<rss version="2.0" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"><channel><title>debaixodosceus</title><description>debaixodosceus</description><link>https://www.debaixodosceus.pt/blog</link><item><title>Daqueles Além Marão-Vídeo Promocional</title><description><![CDATA[Não deixe de ver o belíssimo vídeo promocional que abrirá o apetite para ler este livro de contos onde são abordados vários temas como a migração para as cidades, a insegurança das estradas e caminhos, as invasões francesas, as lendas e superstições.Tenho a certeza que irá gostar deste meu novo trabalho e irá recomendá-lo aos seus amigos.Já se encontra à venda, não deixe de visitar a página do livro neste sitio de autor ou no Facebook.<img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_1c04b805fe584a61b1ba4e28b5faefd7%7Emv2.jpg/v1/fill/w_313%2Ch_417/a84154_1c04b805fe584a61b1ba4e28b5faefd7%7Emv2.jpg"/>]]></description><dc:creator>Manuel Amaro Mendonça</dc:creator><link>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2017/04/18/Daqueles-Al%C3%A9m-Mar%C3%A3o-Video-Promocional</link><guid>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2017/04/18/Daqueles-Al%C3%A9m-Mar%C3%A3o-Video-Promocional</guid><pubDate>Tue, 18 Apr 2017 19:58:28 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_1c04b805fe584a61b1ba4e28b5faefd7~mv2.jpg"/><div>Não deixe de ver o belíssimo vídeo promocional que abrirá o apetite para ler este livro de contos onde são abordados vários temas como a migração para as cidades, a insegurança das estradas e caminhos, as invasões francesas, as lendas e superstições.</div><div>Tenho a certeza que irá gostar deste meu novo trabalho e irá recomendá-lo aos seus amigos.</div><iframe src="https://www.youtube.com/embed/UjztIrOys48"/><div>Já se encontra à venda, não deixe de visitar a página do livro neste <a href="http://manuelamaro.wixsite.com/autor/daqueles-alem-marao">sitio de autor</a> ou no <a href="https://www.facebook.com/DaquelesAlemMarao">Facebook</a>.</div></div>]]></content:encoded></item><item><title>Daqueles Além Marão - A capa</title><description><![CDATA[O meu novo livro "Daqueles Além Marão" já tem capa terminada e já estará à venda a partir do próximo dia 3 de Abril de 2017 em todos os sites da Amazon ou através da minha página para encomendas: http://manuelamaro.wixsite.com/autor/daqueles-alem-marao Para mais informação sobre este livro consulte o resumo<img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_80c23646a27e4063b7e851d2e5a9424d%7Emv2_d_3614_2480_s_4_2.jpg/v1/fill/w_626%2Ch_430/a84154_80c23646a27e4063b7e851d2e5a9424d%7Emv2_d_3614_2480_s_4_2.jpg"/>]]></description><dc:creator>Manuel Amaro Mendonça</dc:creator><link>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2017/03/29/Daqueles-Al%C3%A9m-Mar%C3%A3o---A-capa</link><guid>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2017/03/29/Daqueles-Al%C3%A9m-Mar%C3%A3o---A-capa</guid><pubDate>Wed, 29 Mar 2017 22:28:40 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><div>O meu novo livro &quot;<a href="http://manuelamaro.wixsite.com/autor/daqueles-alem-marao">Daqueles Além Marão</a>&quot; já tem capa terminada e já estará à venda a partir do próximo dia 3 de Abril de 2017 em todos os sites da Amazon ou através da minha página para encomendas: <a href="http://manuelamaro.wixsite.com/autor/daqueles-alem-marao">http://manuelamaro.wixsite.com/autor/daqueles-alem-marao</a></div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_80c23646a27e4063b7e851d2e5a9424d~mv2_d_3614_2480_s_4_2.jpg"/><div> Para mais informação sobre este livro consulte o <a href="http://manuelamaro.wixsite.com/autor/single-post/2017/03/24/Daqueles-Al%C3%A9m-Mar%C3%A3o">resumo</a></div></div>]]></content:encoded></item><item><title>Daqueles Além Marão</title><description><![CDATA[.Depois de um grande conjunto de contratempos, está finalmente por dias o lançamento do meu novo livro intitulado "Daqueles Além Marão".Esta nova obra é composta por oito contos escritos entre 2015 e 2017.A sinopse deste livro, transcrita abaixo, não podia ser mais expressiva no tema escolhido e cada um dos contos reúne sem duvida situações extremas em que a fibra e a resistência dos personagens é posta à prova. "Para além do Marão, mandam os que lá estão", é uma máxima que não se pode<img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_7eba1b6214fc4d1d88d9f42a741f17de%7Emv2.jpg/v1/fill/w_332%2Ch_440/a84154_7eba1b6214fc4d1d88d9f42a741f17de%7Emv2.jpg"/>]]></description><dc:creator>Manuel Amaro Mendonça</dc:creator><link>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2017/03/24/Daqueles-Al%C3%A9m-Mar%C3%A3o</link><guid>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2017/03/24/Daqueles-Al%C3%A9m-Mar%C3%A3o</guid><pubDate>Fri, 24 Mar 2017 22:50:55 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_7eba1b6214fc4d1d88d9f42a741f17de~mv2.jpg"/><div>.</div><div>Depois de um grande conjunto de contratempos, está finalmente por dias o lançamento do meu novo livro intitulado &quot;Daqueles Além Marão&quot;.</div><div>Esta nova obra é composta por oito contos escritos entre 2015 e 2017.</div><div>A sinopse deste livro, transcrita abaixo, não podia ser mais expressiva no tema escolhido e cada um dos contos reúne sem duvida situações extremas em que a fibra e a resistência dos personagens é posta à prova.</div><div> &quot;Para além do Marão, mandam os que lá estão&quot;, é uma máxima que não se pode contestar.Gente dura, os transmontanos. São filhos da terra e das pedras: gerados sob o tórrido verão e embalados nas neves que coroam os montes e gelam as casas. Como o ferro bem temperado, das pedras herdaram a dureza e a força, e do sol o calor da simpatia e da lealdade.Vamos conhecer camponeses, guardadores de cabras e até salteadores. Mas seja na vivência de uma das muitas lendas da região, nas dores do amor, ou nas agruras das invasões napoleónicas, é a sua tempera que vai sobressair e, tal como o azeite na água, assim eles se distinguirão dos restantes.É deles que se fala neste livro, Daqueles Além Marão, que lá vivem, trabalham, riem e choram.</div><div>Eis um pequeno resumo de cada uma das histórias incluídas neste volume.</div><div>&quot;Corrécio&quot; Uma vez mais é abordado o fosso entre ricos e pobres. Mesmo o mais liberal dos Senhores pode-se revelar preconceituoso quando menos se espera e também ficamos a saber que o amor nem sempre move montanhas.</div><div>&quot;O Assalto&quot;, passa-se numa altura em que as estradas eram perigosas e pejadas de salteadores que nos levariam os bens, e por vezes a vida, com a maior das facilidades. A história aqui contada é uma visão bem disposta de uma época complicada. (Este conto obteve um primeiro prémio num concurso literário)</div><div>&quot;Petêmossur&quot; A palavra não existe, claro, o leitor terá que ler uma história em que a pacatez da vida do campo é perturbada com a chegada dos soldados, para perceber o seu significado.</div><div>&quot;Montês&quot; Um camponês que foge da vida dura do campo, mesmo nos nossos dias não é novidade, mas agora imagine-se no século passado, onde era fácil morrer de qualquer maneira... até de fome.</div><div>&quot;A Cripta&quot; Os cemitérios são lugares tétricos e podendo, o melhor é deixar os mortos em paz.</div><div>&quot;Tudo em Jogo&quot; Até onde se está disposto a ir pelo vício do jogo? O que é que estaremos dispostos a pôr em jogo, com a febre de que a nossa sorte irá mudar? (Este conto obteve um terceiro prémio num concurso literário)</div><div>&quot;Salvo&quot; As lendas não podiam deixar de fazer presença neste livro e neste conto, o limite entre a realidade e o sonho é tão diáfano, que por vezes não se sabe de que lado se está.</div><div>&quot;A Queda do Porto&quot; Em plena 2ª invasão francesa, três malfeitores vão ser engolidos pela fúria dos acontecimentos e participar inadvertidamente em alguns dos grandes acontecimentos deste período.</div><div>Espero ter despertado a sua curiosidade.</div><div>Não perca este novo livro que, tenho a certeza, será um bom companheiro durante algumas agradáveis horas.</div><div>Boas leituras.</div><div>Este livro é publicado através da Createspace e distribuído pela Amazon.</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_1024b0f4f6844664981c0c2330902994.jpg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_6d53f21ece324e0baa28e9611752ee7e.jpg"/></div>]]></content:encoded></item><item><title>Coletânea &quot;Anjos e Demónios&quot;</title><description><![CDATA[SUI GENERIS29/01para mimBoa tarde, Manuel Amaro Mendonça.É com muito gosto que lhe comunico: o seu texto com o títuloA CRIPTAfoi seleccionado para integrar «ANJOS & DEMÓNIOS», uma antologia de Contos Sobrenaturais que será publicada na Colecção Sui Generis com a chancela EuEdito.Obrigado por ter participado neste grandioso projecto.Seleccionámos textos de 25 Autores Lusófonos, cujos nomes encontram-se discriminados no ficheiro PDF que envio em anexo, para vosso conhecimento. Logo após concluir<img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_dd134ee4fb7a4376b6c9f8ecaca93103%7Emv2.jpg/v1/fill/w_332%2Ch_368/a84154_dd134ee4fb7a4376b6c9f8ecaca93103%7Emv2.jpg"/>]]></description><dc:creator>Euedito / Sui Generis</dc:creator><link>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2017/01/29/Colet%C3%A2nea-Anjos-e-Dem%C3%B3nios</link><guid>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2017/01/29/Colet%C3%A2nea-Anjos-e-Dem%C3%B3nios</guid><pubDate>Sun, 29 Jan 2017 21:50:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_dd134ee4fb7a4376b6c9f8ecaca93103~mv2.jpg"/><div>SUI GENERIS</div><div>29/01</div><div>para mim</div><div>Boa tarde, Manuel Amaro Mendonça.</div><div>É com muito gosto que lhe comunico: o seu texto com o título</div><div>A CRIPTA</div><div>foi seleccionado para integrar «ANJOS &amp; DEMÓNIOS», uma antologia de Contos Sobrenaturais que será publicada na Colecção Sui Generis com a chancela EuEdito.</div><div>Obrigado por ter participado neste grandioso projecto.</div><div>Seleccionámos textos de 25 Autores Lusófonos, cujos nomes encontram-se discriminados no ficheiro PDF que envio em anexo, para vosso conhecimento. Logo após concluir as comunicações por email aos Autores, esta informação será divulgada nas redes sociais e no blogue Sui Generis.</div><div>Neste momento, estamos a finalizar tarefas relacionadas com outros projectos literários, anteriores a «Anjos &amp; Demónios». Logo que se concluam essas tarefas, que são prioritárias e visam um lançamento conjunto de várias antologias, em data que será brevemente anunciada, retomaremos os trabalhos relacionados com «Anjos &amp; Demónios» e tornaremos a comunicar com os Autores, para darmos conta do ponto de situação sobre o andamento desta antologia.</div><div>Antes de concluir, informo que foi lançada pela Sui Generis, no dia 25 de Janeiro, uma revista literária intitulada SG MAG, em suporte electrónico e com distribuição gratuita. O principal objectivo desta revista é promover, junto de públicos mais alargados, todos os projectos, livros e Autores Sui Generis. A SG MAG é de todos nós... encontra-se ao vosso dispor. Ao contrário do que sucede noutras publicações congéneres, as participações / colaborações de Autores Sui Generis não terão qualquer cobrança monetária. Só serão cobradas páginas de publicidade, se as mesmas forem solicitadas. Desse modo, se desejar colaborar com algum texto... pode ser crónica, opinião, biografia, ficção (conto literário), poesia, excerto de livro, critica literária, etc... sinta-se à vontade. Se tiver livros editados e desejar divulgá-los, a SG MAG dispõe igualmente de espaço para esse efeito. Bastará, para tal, comunicar directamente comigo.</div><div>A SG MAG encontra-se disponível na plataforma ISSUU, no endereço indicado no fim deste email. Porém, deixo aqui o link directo para aceder à mesma:</div><div>https://issuu.com/sg.mag/docs/sg_mag_01_janeiro_2017</div><div>Informo ainda que temos a decorrer outros projectos colectivos: «Crimes Sem Rosto», uma antologia de Contos Policiais cujo prazo para recepção de textos será prorrogado até final de Fevereiro; e «Fúria de Viver», uma antologia que visa reunir textos em Prosa e Poesia, com tema livre, porém, subordinados ao lema Celebrar a Vida, para se possa fazer Um Hino à Vida através da literatura, cuja participação não implica qualquer obrigatoriedade de adquirir a obra finalizada. Deixo o convite para participar (também) nestes projectos literários, ou nalgum deles... no que mais lhe interessar – os respectivos Regulamentos estão disponíveis nos links que encontrará no fim deste email. (Se porventura já tem conhecimento e/ou submeteu participações para estes projectos, peço que ignore este parágrafo).