

Mas não seriamos crianças para sempre

E o brilho do Conhecimento

Refulgiu nos nossos olhos ingénuos,

Abrindo-os e enchendo-os de Sabedoria,

De Bondade e de Maldade.

E de repente sabiamos quem eramos,

Quem poderíamos ser...

E queríamos mais.

O Bom Pastor cobriu a face e chorou,

Ao dar-nos o Conhecimento pretendia tornar-nos melhores...

Mas também Ele comete erros.

E o mundo agora é velho e as estrelas baças e mortiças.

Os rios sem vida

Onde as águas que não são mais cristalinas,

Já não chilreiam mais histórias.

Os animais temem-nos e não nos falam,

Chocados com a nossa mudança.

 

Desde então que a esperança temo-la nós,

Em cada um dos nossos filhos,

Que seja melhor do que somos,

Que faça mais do que fizemos,

Que tenha mais felicidade que a que temos.

 

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