Foi há muito tempo, não sei quando, que a Mão Omnipotente se estendeu, inspirada, sobre um pequeno mundo. Com esse gesto abriram-se as nuvens negras que impediam a luz forte da estrela de iluminar o globo caótico.
E por Vontade divina a terra emergiu das águas, escorrendo, acabada de nascer.
Uma miríade de folhas, ramos e flores rompeu sobre o solo virgem num festim de fecundidade.
As árvores cresceram para o céu tentando em vão soltar-se das amarras da terra húmida e negra agora coberta de verde, embriagada de vida.
Nascidos do nada, animais cada vez maiores vagueavam por entre a vegetação, pacíficos, ruminando os pequenos rebentos verdes que não tiveram tempo de apreciar a dádiva da vida.
As águas oscilaram em pequenas ondas que acariciavam a porção seca, sabendo-a irmã. No seu ventre crescia vida em forma de peixes prateados e irrequietos.
Pássaros invadiam os ares chilreando em voos rasantes festejando a Criação.
Foi há muito tempo, não sei quando, que Sentindo-se só, embalado em Seu Poder, criou o Homem a que chamou Adão.
Há muito tempo que aconteceu mas não sei exatamente quando foi.
E um dia, Deus com a Sua infinita sabedoria infinitamente cansada, saiu, ninguém sabe para onde.