</div><div>Por agora, envio-lhe um grande abraço.</div><div>E até breve!</div><div>Isidro Sousa</div><div>ANJOS &amp; DEMÓNIOS</div><div>Organização e Coordenação</div></div>]]></content:encoded></item><item><title>Boas vindas à revista SG Mag</title><description><![CDATA[Foi no passado dia 25 o lançamento de uma nova revista virtual dedicada às letras lusófonas em geral e às produções Sui Generis em particular. Nas palavras do editor Isidro Sousa: "Foi lançada uma nova revista literária em formato electrónico, com periodicidade trimestral, editada em Portugal, pela Sui Generis, porém, dedicada à literatura lusófona. A primeira edição já se encontra disponível na plataforma ISSUU. Os seus conteúdos abrangem entrevistas, reportagens, crónicas, artigos de opinião,<img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_bed52bfc494b43e1a946abcc7deed0a4%7Emv2.jpg/v1/fill/w_351%2Ch_497/a84154_bed52bfc494b43e1a946abcc7deed0a4%7Emv2.jpg"/>]]></description><dc:creator>Manuel Amaro Mendonça</dc:creator><link>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2017/01/29/Boas-vindas-%C3%A0-revista-SG-Mag</link><guid>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2017/01/29/Boas-vindas-%C3%A0-revista-SG-Mag</guid><pubDate>Sun, 29 Jan 2017 00:10:28 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_bed52bfc494b43e1a946abcc7deed0a4~mv2.jpg"/><div>Foi no passado dia 25 o lançamento de uma nova revista virtual dedicada às letras lusófonas em geral e às produções Sui Generis em particular. Nas palavras do editor<a href="https://www.facebook.com/isidro.sousa.1">Isidro Sousa</a>:&quot;Foi lançada uma nova revista literária em formato electrónico, com periodicidade trimestral, editada em Portugal, pela Sui Generis, porém, dedicada à literatura lusófona. A primeira edição já se encontra disponível na plataforma ISSUU. Os seus conteúdos abrangem entrevistas, reportagens, crónicas, artigos de opinião, biografias, textos de ficção, contos literários, poesia, livros e excertos de livros, entre outros assuntos, ao longo de 150 páginas.&quot; Logo neste primeiro número, a mensagem de boas vindas de alguém que poderia ser considerada uma rival deste novo trabalho: Shirley Cavalcante da revista &quot;Divulga Escritor&quot;. Com uma camaradagem destas, revelam-se as personalidades de Isidro e de Shirley que funcionam no sentido de criar afetos e colaboração, em vez de rivalidades mesquinhas.</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_0946b19646c442158e56b867fb656c79~mv2.jpg"/><div>Também já trabalhei com a Shirley algumas vezes na &quot;Divulga Escritor&quot; (espero trabalhar muitas mais) e tive oportunidade sentir essa mesma vontade de colaborar e ajudar na divulgação das letras lusófonas.</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_66f9fca765354fd7a7e120cf66e36ca4~mv2.jpg"/><div>Mas o dia hoje é do Isidro e da revista <a href="https://issuu.com/sg.mag/docs/sg_mag_01_janeiro_2017">SG Mag</a>. Conheci o Isidro assim que me comecei a envolver nos meios literários, (que não foi assim há muito tempo) mas desde a nossa primeira conversa que deu para perceber a energia que emanava dele.</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_864b642358154fb1bbfdd3a0bc920210~mv2_d_1936_2592_s_2.jpg"/><div>Fervilhava de vontade de fazer coisas e falou-me de alguns dos seus projetos. Posso dizer que ficamos imediatamente amigos e, algum tempo passado, ei-lo aqui com vários desses projetos concluídos, outros em curso e ainda a surpreender-me com novas &quot;maravilhas&quot;. O seu primeiro trabalho, A Bíblia dos Pecadores&quot;, reuniu paixões e ainda hoje recordo a minha primeira participação na apresentação de um livro com algo escrito por mim, como algo de mágico. De resto, o resultado foi tão bom, que há já uma sequela em produção.</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_c88dbaf0466448ca9da3a5dd3a3bbfdc.jpg"/><div>A editora Sui Generis, parece-me a um ritmo excelente para muito em breve se tornar uma realidade e a quantidade de autores que se mantêm fieis às coletâneas organizadas, mostram que o seu trabalho está a ser apreciado.</div><div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_9e6de93594c7427b95841997cabd4c80~mv2.jpg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_897aefafddea4c64a73c2e679cbe7e0f~mv2.jpg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_dd134ee4fb7a4376b6c9f8ecaca93103~mv2.jpg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_2c924cef004c4eeeabd4e71bd52e0824~mv2.jpg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_0a204961847b49e9a0e831a98611355c~mv2.jpg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_efdce6573c9b45b9bd11db0f2a10f4c4~mv2.jpg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_41c5b60ac7e8405face11067bbd6200a~mv2.jpg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_c21f320995014333b5fce7c17b8715bf~mv2.jpg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_d3a8c9e718b94391b728c89faa4eeded~mv2.jpg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_28112528322c4e9f9a71fea33595db6b~mv2.jpg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_0620c13d699642c3813c179bab2171b6~mv2.jpg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_c38829517d0947d2892759f2b8b9d709~mv2.jpg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_c88dbaf0466448ca9da3a5dd3a3bbfdc.jpg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_f1de426b64bf460aba46e8f19f9e2b38.jpg"/></div><div>Mas de volta à SG Mag, não faltam os espaços dedicados aos escritores que colaboram com a Sui Generis e, claro, uma área especial dedicada ao &quot;filho mais recente&quot;, o livro &quot;Almas Feridas&quot; da autora Suzete Fraga, que teve honras de primeira página e uma reportagem sobre o lançamento. São várias as páginas com fotografias de um dos dias mais felizes da minha amiga Suzete numa apresentação do seu livro, muito bem organizada e com uma afluência invejável.</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_235320522355439d860ea185aeac670c~mv2_d_5152_3864_s_4_2.jpg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_6c776ca1dd144eac9d42665726c783e7~mv2.jpg"/><div>Temos também as entrevistas, onde se dá voz aos autores, as áreas com trabalhos, como contos ou poesia, além da que é dedicada aos livros e que faz pequenas resenhas dos livros publicados pela editora.</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_bb2238ebf7aa44d09f3e91a2d182c5a7~mv2.jpg"/><div>Foi uma grande alegria para mim, ver o meu conto &quot;<a href="https://issuu.com/sg.mag/docs/sg_mag_01_janeiro_2017/50">Os Anjos Têm Olhos Azuis&quot;</a> na revista e o excelente prefácio que o Isidro fez para o meu livro &quot;<a href="http://manuelamaro.wixsite.com/autor/lagrimas-no-rio">Lágrimas no Rio</a>&quot; no meio de uma publicação que reuniu tantos autores. Muitos deles bons amigos e outros que, mesmo não os conhecendo bem, já os considero amigos, à força de ver os seus trabalhos. Senti-me muito honrado por fazer parte deste primeiro número ao lado de <a href="https://www.facebook.com/carlos.arinto">Carlos Arinto</a>, <a href="https://www.facebook.com/everton.medeiros.br">Everton Medeiros</a>, <a href="https://www.facebook.com/rubionav">Guadalupe Navarro</a>, <a href="https://www.facebook.com/profile.php?id=100004166026411">Jonnata Henrique</a>, <a href="https://www.facebook.com/marcella.reis.58">Marcella Reis</a>, <a href="https://www.facebook.com/suzete.fraga">Suzete Fraga</a> e <a href="https://www.facebook.com/teresa.morais.98837">Teresa Morais</a>, algumas das pessoas com quem tenho escrito e aprendido imenso, no meu ainda pequeno percurso literário. Não posso deixar de referir a crónica de Isabel Martins, presença querida e incontornável nos eventos Sui Generis e que faz jus aos título do seu trabalho &quot;Gosto de Ler&quot;. Pois parece que gosta mesmo e juntou-se a um mundo onde não falta o que ler: o mundo dos autores Sui Generis. </div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_52158ad291e443f981e43f0754441788~mv2.jpg"/><div>Esta nova revista é a última das criações do Isidro Sousa, mas desenganem-se aqueles que acham que é a última, porque se acabaram as novidades, é apenas a última... para já. Deliciem-se com <a href="https://issuu.com/sg.mag/docs/sg_mag_01_janeiro_2017">SG Mag</a></div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_db165900f7754f76bd0c334d4bda8785~mv2.jpg"/></div>]]></content:encoded></item><item><title>Coletânea  &quot;A Biblia dos Pecadores&quot; &quot;Os 3 testamentos&quot;</title><description><![CDATA[SUI GENERIS28/01Boa tarde, Manuel Amaro Mendonça.Nas semanas que antecederam o último Natal, interrompemos o processo de selecção de textos para o segundo volume de «A BÍBLIA DOS PECADORES», para dar prioridade a outras tarefas que deveriam ser concluídas na época natalina. Ultrapassada essa fase, retomámos este processo e comunicamos que o seu texto com o títuloÀ VISTA DE DEUSManuel Amaro Mendonçafoi seleccionado para integrar a antologia «A BÍBLIA DOS PECADORES – OS TRÊS TESTAMENTOS», que será<img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_2a20ebfb89e34349acb0e724729e5257%7Emv2.jpg/v1/fill/w_363%2Ch_461/a84154_2a20ebfb89e34349acb0e724729e5257%7Emv2.jpg"/>]]></description><dc:creator>Euedito / Suigeneris</dc:creator><link>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2017/01/28/Colet%C3%A2nea-A-Biblia-dos-Pecadores-Os-3-testamentos</link><guid>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2017/01/28/Colet%C3%A2nea-A-Biblia-dos-Pecadores-Os-3-testamentos</guid><pubDate>Sat, 28 Jan 2017 21:56:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_2a20ebfb89e34349acb0e724729e5257~mv2.jpg"/><div>SUI GENERIS</div><div>28/01</div><div>Boa tarde, Manuel Amaro Mendonça.</div><div>Nas semanas que antecederam o último Natal, interrompemos o processo de selecção de textos para o segundo volume de «A BÍBLIA DOS PECADORES», para dar prioridade a outras tarefas que deveriam ser concluídas na época natalina. Ultrapassada essa fase, retomámos este processo e comunicamos que o seu texto com o título</div><div>À VISTA DE DEUS</div><div>Manuel Amaro Mendonça</div><div>foi seleccionado para integrar a antologia «A BÍBLIA DOS PECADORES – OS TRÊS TESTAMENTOS», que será publicada na Colecção Sui Generis com a chancela da EuEdito.</div><div>Obrigado por ter participado neste grandioso projecto.</div><div>Seleccionámos textos, em prosa e poesia, de 35 Autores Lusófonos, cujos nomes encontram-se discriminados no ficheiro PDF que enviamos em anexo, para vosso conhecimento. Após concluir os contactos com os Autores, esta informação será divulgada nas redes sociais e no blogue Sui Generis.</div><div>Neste momento, estamos igualmente a finalizar tarefas de outros projectos literários que são anteriores ao segundo volume de «A Bíblia dos Pecadores», cujos trabalhos também foram interrompidos na época natalícia, pela mesma razão. Logo que se concluam essas tarefas, que são prioritárias e visam um lançamento conjunto de várias antologias, em data que será brevemente anunciada, retomaremos os trabalhos relacionados com «A Bíblia dos Pecadores» e tornaremos a comunicar com os Autores, para darmos conta do ponto de situação sobre o andamento desta antologia.</div><div>Antes de concluir, informo que foi lançada pela Sui Generis, no dia 25 de Janeiro, uma revista literária intitulada SG MAG, em suporte electrónico e com distribuição gratuita. O principal objectivo desta revista é promover, junto de públicos mais alargados, todos os projectos, livros e Autores Sui Generis. A SG MAG é de todos nós... encontra-se ao vosso dispor. Ao contrário do que sucede noutras publicações congéneres, as participações / colaborações de Autores Sui Generis não terão qualquer cobrança monetária. Só serão cobradas páginas de publicidade, se as mesmas forem solicitadas. Desse modo, se desejar colaborar com algum texto... pode ser crónica, opinião, biografia, ficção (conto literário), poesia, excerto de livro, critica literária, etc... sinta-se à vontade. Se tiver livros editados e desejar divulgá-los, a SG MAG dispõe igualmente de espaço para esse efeito. Bastará, para tal, comunicar directamente comigo.</div><div>A SG MAG encontra-se disponível na plataforma ISSUU, no endereço indicado no fim deste email. Porém, deixo aqui o link directo para aceder à mesma:</div><div>https://issuu.com/sg.mag/docs/sg_mag_01_janeiro_2017</div><div>Informo ainda que temos a decorrer outros projectos colectivos: «Crimes Sem Rosto», uma antologia de Contos Policiais cujo prazo para recepção de textos será prorrogado até final de Fevereiro; e «Fúria de Viver», uma antologia que visa reunir textos em Prosa e Poesia, com tema livre, porém, subordinados ao lema Celebrar a Vida, para se possa fazer Um Hino à Vida através da literatura, cuja participação não implica qualquer obrigatoriedade de adquirir a obra finalizada. Deixo o convite para participar (também) nestes projectos literários, ou nalgum deles... no que mais lhe interessar – os respectivos Regulamentos estão disponíveis nos links que encontrará no fim deste email.</div><div>Por agora, envio-lhe um grande abraço.</div><div>E até breve!</div><div>Isidro Sousa</div><div>A BÍBLIA DOS PECADORES</div><div>Organização e Coordenação</div></div>]]></content:encoded></item><item><title>Antes Quebrar Que Torcer</title><description><![CDATA[Uma obra em projeto.Antes Quebrar Que Torcer1809 A invasão do Norte de PortugalCom a queda da praça de Chaves ante as forças invasoras sob comando do marechal Soult, em 12 de Março de 1809, dá-se início àquela que ficou conhecida como a Segunda Invasão Francesa.Do dia 12 até ao dia 29, as tropas napoleónicas seguirão o caminho para o Porto, via Braga, deixando um rasto de destruição e morte que culminará no tristemente célebre episódio da Ponte das Barcas.Os invasores só serão expulsos do Porto<img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_415235a941904caaaa5cadf28a83c810%7Emv2.png/v1/fill/w_338%2Ch_476/a84154_415235a941904caaaa5cadf28a83c810%7Emv2.png"/>]]></description><dc:creator>Vários autores</dc:creator><link>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2017/01/22/Antes-Quebrar-Que-Torcer</link><guid>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2017/01/22/Antes-Quebrar-Que-Torcer</guid><pubDate>Sun, 22 Jan 2017 00:21:15 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_415235a941904caaaa5cadf28a83c810~mv2.png"/><div>Uma obra em projeto.</div><div>Antes Quebrar Que Torcer</div><div>1809 A invasão do Norte de Portugal</div><div>Com a queda da praça de Chaves ante as forças invasoras sob comando do marechal Soult, em 12 de Março de 1809, dá-se início àquela que ficou conhecida como a Segunda Invasão Francesa.</div><div>Do dia 12 até ao dia 29, as tropas napoleónicas seguirão o caminho para o Porto, via Braga, deixando um rasto de destruição e morte que culminará no tristemente célebre episódio da Ponte das Barcas.</div><div>Os invasores só serão expulsos do Porto a 12 de Maio.</div><div>Duzentos anos volvidos, a recordação desses dias terríveis ainda fazem parte das memórias do povo em ditos populares, vocabulário, histórias e monumentos.</div><div>&quot;<div>Homem dum só parecer, D'um só rosto, uma só fé, D’antes quebrar que torcer, Ele tudo pode ser, Mas de corte homem não é. &quot;</div></div><div><a href="http://www.nicoladavid.com/literatura/s-de-miranda/carta-a-el-rei-d-joo-iii">Excerto da carta de Sá de Miranda a El-Rei D.João III</a></div><div>Este pequeno excerto reflete bem a alma do homem português que enfrentou os veteranos invicto das guerras da Europa. Uma nação em armas acudiu à chamada e deu a vida para defender os seus bens e o seu país. Não tendo força para enfrentar o invasor cara a cara, transformaram-lhe a vida num inferno com guerrilhas e emboscadas permanentes que o desgastavam. Preferiam morrer a serem vencidos</div><div>Foi com base neste mote que nasceu o desafio de escrever histórias diferentes sobre um tema já por demais falado.</div><div>Os autores desafiaram-se a si mesmos e estão neste momento a escrevinhar os textos que irão trazer este novo livro à luz do dia.</div><div>Em baixo, da esquerda para a direita:</div><div>Suzete Fraga</div><div>Manuel Amaro Mendonça</div><div>Jorge Santos</div><div>Carlos Arinto</div><div>Ana Paula Barbosa</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_e6cad71181ec43bc8504567c54a2168c~mv2_d_2560_1440_s_2.jpg"/></div>]]></content:encoded></item><item><title>Histórias em Postais</title><description><![CDATA[A revista digital "Correio do Porto" lançou o seguinte desafio:"CONVOCAM-SE todos os interessados a participar na I edição de HISTÓRIAS EM POSTAIS do Correio do Porto, que consiste em escrever uma história (microconto/poema/aforismo/legenda) no verso de um postal. O postal pode ser enviado em branco. O mais importante é a história."Esta iniciativa nasceu da resposta dada pela escritora portuguesa, Alice Vieira, sobre a possibilidade de existir uma literatura postal: Nunca tinha pensado nisso,<img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_4607cd3766d44b28b66789280f2d6815%7Emv2.jpg/v1/fill/w_626%2Ch_591/a84154_4607cd3766d44b28b66789280f2d6815%7Emv2.jpg"/>]]></description><dc:creator>Correio do Porto</dc:creator><link>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2017/01/10/Hist%C3%B3rias-em-Postais</link><guid>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2017/01/10/Hist%C3%B3rias-em-Postais</guid><pubDate>Tue, 10 Jan 2017 21:35:19 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><div>A revista digital &quot;Correio do Porto&quot; lançou o seguinte desafio:</div><div>&quot;CONVOCAM-SE todos os interessados a participar na I edição de HISTÓRIAS EM POSTAIS do Correio do Porto, que consiste em escrever uma história (microconto/poema/aforismo/legenda) no verso de um postal. O postal pode ser enviado em branco. O mais importante é a história.&quot;</div><div>Esta iniciativa nasceu da resposta dada pela escritora portuguesa, Alice Vieira, sobre a possibilidade de existir uma literatura postal: Nunca tinha pensado nisso, mas talvez não fosse má ideia… O Gianni Rodari tem um livro com uma série de histórias muito pequenas chamado “Histórias ao Telefone”— por que não “histórias em postais”?</div><div>Em resposta a este repto, reuni quatro postais da minha coleção e criei as histórias. Cada um deles não conta propriamente uma história, antes cria uma situação que é complementada com a imaginação do leitor. Ao ler cada um dos pequenos recados nos postais, conseguimos imaginar toda uma vida por trás dos personagens.</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_4607cd3766d44b28b66789280f2d6815~mv2.jpg"/><div>Veja cada um dos postais enviados no pequeno álbum abaixo. Se clicar sobre a imagem, poderá vê-la em tamanho maior e ler calmamente os textos. Se preferir, utilize a ligação que se encontra no fim deste documento para aceder à página do &quot;Correio do Porto&quot; e vê-los individualmente ou aceder a todas as publicações dessa ótima revista.</div><div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_da29a99737834ac59e90a501643739bd~mv2.jpg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_6a81c2999afb44d8a0751b165a2ef9f9~mv2.jpg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_b4a296ba11b94efd933932f31d2cf311~mv2.jpg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_aa26e192d15848ed91f0b7d3a1b87fba~mv2.jpg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_1cb12fea110d47e1a5228b55d7d5d450~mv2.jpg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_7a4ed30b6ed043ceaf578a9fa12327cc~mv2.jpg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_6dc86fdd5e974a1eb89f738347065c43~mv2.jpg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_740e7deeeae94a888bc96edc228510af~mv2.jpg"/></div><div><a href="http://www.correiodoporto.pt/tag/manuel-amaro-mendonca">Visualização dos postais no sitio do Correio do Porto</a></div></div>]]></content:encoded></item><item><title>Os Anjos Têm Olhos Azuis</title><description><![CDATA[No princípio tudo estava escuro. Pequenos pontos de luz, quase como estrelas, viam-se ao longe. Estaria a ver o céu? Estaria deitado num prado relvado numa noite estrelada de verão? Algumas “estrelas” moviam-se lentamente e outras com mais velocidade… mas moviam-se sem dúvida. Estrelas cadentes? Tantas? O universo estava definitivamente vivo!O negrume intimidador parecia até convidativo, sentia vontade de se juntar àquela dança de estrelas, de ser uma delas a vogar na imensidão. Sentia isso, mas<img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_954f361bc21f4a07a173b2bec9b5e99f%7Emv2.png/v1/fill/w_382%2Ch_215/a84154_954f361bc21f4a07a173b2bec9b5e99f%7Emv2.png"/>]]></description><dc:creator>Manuel Amaro Mendonça</dc:creator><link>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2016/12/28/Os-Anjos-T%C3%AAm-Olhos-Azuis</link><guid>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2016/12/28/Os-Anjos-T%C3%AAm-Olhos-Azuis</guid><pubDate>Wed, 28 Dec 2016 22:25:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_954f361bc21f4a07a173b2bec9b5e99f~mv2.png"/><div>No princípio tudo estava escuro. Pequenos pontos de luz, quase como estrelas, viam-se ao longe. Estaria a ver o céu? Estaria deitado num prado relvado numa noite estrelada de verão? Algumas “estrelas” moviam-se lentamente e outras com mais velocidade… mas moviam-se sem dúvida. Estrelas cadentes? Tantas? O universo estava definitivamente vivo!</div><div>O negrume intimidador parecia até convidativo, sentia vontade de se juntar àquela dança de estrelas, de ser uma delas a vogar na imensidão. Sentia isso, mas não percebia o que sentia mais, havia uma leveza, uma ausência de algo… O seu corpo; percebia que mandava comandos aos dedos e depois aos braços e às pernas, mas não sabia se eram executados. Na escuridão absoluta, mexia os braços e as pernas e não tocava em nada. Não, não estava deitado no prado verdejante, antes flutuava naquela matéria escura, longe das estrelas. Flutuava? Caía! Uma sensação de terror percorreu o corpo que não sentia e arrepiou os pelos do pescoço que não sabia se estavam lá.</div><div>Agora estava… no fundo do mar? A sua visão ondulava, como que debaixo de água e havia pequenas fitas verdes, que partiam do chão coberto de seixos e areia dourada, agitavam-se, tentando libertar-se e fugir para a superfície. Vendo-as de perto, parecia distinguir rostos que apareciam e desapareciam em expressões de angustia ou simplesmente desespero. Por entre as fitas, passavam por vezes corpos escuros, como golfinhos luzidios e sorridentes, flutuando, nadando?</div><div>“Isabel?” O pensamento pareceu ganhar forma e solidez e como as sombras escuras, nadou para longe. Mas o que quer que fosse que o fez pensar naquele nome, não se fora embora e o rosto dela acudiu-lhe à memória, dolorosamente.</div><div>Uma das sombras escuras pareceu imobilizar-se à distância e observa-lo, por entre as ondulantes fitas verdes. Depois, nadou decididamente na sua direção enquanto se metamorfoseava numa mulher, de cabelos escuros e esvoaçantes. O corpo coberto por um diáfano vestido branco, ocultava-lhe os pés, que agora caminhavam. Toda ela era em tons de cinzento, sobressaindo da tonalidade azulada das águas e do verde das fitas entre eles.</div><div>“Luís.” A voz quente ecoou-lhe na privacidade dos seus pensamentos. “Vieste!”</div><div>“Como poderia não vir?” Ele achava que tinha lágrimas nos olhos, se eles existissem.</div><div>“Não devias!” A voz que o acariciava, repreendia-o. “Fiz-te muito mal, deixei-te...”</div><div>“Disse-te que o meu amor estava para além de tudo. Não podia deixar de vir.”</div><div>Ela “flutuou” em volta dele fazendo-o rodar sobre si próprio e reluzir fracamente, como um holograma. Encostou o nariz ao dele, focando os expressivos e brilhantes olhos azuis, a única parte que parecia manter-se colorida nela.</div><div>“Os teus olhos… tão azuis!” Ele suspirou mentalmente.</div><div>“Já eram azuis, assim continuam.” Ela afirmou pragmática.</div><div>“Todos os anjos têm olhos azuis?” Era mais um pensamento do que propriamente uma pergunta.</div><div>“Porque achas que sou um anjo?” Havia divertimento na interrogação.</div><div>“És bela como um anjo, flutuas… tens olhos azuis...”</div><div>“A beleza, é a dos teus olhos. Aqui somos todos iguais: simples sombras acinzentadas, vagueando numa tristeza morna. Libertos da prisão do corpo, mas presos numa decisão precipitada. São os teus olhos que me veem com amor e constroem aquilo que não se vê… como podiam os olhos serem azuis, num mundo onde o cinzento reina?”</div><div>“Mas há os teus olhos, azuis, as fitas verdes que se querem libertar do chão de areias douradas. A própria água é um azulado cristalino!” Ele contrapôs.</div><div>O rosto dela mascarou-se de uma tristeza momentânea, antes de brilhar novamente com esperança. Ergueu lentamente uma mão que usou para acariciar com suavidade o rosto de Luís, que se tornou sólido para receber o afago. E ele sentiu aquele toque suave e meigo, embora sem calor, mas igual a tantos outros, há tantos milhares de anos atrás.</div><div>“És um anjo sim!” Concluiu ele, de olhos fechados, com um sorriso beatífico. “Agora estou feliz.”</div><div>“Também estou feliz por te ver.” Os lábios finos dela arredondavam-se num sorriso subtil, mas os olhos tremiam numa tristeza profunda. “Fiz-te muito mal e gostava de te poder compensar… não sei se alguma vez conseguirei… Fiquei feliz por te ver, mas não pode ser assim!”</div><div>“Que dizes?” Todo o corpo dele começava a adquirir uma solidez igual à dela e os dois seres, cinzentos, flutuavam um em frente ao outro, de mãos dadas.</div><div>“Não pode ser assim.” Ela repetiu, afastando o azul dos olhos para se perderem no horizonte. “Ainda não é hora! Não podemos ficar juntos.”</div><div>“Porquê? O que se passa?” Havia alarme nos pensamentos fazendo tremeluzir as águas, pressentindo o desequilíbrio.</div><div>“Não é hora, simplesmente.” Ela soltou as mãos dele e afastou-se uns centímetros. “Tens de ir!”</div><div>“Não quero!” Ele insistiu, o corpo cintilando entre desvanecer-se e agrupar-se num corpo quase sólido.</div><div>O rosto dela endureceu por uns segundos mas rapidamente voltou a máscara do amor e os seus lábios estreitaram-se num beijo. No segundo seguinte, empurrou-o com violência e imprimiu forte o pensamento: “Vai!”</div><div>Foi de um salto só que ele caiu da banheira, de joelhos sobre o tapete da casa de banho, completamente encharcado e nu.</div><div>Chorando de dor e saudade, vomitou golfadas de água e comprimidos mal digeridos.</div><div>Triologia Luis e Isabel</div><div>1ª Parte - <a href="http://manuelamaro.wixsite.com/autor/single-post/2010/05/12/Esperan%C3%A7a">Esperança</a></div><div>2ª Parte - <a href="http://manuelamaro.wixsite.com/autor/single-post/2015/5/11/Lu%C3%ADs-e-Isabel">Luis e Isabel</a></div><div>3ª e última parte <a href="http://manuelamaro.wixsite.com/autor/single-post/2016/12/28/Os-Anjos-T%C3%AAm-Olhos-Azuis">Os Anjos têm Olhos Azuis</a></div></div>]]></content:encoded></item><item><title>2016 Foi um ano fantástico</title><description><![CDATA[Este foi um ano confuso e agitado. O fantasma da guerra nuclear foi ressuscitado com as experiências da Coreia. O monstro terrorista assolou o mundo com atentados nunca vistos, como o de Burkina Faso, os atentados nos aeroportos de Bruxelas e de Istambul, ou os camiões de Nice e da feira de Natal de Berlim, passando pelo avião da Egyptair. Paralelamente, casos como o da discoteca gay onde um americano assassinou mais de 50 pessoas ou o assassinato do embaixador russo na Turquia, chocam-nos e<img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_d959e2cbf3584b83a733f38f2071d893%7Emv2.jpg"/>]]></description><dc:creator>Manuel Amaro Mendonça</dc:creator><link>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2016/12/26/2016-Foi-um-ano-fant%C3%A1stico</link><guid>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2016/12/26/2016-Foi-um-ano-fant%C3%A1stico</guid><pubDate>Mon, 26 Dec 2016 00:43:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><div>Este foi um ano confuso e agitado. O fantasma da guerra nuclear foi ressuscitado com as experiências da Coreia. O monstro terrorista assolou o mundo com atentados nunca vistos, como o de Burkina Faso, os atentados nos aeroportos de Bruxelas e de Istambul, ou os camiões de Nice e da feira de Natal de Berlim, passando pelo avião da Egyptair. Paralelamente, casos como o da discoteca gay onde um americano assassinou mais de 50 pessoas ou o assassinato do embaixador russo na Turquia, chocam-nos e aumentam as tensões existentes, sejam políticas, sociais ou religiosas. A guerra da Siria já se arrasta há cinco anos... Uma tentativa falhada de golpe de estado na Turquia redundou numa purga que ninguém sabe quando terminará e que está a levar à prisão de milhares de turcos. Os refugiados continuaram a naufragar nas costas europeias em busca de um futuro melhor, ou a morrer na tentativa.</div><div>O próprio planeta terra não precisa de ajuda no que toca a eliminar seres humanos e o sismo do Equador e o surto de virus Zica fizeram a sua quota parte de vítimas mortais e um desastre de avião leva uma equipa de futebol inteira no Brasil. </div><div>Desapareceram grandes vultos do mundo e de Portugal, como os cantores David Bowie, Prince, Leonard Cohen e George Michael e o ator Nicolau Breyner. Morreu também aquele que era o símbolo de Cuba e da resistência ao poder dos Estados Unidos, Fidel Castro. (Se quiserem consultar uma lista exaustiva sobre as grandes figuras que desapareceram durante o ano de 2016 podem fazê-lo na <a href="http://www.publico.pt/especial-2016/os-que-morreram">página do &quot;Público&quot;</a>.) </div><div>O escândalo dos Panama Papers, que tanta tinta têm feito correr, arriscam-se a ser mais uma triste prova que as montanhas podem parir ratos e gradualmente tudo vai sendo esquecido sem condenações ou prisões de maior.</div><div>A Inglaterra espantou o mundo com o seu brexit e ela própria está a ter dificuldade em digerir a sua decisão. A Europa agoniza numa crise que parece não ter fim e, completamente desnorteada, vota para que sejam aplicadas sanções ao nosso país.No Brasil, de boca aberta, assistiu-se à destituição de Dilma Roussef.A eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos da América, fez-nos fechar a boca e prender a respiração num: &quot;Como vai ser agora?&quot;</div><div>Também houve acontecimentos positivos e que nos dão alguma esperança: Para provar que o mundo está a mudar, o ainda presidente Barack Obama visitou Cuba e reatou as relações diplomáticas com o país interrompidas desde a célebre &quot;Crise dos Mísseis de Cuba&quot; quando o presidente americano era John F. Kenedy. Um inesperado e bem vindo acordo de paz na Colômbia vem pôr fim a anos de guerra entre o governo e as milícias FARC que tantos mortos causaram.</div><div>No nosso pequeno país, Marcelo Rebelo de Sousa vence as presidenciais com uma diferença de votos para os restantes candidatos como não se via há muito tempo. Foi inaugurado o túnel do Marão, na autoestrada A4, que simbolizou a quebra de uma grande barreira que separava trás os montes do resto do país. Se para lá do Marão continuam a mandar os que lá estão, tanto os de cá como os de lá podem movimentar-se de um lado para o outro com maior facilidade. Durão Barroso saiu da presidência da União Europeia e António Guterres tornou-se secretário-geral das Nações Unidas. </div><div>Não podemos esquecer que Portugal venceu a França na final do Euro 2016 em Paris e tornou-se campeão da Europa em futebol pela primeira vez na nossa história. Sara Moreira sagrou-se campeã da Europa na meia-maratona nos Europeus de Atletismo de Amesterdão. Jéssica Augusto conquistou o bronze e Patrícia Mamona é campeã europeia em Triplo Salto. Tsanko Arnaudov, búlgaro naturalizado português, conquistou a medalha de bronze no lançamento de peso. O ciclista português Ivo Oliveira foi o vice-campeão europeu em perseguição individual sub-23 e a selecção Portuguesa de hóquei em patins tornou-se também campeã europeia.</div><div>Também este vosso amigo, por entre todas as notícias que atrás vos referi, teve um ano fantástico, cheio de acontecimentos que o vão marcar para o resto da vida. Percam um bocadinho de tempo a relembrar cada um deles e, se quiserem saber mais pormenores, basta clicar na imagem correspondente.</div><div>De qualquer modo, percam ou não tempo a vê-los, é muito importante que saibam que o sucesso destas actividades a vocês o devo, que são a minha inspiração e o meu estímulo para escrever.</div><div>Desejo a todos uma passagem de ano maravilhosa e feliz e um 2017 cheio de bons acontecimentos, saúde e felicidade. Como eu costumo dizer: &quot;Que os que gostam de nós sejam abençoados e os que não gostam, iluminados!&quot; </div><div>Fevereiro</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_ca11f518f4174c3b96748d2c0de9e630.jpg"/><div>O conto &quot;Passagem de Ano&quot; foi seleccionado para a coletânea &quot;Labirintos da Mente&quot; da Papel D'Arroz Editora</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_86ce9856b5114449a43851e9a71c95ee.jpg"/><div>O conto &quot;O Assalto&quot; foi agraciado com o 1º prémio no sétimo concurso da Editora Papel D'Arroz com o tema &quot;Um Dia de Loucos&quot;</div><div>Março</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_80a1c99cf7b2483395b9c6705671b3bd.jpg"/><div>A revista online &quot;Divulga Escritor&quot; que dedica as suas páginas à divulgação dos autores lusófonos e as suas obras, publicou uma entrevista no âmbito do lançamento do meu livro de contos &quot;Terras de Xisto e Outras Histórias&quot; à venda desde Agosto de 2015.</div><div>O ISLA de Gaia, instituto superior que frequentei, não deixou passar a oportunidade de anunciar o prémio que me foi atribuído. </div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_37518a0d6664475185994a1a8576f8df.png"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_5f37a386553b4ba19996ad1d25affc03.jpeg"/><div>Abril</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_040eb313b4bf4694b6fcfefff9b3aa7f.jpg"/><div>No dia 20 de Abril, mais uma obra assinada por mim passa a fazer parte dos livros escritos em português disponíveis para o público.</div><div>&quot;Lágrimas no Rio&quot;, um romance passado numa aldeia transmontana no século XIX, começou a estar à venda em todos os sites da Amazon no mundo inteiro. </div><div>Maio</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_c38829517d0947d2892759f2b8b9d709~mv2.jpg"/><div>O conto &quot;Sorte Grande&quot; foi seleccionado para a colectânea &quot;Sexta Feira 13&quot; da editora Euedito/Suigeneris</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_89554d0e30464c54887d066f0aba629c.jpg"/><div>O conto &quot;Menina Bonita&quot; foi seleccionado para a colectânea &quot;Décadas&quot; da Editora Papel D'Arroz</div><div>Junho</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_25b6c632b47f4088ad9e3623fe090fdf~mv2_d_1240_1754_s_2.png"/><div>Em Junho foi-me dada a grande honra de apresentar o meu novo livro no auditório do ISLA de Gaia.</div><div>Na presença de várias dezenas de amigos e familiares, além de alguns dos meus antigos professores, foram apresentados o autor e a sua nova obra, além de um pequeno momento musical.</div><div>Julho</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_0620c13d699642c3813c179bab2171b6~mv2.jpg"/><div>O conto &quot;Montês&quot; foi seleccionado para a colectânea &quot;Saloios e Caipiras&quot; da editora Euedito/Suigeneris.</div><div>Setembro</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_d2c00f370c464900a8c4b7b1feff690f~mv2.jpg"/><div>Com o lançamento do novo livro &quot;Lágrimas no Rio&quot;, a revista &quot;Divulga Escritor&quot; tornou a honrar-me com algumas páginas dedicadas à nova obra, no âmbito de uma edição especial dedicada aos novos autores portugueses.</div><div>Outubro</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_abe9d2dd810948a7a695db4a5a3e6226~mv2_d_2480_3507_s_4_2.jpg"/><div>Em Outubro, a Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães honrou-me com um convite para a apresentação de &quot;Lágrimas no Rio&quot; aos habitantes de Carrazeda no âmbito do mês da Cultura e Património do Concelho.</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_28112528322c4e9f9a71fea33595db6b~mv2.jpg"/><div>O conto &quot;À Vista de Deus&quot; foi seleccionado para a colectânea &quot;A Bíblia dos Pecadores, os Três Testamentos&quot; da editora Euedito/Suigeneris</div><div>Dezembro</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_96477937d9904199b0c6b81694e0664c~mv2.jpg"/><div>Em Dezembro, a minha grande amiga e &quot;irmã das letras&quot; honrou-me convidando-me para dizer algumas palavras no lançamento do seu livro &quot;Almas Feridas&quot; </div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_629f04fcf5cf4895aea3b2bfc3e414e3~mv2.jpg"/><div>O Correio do Porto é uma revista digital independente do Porto (PT) e sobre o Porto (distrito). Conta histórias de vida (pessoas e coisas) de um mundo à parte (físico e noticioso) e concedeu-me uma página onde me fizeram algumas perguntas.</div><div>2016 foi mesmo um ano fantástico, venha 2017 e esperamos que seja ainda melhor.</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_d959e2cbf3584b83a733f38f2071d893~mv2.jpg"/></div>]]></content:encoded></item><item><title>Apresentação de &quot;Almas Feridas&quot; de Suzete Fraga</title><description><![CDATA[Foi no passado dia 11 de Dezembro que a autora Suzete Fraga fez o lançamento do seu primeiro livro "Almas Feridas" da editora Euedito/Suigeneris. A minha amizade com a Suzete não é muito antiga, mas desde os primeiros contactos que o nosso gosto pela escrita nos aproximou e a sua maneira de ser, franca e espontânea, fez o resto. Quando fiz as apresentações do meu último livro "Lágrimas no Rio" no ISLA em Vila Nova de Gaia em Junho e no CITICA de Carrazeda de Ansiães em Outubro, a sua presença<img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_7df6ddc472f04174a10ac01b4cdf1d93%7Emv2_d_1440_2560_s_2.jpg"/>]]></description><dc:creator>Manuel Amaro Mendonça</dc:creator><link>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2016/12/18/Apresenta%C3%A7%C3%A3o-de-Almas-Feridas-de-Suzete-Fraga</link><guid>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2016/12/18/Apresenta%C3%A7%C3%A3o-de-Almas-Feridas-de-Suzete-Fraga</guid><pubDate>Sun, 18 Dec 2016 22:16:55 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_7df6ddc472f04174a10ac01b4cdf1d93~mv2_d_1440_2560_s_2.jpg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_96477937d9904199b0c6b81694e0664c~mv2.jpg"/><div>Foi no passado dia 11 de Dezembro que a autora <a href="https://www.facebook.com/suzete.fraga">Suzete Fraga</a> fez o lançamento do seu primeiro livro &quot;Almas Feridas&quot; da editora Euedito/Suigeneris. A minha amizade com a Suzete não é muito antiga, mas desde os primeiros contactos que o nosso gosto pela escrita nos aproximou e a sua maneira de ser, franca e espontânea, fez o resto. Quando fiz as apresentações do meu último livro &quot;<a href="http://manuelamaro.wixsite.com/autor/lagrimas-no-rio">Lágrimas no Rio</a>&quot; no<a href="https://www.facebook.com/media/set/?set=a.10206961405215143&amp;type=1&amp;l=72b4860340">ISLA em Vila Nova de Gaia em Junho</a> e no <a href="https://www.facebook.com/media/set/?set=a.10207814298216935.1073741844.1279136272&amp;type=1&amp;l=49620493ad">CITICA de Carrazeda de Ansiães em Outubro</a>, a sua presença foi de uma mais valia e um orgulho inigualáveis, quer pelas palavras que teve a amabilidade de me dedicar, quer pelos sacrifícios a que se sujeitou para poder estar presente.</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_b2bcf01083d24bf989c223693a67b5f1~mv2.jpg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_d61cb126d5c2474ea721a01fad389561~mv2.jpg"/><div>Não há uma forma suficientemente capaz para agradecer a sua generosidade desinteressada, pelo que foi para mim uma honra que ela me tivesse convidado para dizer algumas palavras naquele que é um dos melhores dias da sua vida.</div><div>A apresentação decorreu num cenário de sonho, cheio de história, o <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Santu%C3%A1rio_de_Nossa_Senhora_do_Porto_de_Ave">Santuário de Nossa Senhora de Porto D'Ave na Póvoa de Lanhoso</a> e teve honras de casa cheia.</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_78812ba3d76c4249855d731c5690301b~mv2.jpg"/><div>Ali, através do grande número de amigos, família e, claro, admiradores, tivemos a possibilidade de comprovar o quanto a nossa Suzete é querida por todos.</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_6c776ca1dd144eac9d42665726c783e7~mv2.jpg"/><div>Tratou-se de um evento planeado ao pormenor, onde as capacidades de organização de <a href="https://www.facebook.com/vitor.manuel.5437">Vítor Macedo</a> e o apoio da Câmara Municipal, da Junta de Freguesia, do Grupo de Catequese e do professor Rafael e de Adelino Abreu foram inexcedíveis. Todos compareceram em peso.</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_d69092d4650942d3916bd32d17e6b4af~mv2.jpg"/><div>A sessão foi brilhantemente apresentada por <a href="https://www.facebook.com/daniel.mogas.758">Daniel Mogas</a> e teve a participação musical de vários jovens prometedores, Ricardo e Margarida Soares, Joana Magalhães e Gabriel Sousa.</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_5879298199df41bb9489ecd5cdcc5bea~mv2.jpg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_41ac62ff52c84f58b1449c5dba695890~mv2.jpg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_a4bfbf3cc14f427384f18986a5935452~mv2.jpg"/><div>Agora, se quiserem assistir ao video da minha intervenção no evento, é só clicar no video abaixo. </div><iframe src="https://www.youtube.com/embed/1wm2ZIBYT54"/><div>Não podia faltar o nosso amigo e irmão das letras <a href="https://www.facebook.com/jorgealexandresantos">Jorge Santos</a></div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_3c15e826a3a84d4c81f8b9b02a6df8ea~mv2.jpg"/><div>E também o escritor <a href="https://www.facebook.com/pages/Cunha-de-Leiradella/291520237669024">Cunha de Leiradella</a> (à direita na fotografia)</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_cbfc3b604cf343939f27dd3a050bf31f~mv2.jpg"/><div>Podem ver várias fotos do evento nesta <a href="https://www.facebook.com/media/set/?set=a.10208414046090257.1073741845.1279136272&amp;type=1&amp;l=6d9c9a2279">ligação</a></div><div>Suzete: Estamos à espera do próximo, felicidades!</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_b25d50f81065433890484868bd9b201d~mv2.jpg"/><div>Fotos:</div><div><a href="https://www.facebook.com/jorgealexandresantos">Jorge Santos</a></div><div><a href="https://www.facebook.com/delminamendonca">Delmina Mendonça</a></div></div>]]></content:encoded></item><item><title>Entrevista para &quot;Correio do Porto&quot;</title><description><![CDATA[O "Correio do Porto" é uma revista digital independente do Porto (PT) e sobre o Porto (distrito). Conta histórias de vida (pessoas e coisas) de um mundo à parte (físico e noticioso). Divulga notícias do outro mundo quando falarem do Porto. O Correio do Porto foi concebido para utilizadores com muitas horas de leitura (livros, revistas, jornais, banda desenhada, cartoons, postais, selos, cartazes, folhetos, catálogos, etc). É a geração do papel a navegar no mar digital.Recentemente, lançaram um<img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_629f04fcf5cf4895aea3b2bfc3e414e3%7Emv2.jpg"/>]]></description><dc:creator>Correio do Porto</dc:creator><link>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2016/12/15/Entrevista-para-Correio-do-Porto</link><guid>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2016/12/15/Entrevista-para-Correio-do-Porto</guid><pubDate>Thu, 15 Dec 2016 18:03:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_65e14860337d4a0fb5218a565c9fc7de~mv2.jpg"/><div>O &quot;<a href="http://www.correiodoporto.pt/">Correio do Porto</a>&quot; é uma revista digital independente do Porto (PT) e sobre o Porto (distrito). Conta histórias de vida (pessoas e coisas) de um mundo à parte (físico e noticioso). Divulga notícias do outro mundo quando falarem do Porto. O Correio do Porto foi concebido para utilizadores com muitas horas de leitura (livros, revistas, jornais, banda desenhada, cartoons, postais, selos, cartazes, folhetos, catálogos, etc). É a geração do papel a navegar no mar digital.</div><div>Recentemente, lançaram um desafio, aos leitores e simpatizantes, para que fossem enviados postais com pequenas histórias para serem publicadas numa homenagem ao pedaço de história que representam os postais trocados entre pessoas. No âmbito da minha participação nesse desafio, tiveram a amabilidade de me convidar a responder a algumas perguntas. O resultado dessa entrevista pode ser lido <a href="http://www.correiodoporto.pt/7-perguntas/sete-perguntas-a-manuel-amaro-mendonca">aqui</a>.</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_629f04fcf5cf4895aea3b2bfc3e414e3~mv2.jpg"/></div>]]></content:encoded></item><item><title>Discurso no lançamento de &quot;Almas Feridas&quot; de Suzete Fraga</title><description><![CDATA[Apresentação do livro “Almas Feridas” de Suzete Fraga11 de Dezembro de 2016Póvoa do LanhosoIntroduçãoÉ com muita alegria que estou aqui, neste evento, neste local fantástico, cheio de história, aquecido pelo carinho dos amigos e suportada pelas mais diversas instituições… não há dúvidas que a Suzete é mesmo uma mulher afortunada.É por isso também, pelo amor a esta nossa amiga, que aqui estou neste espaço recheado de história e também de arte. Vejam-se estes jovens intérpretes musicais<img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_1f8ef9ff33ff466382057e0192aa3c31%7Emv2.jpg"/>]]></description><dc:creator>Manuel Amaro Mendonça</dc:creator><link>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2016/12/29/Discurso-no-lan%C3%A7amento-de-Almas-Feridas-de-Suzete-Fraga</link><guid>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2016/12/29/Discurso-no-lan%C3%A7amento-de-Almas-Feridas-de-Suzete-Fraga</guid><pubDate>Sun, 11 Dec 2016 10:33:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_1f8ef9ff33ff466382057e0192aa3c31~mv2.jpg"/><div>Apresentação do livro “Almas Feridas” de Suzete Fraga</div><div>11 de Dezembro de 2016</div><div>Póvoa do Lanhoso</div><div>Introdução</div><div>É com muita alegria que estou aqui, neste evento, neste local fantástico, cheio de história, aquecido pelo carinho dos amigos e suportada pelas mais diversas instituições… não há dúvidas que a Suzete é mesmo uma mulher afortunada.</div><div>É por isso também, pelo amor a esta nossa amiga, que aqui estou neste espaço recheado de história e também de arte. Vejam-se estes jovens intérpretes musicais fantásticos, a pintura do meu lado direito e as letras do lado esquerdo… quase me sinto um penetra nesta sala.</div><div>Agora, depois de ouvir o meu amigo Daniel a tecer-me tantos elogios, sinto-me um pouco envergonhado por não ter a sua capacidade de improviso e precisar de um papel para ler umas poucas palavras sobre a minha amiga Suzete Fraga.</div><div>A autora Suzete Fraga</div><div>“As raparigas do Norte têm belezas perigosas, olhos impossíveis. Têm o ar de quem pertence a si própria.</div><div>Olham de frente. Pensam em tudo e dizem tudo o que pensam. Confiam, mas não dão confiança. Acho-as verdadeiras. Acredito nelas.</div><div>Gosto da vergonha delas, da maneira como coram quando se lhes fala e da maneira como podem puxar de um estalo ou de uma panela, quando se lhes falta ao respeito.</div><div>São mulheres que possuem; são mulheres que pertencem. As mulheres do Norte deveriam mandar neste país. Têm o ar de que sabem o que estão a fazer.”</div><div>Miguel Esteves Cardoso</div><div>Este pequeno excerto de um texto de Miguel Esteves Cardoso respeitante ao Norte de Portugal, assenta como uma luva na minha amiga Suzete, que penso estar a viver hoje um dos dias mais felizes da sua vida. O lançamento de um livro, deve ter o mesmo sabor que receber nos braços o filho acabado de nascer. E ela já pode falar destes dois casos por experiência própria.</div><div>Desde os nossos primeiros contactos, via Facebook, que parece ser o método natural de se conhecer as pessoas nos nossos dias, se gerou entre nós uma empatia e uma amizade que parece velha de anos. Filha do Minho, esta vimaranense tem o coração perto da boca e as suas palavras são sempre ditas com uma paixão contagiante, própria de quem acredita em si e nas suas capacidades. Põe todo o seu ser em tudo o que faz e por isso estamos aqui hoje a celebrar o lançamento do primeiro livro daquela a quem, com muito orgulho, chamo “irmã das letras”. Se por um lado ela se tornou admiradora dos meus trabalhos e não perde um livro nem um lançamento, por outro lado, a leitura de alguns dos seus escritos deixaram-me ansiando por este momento, onde finalmente deixaria que o mundo espreitasse sobre o seu ombro para ver a qualidade dos textos que saem da sua fértil imaginação.</div><div>Entre as várias coisas que sobressaem na escrita da Suzete, estão a forma como consegue fazer-nos sentir e reconhecer coisas do nosso dia-a-dia, às quais não deitamos importância, mas que fazem parte de nós e da “música de fundo” que acompanha o filme da nossa vida. No seu conto “Invisibilidade”, merecidamente escolhido para a coletânea “Caprichos e Virtudes” descreve aquela pessoa com quem nos cruzamos todos os dias, mas fingimos, ou não vemos de todo. Vou citar um pequeno excerto: “o seu passo apressado, engolia a solidão das bermas enquanto camuflava a própria solitude. Palmilhava as ruas da aldeia num incessante vaivém. Depois, a noite caía e só na madrugada seguinte voltaria a ser vista. Nunca ninguém lhe dedicava uns míseros minutos, a menos que precisassem de algum favor. Nunca lhe perguntavam como estava. Não fosse o barulho dos seus passos e seria completamente invisível”.</div><div>Os seus personagens são multifacetados e tão diferentes uns dos outros, como se dos diversos heterónimos de Pessoa se tratassem. Noutro dos seus contos, a protagonista é tão supereficiente como supertrapalhona e especialista em arranjar “bodes espiatórios” quando não consegue executar uma tarefa, que diga-se de sua justiça não lhe foi entregue atempadamente. Num outro, a triste realidade da violência doméstica é cruamente representada e a submissa esposa, alvo sucessivos anos de maus tratos e acusações infundadas, enche-se de coragem e toma finalmente uma atitude. Noutro ainda, uma jovem, vítima do assédio de um professor da “velha guarda” que agride os alunos e foi responsável pela desgraça de vários dos antigos pupilos, descarrega acusações e “cospe” o seu desprezo, numa carta cheia de palavras duras.</div><div>Todos estes trabalhos estão repletos de figuras de estilo e descrições de sentimentos capazes de nos fazer viver tudo o que os seus personagens sentem.</div><div>É a sensibilidade na observação destes pormenores e a forma como são descritos, que me fez perceber estar perante um sério caso de sucesso e prever que o “nascimento” do seu primeiro livro seria apenas uma questão de tempo e, principalmente, que este livro será apenas o primeiro, pois outros o seguirão.</div></div>]]></content:encoded></item><item><title>Uma Apresentação Fantástica</title><description><![CDATA[Foi no passado dia 2 de Outubro de 2016 que decorreu a segunda apresentação do livro "Lágrimas no Rio", à venda em todos os sites da Amazon em todo o mundo.A apresentação, que coincidiu com os seis meses de lançamento do livro, foi excelente, com direito até a bolo de (meio) aniversário!Aqui está o bolo de "Lágrimas no Rio" com a capa impressa e tudo!Tudo começou com uma entrevista! O Eduardo Pinto, da Rádio Ansiães, fez-me algumas perguntas sobre quem eu sou, o que estou ali a fazer e de que se<img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_ff1d8a5ddf484da488dd85cd98794d7c%7Emv2.jpg/v1/fill/w_626%2Ch_310/a84154_ff1d8a5ddf484da488dd85cd98794d7c%7Emv2.jpg"/>]]></description><dc:creator>Manuel Amaro Mendonça</dc:creator><link>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2016/10/06/Uma-Apresenta%C3%A7%C3%A3o-Fant%C3%A1stica</link><guid>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2016/10/06/Uma-Apresenta%C3%A7%C3%A3o-Fant%C3%A1stica</guid><pubDate>Thu, 06 Oct 2016 21:24:40 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><div>Foi no passado dia 2 de Outubro de 2016 que decorreu a segunda apresentação do livro &quot;<a href="http://manuelamaro.wixsite.com/autor/lagrimas-no-rio">Lágrimas no Rio</a>&quot;, à venda em todos os sites da <a href="https://www.amazon.es/s/ref=nb_sb_noss/252-3291511-6272854?__mk_es_ES=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&amp;url=search-alias%3Daps&amp;field-keywords=manuel+amaro+mendon%C3%A7a">Amazon</a> em todo o mundo.</div><div>A apresentação, que coincidiu com os seis meses de lançamento do livro, foi excelente, com direito até a bolo de (meio) aniversário!</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_ff1d8a5ddf484da488dd85cd98794d7c~mv2.jpg"/><div>Aqui está o bolo de &quot;<a href="http://manuelamaro.wixsite.com/autor/lagrimas-no-rio">Lágrimas no Rio</a>&quot; com a capa impressa e tudo!</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_730b851dca024fa58c1c0c2d1a00a609~mv2_d_5152_3864_s_4_2.jpg"/><div>Tudo começou com uma entrevista! O Eduardo Pinto, da Rádio Ansiães, fez-me algumas perguntas sobre quem eu sou, o que estou ali a fazer e de que se trata afinal o livro &quot;Lágrimas no Rio&quot;</div><div>A entrevista pode ser ouvida nesta <a href="http://www.radioansiaes.pt/notcias/apresentado-em-carrazeda-de-ansiaes-lagrimas-do-rio-o-novo-livro-de-manuel-mendonca.html">ligação da Rádio Ansiães</a></div><div>Depois, foi uma sala cheia! Vieram amigos de Matosinhos, de Vila Nova de Gaia, de Guimarães e de Porto D'Ave para ouvir falar de &quot;Lágrimas no Rio&quot;. Infelizmente havia poucos carrazedenses, as vindimas roubaram-me protagonismo.</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_e644645b576d4b6c84c4081f56e2717d~mv2_d_5152_3864_s_4_2.jpg"/><div>O meu irmão Luís, que tem o dom da palavra, esteve a &quot;amaciar&quot; a audiência.</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_6e44b71fe6294ff9bbfa5df4164185b0~mv2.jpg"/><div>A minha grande amiga Suzete Fraga, também ela escritora a aguardar o lançamento do seu livro, não faltou à chamada uma vez mais e não deixou de comparecer com a sua jovialidade e simpatia.</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_8bdd9eb3173a46dfbc3c804363100061~mv2.jpg"/><div>Também a minha sobrinha Beatriz se tornou obrigatória, com a sua voz suave e doce, a encantar-nos com algumas canções.</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_9fbdd638dbec4a20a5b44d6791f73609~mv2_d_1600_1200_s_2.jpg"/><div>A simpática presença do vereador Roberto Lopes, foi uma excelente adição a esta mesa. </div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_79a08c2f9a7b41b68f1161a571acb0f8~mv2.jpg"/><div>No fim, todos pareciam satisfeitos com cerca de uma hora de sessão a ouvir falar do autor e do seu último livro. ( Será que estavam era aliviados?)</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_db71f89e9d7149dc98678ecfd19b48d1~mv2.jpg"/><div> No fim, uma sessão de autógrafos e fotografias com todos. Até os mais jovens querem um livro autografado.</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_1cbd810f9ba0406ab11a304633e3a7df~mv2_d_5152_3864_s_4_2.jpg"/><div>Quando será a próxima apresentação?</div></div>]]></content:encoded></item><item><title>Nova entrevista em &quot;Divulga Escritor&quot;</title><description><![CDATA[Depois da entrevista no inicio de 2016 acerca de "Terras de Xisto e Outras Histórias", a revista Divulga Escritor, publica nova entrevista, desta vez sobre o meu novo livro "Lágrimas no Rio".Escritor Manuel Amaro Mendonça, é um prazer contarmos mais uma vez com a sua participação na Revista Divulga Escritor. Depois do sucesso com o livro de contos «Terras de Xisto e Outras Histórias», publicou um romance. O que o motivou a escrever «Lágrimas no Rio»? Manuel Amaro - Antes de mais, muito obrigado<img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_d2c00f370c464900a8c4b7b1feff690f%7Emv2.jpg/v1/fill/w_626%2Ch_470/a84154_d2c00f370c464900a8c4b7b1feff690f%7Emv2.jpg"/>]]></description><dc:creator>Revista Divulga Escritor</dc:creator><link>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2016/09/21/Nova-entrevista-em-Divulga-Escritor</link><guid>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2016/09/21/Nova-entrevista-em-Divulga-Escritor</guid><pubDate>Wed, 21 Sep 2016 22:18:07 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_d2c00f370c464900a8c4b7b1feff690f~mv2.jpg"/><div>Depois da<a href="http://manuelamaro.wixsite.com/autor/single-post/2016/03/05/Entrevista-com-o-autor-Manuel-Amaro-Mendon%C3%A7aSite-Divulga-Escritor">entrevista no inicio de 2016 acerca de &quot;Terras de Xisto e Outras Histórias</a>&quot;, a revista Divulga Escritor, publica nova entrevista, desta vez sobre o meu novo livro &quot;<a href="http://manuelamaro.wixsite.com/autor/lagrimas-no-rio">Lágrimas no Rio</a>&quot;.</div><div>Escritor Manuel Amaro Mendonça, é um prazer contarmos mais uma vez com a sua participação na Revista Divulga Escritor. Depois do sucesso com o livro de contos «Terras de Xisto e Outras Histórias», publicou um romance. O que o motivou a escrever «Lágrimas no Rio»? Manuel Amaro - Antes de mais, muito obrigado por mais esta oportunidade para falar um pouco sobre o meu trabalho. É uma honra poder participar na vossa revista que tanto faz pela divulgação dos autores. «Terras de Xisto e Outras Histórias» já continha um conto baseado num espaço/tempo que me fascina, que são o século XIX e a região transmontana. Sendo «Terras de Xisto» um livro de contos, «Lágrimas no Rio» começou, também ele, por ser imaginado como um conto a ser incluído num próximo livro, mas a criação do enredo mostrou-me que havia tanto para contar, que acabaria por dar origem a uma obra desequilibrada, com uma das histórias a ocupar 95% do livro. Foi nessa altura que me decidi arriscar numa aventura e levar os leitores, numa viagem alargada, a conhecerem os habitantes da fictícia São Cristóvão do Covelo e a viver comigo os dramas passados nas margens do Douro.</div><div>Leia a entrevista na integra no site da revista <a href="http://www.divulgaescritor.com/products/manuel-amaro-mendonca-autor-de-lagrimas-no-rio-entrevistado/">Divulga Escritor</a></div></div>]]></content:encoded></item><item><title>&quot;Lágrimas no Rio&quot; vai a Carrazeda de Ansiães</title><description><![CDATA[A convite da Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães e no âmbito do mês da Cultura e Património, vai decorrer no próximo dia 2 de Outubro de 2016 pelas 16:00h, uma sessão de apresentação do livro "Lágrimas no Rio" de Manuel Amaro Mendonça.Vai ser um prazer imenso poder apresentar o livro que se inspirou nas paisagens dos vales do Tua e do Douro às gentes transmontanas cujas personalidades serviram para modelar os seus personagens.São Cristóvão do Covelo, a localidade em que se passa a acção, é<img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_97f9c920b027449584f9b37c7442a900%7Emv2.jpg/v1/fill/w_626%2Ch_376/a84154_97f9c920b027449584f9b37c7442a900%7Emv2.jpg"/>]]></description><dc:creator>Manuel Amaro Mendonça</dc:creator><link>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2016/09/20/L%C3%A1grimas-no-Rio-vai-a-Carrazeda-de-Ansi%C3%A3es</link><guid>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2016/09/20/L%C3%A1grimas-no-Rio-vai-a-Carrazeda-de-Ansi%C3%A3es</guid><pubDate>Tue, 20 Sep 2016 14:32:49 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_97f9c920b027449584f9b37c7442a900~mv2.jpg"/><div>A convite da Câmara Municipal de <a href="http://www.cm-carrazedadeansiaes.pt/">Carrazeda de Ansiães</a> e no âmbito do mês da Cultura e Património, vai decorrer no próximo dia 2 de Outubro de 2016 pelas 16:00h, uma sessão de apresentação do livro &quot;<a href="http://manuelamaro.wixsite.com/autor/lagrimas-no-rio">Lágrimas no Rio</a>&quot; de Manuel Amaro Mendonça.</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_141c98cf131040c399ceadb76ed7d924~mv2.jpg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_c8a1fd0a5b744cdf91278672d71e3211.jpg"/><div>Vai ser um prazer imenso poder apresentar o livro que se inspirou nas paisagens dos vales do Tua e do Douro às gentes transmontanas cujas personalidades serviram para modelar os seus personagens.</div><div>São Cristóvão do Covelo, a localidade em que se passa a acção, é uma freguesia imaginária do Concelho de Carrazeda de Ansiães que foi baseada em duas das suas aldeias: Tralhariz e Foz-Tua. Quase se pode dizer que este livro regressa à terra onde nasceu.</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_274a2680377244bc9842110deb893e5d~mv2_d_3264_2448_s_4_2.jpg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_75bb6db3f73649399a66c7646b868b86~mv2.jpg"/><div>Foz-Tua</div><div>Tralhariz</div><div>Não deixem de assistir a esta apresentação e de visitar a bela vila de Carrazeda de Ansiães e o vasto património espalhado pelo Concelho. Utilize o link abaixo para obter direcções.</div><div>Nota: O trajecto actual em automóvel entre o Porto e Carrazeda de Ansiães, passando pelo recentemente inaugurado túnel do Marão, leva cerca de uma hora e meia. (A4 e IC5)</div><div><a href="http://www.cm-carrazedadeansiaes.pt/pages/99">Como chegar a Carrazeda de Ansiães</a></div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_aae04191b9f243a7bc1ad19a9e0a5853~mv2.jpg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_1fcdbe54e0674b60a77662f6d775fe9d~mv2.jpg"/></div>]]></content:encoded></item><item><title>A Caminhada</title><description><![CDATA[Exausto, foi com grande alívio, que o octogenário se deixou cair no banco de jardim, na entrada do parque. Aquelas caminhadas custavam-lhe cada vez mais e, pelos vistos, demoravam cada vez mais. Estava a começar a anoitecer. Fez um esforço para recordar a que horas saíra de casa, mas não se lembrava. Deixou-se ficar um pouco a restaurar as energias… noutros tempos, achava ele que não há muito, faria todo aquele percurso a correr e quase sem transpirar, mas agora… como se pusera naquele estado?<img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_6804e42e2a78442293fdcfeef4f3d1b6%7Emv2.jpg/v1/fill/w_526%2Ch_350/a84154_6804e42e2a78442293fdcfeef4f3d1b6%7Emv2.jpg"/>]]></description><dc:creator>Manuel Amaro Mendonça</dc:creator><link>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2016/07/19/A-Caminhada</link><guid>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2016/07/19/A-Caminhada</guid><pubDate>Tue, 19 Jul 2016 22:44:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_6804e42e2a78442293fdcfeef4f3d1b6~mv2.jpg"/><div>Exausto, foi com grande alívio, que o octogenário se deixou cair no banco de jardim, na entrada do parque. Aquelas caminhadas custavam-lhe cada vez mais e, pelos vistos, demoravam cada vez mais. Estava a começar a anoitecer. Fez um esforço para recordar a que horas saíra de casa, mas não se lembrava. Deixou-se ficar um pouco a restaurar as energias… noutros tempos, achava ele que não há muito, faria todo aquele percurso a correr e quase sem transpirar, mas agora… como se pusera naquele estado? Olhou com curiosidade os sapatos de quarto, empoeirados, como se os visse pela primeira vez; os seus pés estavam “gordos” e o calçado parecia querer rebentar. Não admira que estivesse cansado! A arrastar umas “patas” daquelas… Tinha que fazer um regime, pensou de si para si, recuperar a forma, só pode ser pelas banhas, olha só que “patas”, tornou.  Recostou-se e esticou preguiçosamente os braços pelas costas do banco, enquanto apreciava o trânsito barulhento e apressado. O seu olhar fixou-se no enorme edifício na esquina. Não se recordava de ter sido derrubada a padaria e já lá estava um prédio de uns sete andares, pronto e habitado! Não há duvida que tudo agora é construído a uma velocidade estonteante! Uma carrinha branca imobilizou-se ao pé do edifício e descarregou dois fardos de jornais, antes de arrancar em grande velocidade. Estranhou a distribuição do jornal tão tardia, normalmente acontecia de madrugada. Está tudo tão diferente… ainda se recordava do sinaleiro, luvas e capacete branco a gerir o transito naquela esquina, antes da sua substituição pelo semáforo, que empoleiraram muito alto, mesmo no meio do cruzamento. Não foi assim há muito tempo… mas também o semáforo lá não está, foi substituído por um conjunto de colunas, cada esquina sua, com o seu próprio conjunto de luzes… de certeza que fora feito para a autarquia ajudar a enriquecer um qualquer fabricante amigo. Sorriu com a sua própria “má língua”. - Bom dia! - A voz masculina sobressaltou-o, fazendo-o descobrir a seu lado o jovem polícia que o mirava com curiosidade. - Boa tarde! - Corrigiu-o. - O senhor está bem? - O agente perguntou. - Eu? Sim, estou! E você? - Ele não estava a perceber a razão da abordagem. - Eu também estou, obrigado! - O polícia endireitou-se com um sorriso e afastou-se, num passo curto para a berma da rua. Pegou no telemóvel e fez uma chamada. Ele olhou de lado para o agente que regressava, sempre sorridente. - Posso perguntar-lhe o seu nome? - O jovem voltava à carga. - Posso saber porquê? - Respondeu na defensiva. - E o seu, qual é? - Peço desculpa pela minha falta de maneiras. - A boa educação do polícia começava a ser irritante. - Meu nome é Meireles! - E eu sou obrigado a dizer-lhe o meu? - Agora estava a ser deliberadamente insolente. - Não, claro que não. Não está a fazer nada de mal. - O jovem exibiu um rosto triste. - Era simples curiosidade. - A minha mãe dizia que a curiosidade matou o gato! - Atirou com um ar de triunfo, voltando o rosto para o lado, indicando que acabara ali a conversa. - Tenha uma boa tarde! - Um bom dia, quer o senhor dizer! - O rapaz era insistente. - Ainda é de madrugada, o sol está a nascer agora. - Apontou para as silhuetas dos prédios onde um clarão parecia querer sobrepor-se às trevas. - Madrugada? - O rosto dele tornou-se uma máscara de espanto, a que horas saíra de casa? Quanto tempo caminhara? De onde viera? Um pequeno Opel Corsa parou bruscamente ao lado do passeio onde os dois se encontraram. Outro jovem, este à civil, correu para eles e olhou-o nos olhos, preocupado. Já eram dois de volta dele, que estava naquele estado de confusão… começava a ficar assustado, quando o recém chegado disse finalmente, numa voz estrangulada: - Pai! Graças a Deus! Andamos a noite inteira à tua procura!</div></div>]]></content:encoded></item><item><title>Coletânea &quot;Saloios e Caipiras&quot;</title><description><![CDATA[*** Mais uma participação aceite numa coletânea.De: LIVROS SUI GENERIS <livros.suigeneris@gmail.com> Data: 8 de julho de 2016 às 21:39 Assunto: Re: SAL 022 Manuel Amaro 1 Texto (Montês) Para: Manuel Amaro <manuel.amaro@gmail.com> Boa noite, Manuel AmaroTenho o prazer de comunicar que o seu texto com o títuloMontêsfoi seleccionado para integrar a antologia «SALOIOS & CAIPIRAS», que será publicada na Colecção Sui Generis com a chancela da EuEdito.Obrigada por ter participado neste grandioso<img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_0620c13d699642c3813c179bab2171b6%7Emv2.jpg/v1/fill/w_626%2Ch_395/a84154_0620c13d699642c3813c179bab2171b6%7Emv2.jpg"/>]]></description><dc:creator>Euedito / Suigeneris</dc:creator><link>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2016/07/08/Colet%C3%A2nea-Saloios-e-Caipiras</link><guid>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2016/07/08/Colet%C3%A2nea-Saloios-e-Caipiras</guid><pubDate>Fri, 08 Jul 2016 16:02:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_0620c13d699642c3813c179bab2171b6~mv2.jpg"/><div>*** Mais uma participação aceite numa coletânea.</div><div>De: LIVROS SUI GENERIS &lt;livros.suigeneris@gmail.com&gt; Data: 8 de julho de 2016 às 21:39 Assunto: Re: SAL 022 Manuel Amaro 1 Texto (Montês) Para: Manuel Amaro &lt;manuel.amaro@gmail.com&gt;</div><div>Boa noite, Manuel Amaro</div><div>Tenho o prazer de comunicar que o seu texto com o título</div><div><a href="http://manuelamaro.wix.com/autor#!Montês/th2f5/576beb1d0cf27c385a746989">Montês</a></div><div>foi seleccionado para integrar a antologia «SALOIOS &amp; CAIPIRAS», que será publicada na Colecção Sui Generis com a chancela da EuEdito.</div><div>Obrigada por ter participado neste grandioso projecto.</div><div>Foram seleccionados textos em prosa e poesia de 27 autores lusófonos – acrescentando textos de minha autoria e, também, do Organizador, teremos 29 Autores a integrarem «Saloios &amp; Caipiras».</div><div>A relação completa dos Autores seleccionados já se encontra divulgada nos blogues De Lírios ( http://isidelirios.blogspot.pt ) e Edições Sui Generis ( http://letras-suigeneris.blogspot.pt ) e, também, nas redes sociais.</div><div>Continuaremos a dar notícias durante todo o processo de produção e edição desta obra colectiva.</div><div>Contamos ter a antologia «Saloios &amp; Caipiras» finalizada e pronta a ser impressa a partir do mês de Agosto.</div></div>]]></content:encoded></item><item><title>Salvo</title><description><![CDATA[Mariano Bento olhou o céu, de agitadas nuvens escuras, enquanto apressava o passo. Calcorreava o caminho que ia de Alijó a Sanfins, naqueles últimos dias do mês de setembro. Pela arreata, levava a sua mula cor de carvão, a Sedosa, com abundante carregamento de tecidos que lhe encomendaram entregar. Bem que Acindina, sua mulher, lhe disse várias vezes que não saísse hoje, que se avizinhava tempestade, mas ele podia lá deixar que ela lhe desse ordens? Ainda para mais, à frente do Manel do Telheiro<img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_e43522fc56c34246bf492810bb1fc4c5%7Emv2.jpg/v1/fill/w_251%2Ch_334/a84154_e43522fc56c34246bf492810bb1fc4c5%7Emv2.jpg"/>]]></description><dc:creator>Manuel Amaro Mendonça</dc:creator><link>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2016/06/28/Salvo</link><guid>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2016/06/28/Salvo</guid><pubDate>Tue, 28 Jun 2016 00:03:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_e43522fc56c34246bf492810bb1fc4c5~mv2.jpg"/><div>Mariano Bento olhou o céu, de agitadas nuvens escuras, enquanto apressava o passo. Calcorreava o caminho que ia de Alijó a Sanfins, naqueles últimos dias do mês de setembro. Pela arreata, levava a sua mula cor de carvão, a Sedosa, com abundante carregamento de tecidos que lhe encomendaram entregar. Bem que Acindina, sua mulher, lhe disse várias vezes que não saísse hoje, que se avizinhava tempestade, mas ele podia lá deixar que ela lhe desse ordens? Ainda para mais, à frente do Manel do Telheiro e do Quim de Ribatua? Excomungada mulher, que tem sempre que dar uma opinião, mesmo que ninguém lha pedisse. Ele próprio estava para recusar fazer o trabalho naquele dia… agora estava ali, a meio caminho entre um sítio e o outro, com o céu a fazer caretas cada vez mais medonhas, o vento a uivar e o eco longínquo, mas ameaçador, dos trovões. Ele até nem era ganancioso, embora o dinheiro que ganhará com este transporte lhe faça falta. Se bem se recordava do trajeto, não estava longe, bastaria passar o maciço do monte da Senhora da Piedade, e Sanfins seria logo a seguir. Do alto do caminho ascendente, olhou com pena os casebres, a poucas centenas de metros do sopé do monte. Pensou se não deveria reconsiderar e abrigar-se por lá à espera que o tempo melhorasse. As rabanadas de vento, obrigaram-no a segurar o chapéu, cujas abas drapejavam perigosamente. Já embrenhado na mata de sobreiros e castanheiros, que cobria o imponente monte, o céu parecia escurecer ainda mais e, apesar de serem pouco mais que 17:00h, a luz desvanecia-se e parecia que a noite caíra rapidamente. A Sedosa, quiçá mais inteligente que o dono, a espaços fincava as patas na terra dura do caminho e não se queria mover. Só depois de alguns puxões e a ameaça da chibata, erguida alto sobre os olhos, é que se deixava convencer a dar mais umas passadas. Também Bento se sentia mais preocupado agora, bem no coração do monte, com os altos ramos a esbracejar furiosamente, para o demover do caminho que tomava. Parou a olhar o céu e uma grossa pinga caiu-lhe sobre a testa. Depois outra e outra. Num instante, uma chuva torrencial abatia-se sem contemplações sobre a dupla, que se arrastava miseravelmente sobre o chão enlameado. Ao longe, escutava-se o toque de um sino empurrado pelo vento. “Deve ser a ermida da senhora da Piedade.” Pensou de si para si enquanto dava nova mirada para trás. Nada se via a não ser o caminho ladeado por árvores que desaparecia no escuro. “Estará muito longe, a ermida? Fica no topo do monte, bem sei, mas com certeza terá um telheiro, ou alguma sorte de abrigo.” Hesitou ao notar um carreiro estreito, ascendente, à sua esquerda. Possivelmente um atalho para a ermida. O monte deve estar cheio deles, para os romeiros e os peregrinos que vêm de toda a região. Entrou no carreiro, puxando a mula atrás de si. A chuva e o vento não davam tréguas e, para ajudar, as nuvens negras que escureciam o céu, eram iluminadas de tempos a tempos por flashes que se repercutiam em longínquos trovões. A Sedosa estava próximo do pânico absoluto, quando eles desembocaram numa clareira sem saída. O carreiro não levava a lado nenhum, embora o fraco tinir do sino parecesse mais perto. A cavalgadura resfolegava e batia os cascos nervosamente.  A chuva que conseguia passar pelos ramos das árvores, batia com força no rosto, as horas passavam-se e, com as nuvens tão cerradas, em breve seria noite escura. Resolveu voltar ao caminho, de onde não deveria ter saído. Teve que puxar várias vezes a arreata para que o teimoso animal, de olhos esbugalhados e narinas dilatadas, o seguisse. Rápido percebeu que não estava no trilho correto e viu-se numa área com várias paredes em socalcos, possivelmente de um vinha abandonada. Mais à frente, havia um pequeno casebre. Seria o local para se abrigar e se calhar passar a noite. Como naquele sitio a densidade das árvores era menor, ele conseguiu divisar o teto de nuvens revoltas e foi nesse momento que um enorme raio cruzou o céu. Por longos segundos, tudo ficou iluminado com uma luz branca cegante, logo diluída nas trevas. No mesmo minuto um portentoso trovão estrondeou na montanha, ensurdecendo a dupla. Foi demais para a pobre mula que, com um apavorado coice, projetou Bento num tombo rodopiante, pelas velhas paredes cheias de cotos de vinhas mortas, antes de fugir desenfreada. Não sabe quanto tempo esteve ali caído, mas despertou, cheio de dores no corpo e na cabeça, com um ruído estranho. Já era noite e a chuva parara. Sentou-se, dolorosamente e escutou uma vez mais o som que o despertara, um rosnar ameaçador; um lobo, com os pelos do dorso eriçados, enfrentava-o a poucos metros. Conseguia ainda divisar o brilho dos olhos de mais uns quantos. Percebeu que a sua hora chegara. Mesmo que conseguisse salvar-se contra um deles, não tinha qualquer hipótese contra a alcateia. Involuntariamente, vendo os restantes quatro predadores abandonando as sombras, uma prece saiu espontânea dos seus lábios trementes: - Oh minha Senhora da Piedade, acudi a este pecador nesta hora de aflição, não deixeis que morra aqui nos dentes destas feras. Ergueu-se cautelosamente, empunhando um bocado de uma videira e procurou colocar-se de forma a dificultar o salto que o mais próximo dos animais preparava. De repente, a atitude dos lobos pareceu alterar-se e, mesmo o mais próximo, passou de uma posição de ataque para outra de hesitação. Por fim, resolveu virar costas ao seu “jantar” e desatou a fugir, seguido de perto pelo resto da alcateia. Atónito, Bento não percebia o que estava a acontecer e olhou para trás para descobrir uma jovem e pálida mulher. Os cabelos negros, estavam caídos sobre os ombros, tapados por um longo vestido azul que não deixava ver os pés. Empunhava um varapau com uma mão e uma tocha flamejante na outra. Ele deixou-se cair de joelhos e de rosto em terra. Não podia ser outra, senão a resposta à sua prece! A mulher segurou-o por um braço e obrigou-o a erguer-se. De perto, era ainda mais bela. Ele tentou balbuciar um aparvalhado agradecimento, mas ela, exibiu um sorriso maravilhoso, que pareceu tornar a noite em dia e pousou um dos seus delicados dedos sobre os seus lábios. Obedientemente, deixou-se guiar até uma gruta formada por um enorme bloco de granito aparentemente suportado por duas contorcidas oliveiras de aspeto centenário. Todas as árvores em redor eram também oliveiras, muito velhas, envoltas em mato e silvas. A senhora apontou-lhe o fundo da pala e fez um gesto, com as duas mãos debaixo do rosto, indicando que deveria descansar ali. Em seguida, com a tocha que empunhava, acendeu o molho de gravetos à entrada da gruta. Hesitante, ele obedeceu e contornou a aconchegante fogueira, sentando-se numa fofa capa de folhas secas. Tentou agradecer novamente mas, uma vez mais, aquele sorriso desarmante deixou-o sem fala e ela repetiu o gesto de silêncio completando-o com outro, com a palma da mão voltada para baixo, indicando que esperasse. Depois, voltou-lhe as costas afastando-se silenciosamente ainda com o varapau e a tocha. Ele ficou, imóvel, a ver a luz bruxuleante a desaparecer nas trevas. O tempo passou-se e ela não voltava. Bento, aquecido pela fogueira, atenuados o medo e as dores da queda, acabou por adormecer na cama de eremita. Já tinha nascido o sol quando acordou. O céu continuava coberto de nuvens e um nevoeiro denso escapava-se do chão atapetado por séculos de folhas. A fogueira apagara-se e não havia sinal da mulher que o salvara, que não podia ser outra senão a Senhora da Piedade que era venerada na ermida no cume daquela serra. Ergueu-se, com as pernas trementes, esperando, mas ao mesmo tempo temendo, encontrar a mulher. Percebeu então, aos seus pés, um saco de lona de aspeto bastante usado. Pegou-lhe e abriu-o; tinha um punhado de bolotas de ouro maciço! Ficou estarrecido e pousou o saco onde estava, vendo então que havia um outro em tudo igual, mesmo ao lado. Abriu-o e estava meio de figos, apetitosos figos, que o seu estômago, que não comia nada desde o meio da manhã do dia anterior, reclamou. Ficou-se sem saber o que fazer, mas, por fim, a fome mandou mais forte. Pegou uma mão cheia de figos, não todos e fechou novamente o saco. Colocou-os no bolso e saiu da gruta a mastigar um deles. Vagueou em volta mas não viu ninguém, nem vestígios da passagem de quem quer que seja no olival abandonado onde se encontrava. Acabou por achar o caminho de onde se perdera na tarde anterior e tomou a direção que achava ser a de Sanfins. Tinha um aspeto miserável, com o rosto cortado e com sangue seco em vários sítios, nódoas negras e roupas rasgadas. Comeu mais um figo, que pareceu dar-lhe alento e apercebeu-se que estava já a sair da parte mais densa da mata e o caminho iniciava um declive suave no sentido descendente. Abandonou a proteção das árvores e contemplou o enorme vale que se estendia à sua frente, meio encoberto pelo nevoeiro baixo. Mais ao fundo, no caminho que o levaria à povoação, viu dois homens que traziam pela arreata a sua mula Sedosa. Quase correu para junto dos homens. - Oh, Deus seja louvado! - Exclamou, felicíssimo a afagar o focinho do animal. - Encontraram a minha Sedosa! - Muito obrigado aos senhores! - Deus dê um santo dia a vosmecê! - Saudou o homem mais velho com um sorriso. - Porque a noite não deve ter sido nada boa, da forma como está “embuldrigado”! - Eu não disse “ca” mula vinha da serra, pai? - Perguntou o mais novo. - Oh, sim, espantou-se ontem à tarde, com a trovoada! - Explicou Bento. - “Amandou-me” com um coice aqui do lado, que é de admirar não me ter “arrebentado” as costelas! - Ontem, pela noitinha, demos por ela a pastar lá à porta, percebemos que devia haver alguém em trabalhos, mas a serra não é um bom lugar para se andar à noite. - Continuou o mais novo. - Guardamos para ver o que se passava agora pela manhã. - Ainda bem que o bom Deus olhou por vosmecê. Andam coisas muito estranhas por esta serra à noite, ninguém gosta de ser apanhado por lá! - Afirmou o mais velho. - Pois vosmecês não querem saber que ia sendo comido por lobos? O homem mais velho benzeu-se enquanto o mais novo arregalou os olhos e perguntou: - Atacaram vosmecê? E morderam-no? - Não, Deus seja louvado! Pedi ajuda à Senhora da Piedade e não querem saber que uma mulher com um varapau e um archote correu com os lobos? Os dois estranhos olharam-se com expressões de incredulidade. - Juro! Não sou nenhum “aldrúbias”, nem “borrachão”! - Exclamou Bento. - E… apareceu a Nossa Senhora? - O mais velho fez uma careta. - Pois, quando ela apareceu, também pensei que sim. Era muito bonita, com cabelos compridos e um vestido azul. Mas ela não me deixou ajoelhar e levou-me para uma pala para descansar. Ao fim e ao cabo, “tiranto” aparecer não sei de onde, não fez nenhum milagre, os lobos fugiram foi da tocha que trazia! - Levou-o para uma pala, diz? - Perguntou o mais novo com uma expressão de desconfiança. - Sim! - Bento foi convicto. - Achou-me no meio de umas vinhas velhas e levou-me para uma pala ao pé de um olival abandonado. - A pala da moira! - Exclamaram o velho e o novo em uníssono! - Moira? Qual moira? - Como era a mulher que viu vosmecê? - Interrogou o velho. - Muito branca, cabelos pretos e um vestido comprido azul! Levou-me para uma pala onde tinha um saco de figos. - Figos! - Riu-se o mais novo. - Não há figueiras umas boas léguas em redor! - Que demónio… - Bento perdeu a paciência e mergulhou a mão no bolso. - Vejam, ainda aqui trago alguns! - Mas a mão estava preta de carvão e o que ele segurava eram apenas algumas pedras pretas que atirou para o chão. - Que m** é esta?!? Os dois estranhos soltaram uma gargalhada. - “Caçoais” de mim?!? Estou a dizer-vos! Foi uma mulher que vive na serra que me ajudou! Ainda há pouco comi um dos figos que estavam na pala! - Escute, amigo! - O mais velho parou de rir e explicou. - Não vive ninguém nesse monte! Lá para cima, há umas vinhas e olivais muito “intigos” que dizem que eram dum rei mouro que aí vivia com a filha e que foram mortos pelos cristãos. As ruínas do castelo, nunca ninguém as achou, embora se diga que a ermida foi construída nas suas fundações. O que é certo, é que acontecem coisas muito estranhas nesse monte e é por isso que ninguém gosta de andar por lá, se o puder evitar. Contam-se histórias de gente que achou muito ouro, mas nunca conseguiu sair do monte... - Mas eu...  - … por isso, bom homem, - Continuou o velho. - se está vivo, de saúde e recuperou os seus pertences também, dê Graças a Deus e deixe o que aconteceu entre vosmecê e Ele. Por mim, fico “sastisfeito” que esteja “bô” e que possa seguir a sua vida. Se precisar de alguma coisa, pergunte pelo Quim Moleiro, vivemos mesmo ali à entrada de Sanfins. E com isto, sem aguardar resposta, deixaram-no com a mula e afastaram-se a conversar um com o outro. Obrigado… - Bento agradeceu, quase distraidamente, enquanto olhava para o chão, para o local onde atirara as pedras negras, que antes eram figos… e que agora eram bolotas de oiro.</div></div>]]></content:encoded></item><item><title>Montês</title><description><![CDATA[Era o fim de uma tarde quente de agosto, quando Benedito chegou a Santiago. Estava coberto de pó, com as roupas remendadas, as socas de madeira penduradas num varapau que trazia ao ombro e os pés descalços. Ninguém tinha dúvidas que umas boas léguas endureciam aquelas solas calejadas que pousava ritmicamente na calçada. O seu tamanho, uma cabeça acima da média, chamava a atenção e as pessoas que se cruzavam com ele não conseguiam deixar de deitar um segundo olhar, assim que o tinham pelas<img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_3cd973d767534b098a7482325f2208fe%7Emv2.jpg/v1/fill/w_376%2Ch_342/a84154_3cd973d767534b098a7482325f2208fe%7Emv2.jpg"/>]]></description><dc:creator>Manuel Amaro Mendonça</dc:creator><link>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2016/06/06/Mont%C3%AAs</link><guid>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2016/06/06/Mont%C3%AAs</guid><pubDate>Mon, 06 Jun 2016 13:56:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_3cd973d767534b098a7482325f2208fe~mv2.jpg"/><div>Era o fim de uma tarde quente de agosto, quando Benedito chegou a Santiago. Estava coberto de pó, com as roupas remendadas, as socas de madeira penduradas num varapau que trazia ao ombro e os pés descalços. Ninguém tinha dúvidas que umas boas léguas endureciam aquelas solas calejadas que pousava ritmicamente na calçada. O seu tamanho, uma cabeça acima da média, chamava a atenção e as pessoas que se cruzavam com ele não conseguiam deixar de deitar um segundo olhar, assim que o tinham pelas costas. Pelo seu rosto de tez morena e de barba rala, via-se que era ainda um jovem na casa do vinte e poucos anos.  Foi olhando com curiosidade os edifícios de vários tamanhos que ladeavam a rua que ligava Viana do Castelo ao Porto. Na passagem pelo terreiro arborizado de uma feira, onde dezenas de tendas e barracos e carroças, mais ou menos alinhados, aguardavam o dia seguinte, viu que alguns comerciantes afadigavam-se ainda a terminar a montagem dos estabelecimentos. – Santas tardes! - Saudou Benedito a um vendedor de tecidos que bufava ao puxar as cordas que prendiam a lona que cobria a carroça. O homem parou de puxar para olhar o recém chegado, medinodo-o de alto abaixo. – Sim? - Perguntou desconfiado. - Que queres, rapaz? – Vosmecê precisa de ajuda com a tenda… em troca de umas poucas moedas… – Não, não, não! Some-te! Não quero ninguém aqui a rondar! Vai pedir para outro lado! - O homem voltou-lhe as costas. – Mas eu não ando a pedir. - Benedito insistiu, ofendido. - Só quero que me dê dinheiro em troca de trabalho. – Já te disse que não te quero aqui, “labrosca, chispa”! - O comerciante, bastante encorpado, largou a corda e pegou num varapau ao mesmo tempo que se voltava para ele. Benedito olhou o homem de alto a baixo, mas não empunhou o seu próprio varapau, embora lhe passasse pela cabeça dar uma ensinadela ao mal educado. Acabou por encolher os ombros e virar-lhe as costas. Decididamente, não tinha sorte com os comerciantes; ou eram estúpidos e malcriados, como este, ou simples ladrões, como outros que bem conhecia… O estômago roncou de fome e ele tirou uma moeda do bolso, a sua única moeda. Vinte reis, um mísero vintém, toda a sua fortuna! Mirou-a de ambos os lados; não chegava para nada, pouco mais que um litro de vinho, mas para comer que era bom,,. Devolveu-a ao bolso e abandonou o terreiro da feira onde a mistura de cheiros a pão, sardinhas e bacalhau assados começava a ser dolorosa. Caminhou pela rua, uma enorme reta que se estendia por cerca de meia légua antes de desaparecer numa curva suave. As casas iam sendo menos imponentes à medida que se afastava do largo e as pessoas começavam a ser cada vez menos, apressadas, com a aproximação da hora da ceia. Um pachorrento carro puxado por bois, transportava quatro barulhentos rapazolas que conversavam e riam alto. Mais à frente, outro carro, mais pequeno e puxado por um burro esquálido, transportava cântaros. Um homem, de boina basca e fartas barbas, entregava um dos cântaros numa casa. – Compre-me uma sardinha, vizinho! - A voz feminina, trémula, mas estridente, fê-lo estremecer. Uma velha, num corredor estreito entre as casas à sua direita, abanava duas sardinhas pousadas nas brasas. - Só tenho estas duas… - Desculpou-se ela. Ele olhou a velha, tão maltrapilha como ele e conseguiu divisar ao fundo do corredor as tábuas de um barraco. O cheiro das sardinhas impôs-se através do estômago que roncava. – Quanto custa? - Perguntou olhando a velha nos olhos. – Dézreis! - Ela salivou ao mesmo tempo que respondeu. - As duas! – Vosmecê parece-me que tem fome também… - Ele sorriu. – Oh, se tenho meu senhor, mas estou a juntar o dinheiro que posso para pagar ao médico que venha “pori” ver o meu marido. Está doente vai p’ra mais de um mês e não há meio de poder ir trabalhar… já gastamos o pouco que tínhamos aforrado. - O rosto sujo transformou-se numa máscara de dor e as lágrimas vieram-lhe aos olhos. - Desculpe, senhor, desculpe, leve as sardinhitas, leve. Dê-me lá “désreizitos”. Pôs a mão ao bolso e olhou, desconsolado, para a moeda de vinte reis. A velha observava-o, com os cabelos prateados e despenteados a saírem do lenço da cabeça. Olhou a velha novamente e perguntou: – Tem “praí” uma côdea? Ela, percebendo pela moeda acobreada que precisava de compensar o valor, revolveu os bolsos do avental sujo e tirou um naco de pão de milho, que exibiu. – Tire lá as sardinhas antes que fiquem torresmos e parta esse pão em dois. Ponha uma sardinha em cada. - Comandou ele. A velha obedeceu em gestos rápidos e, num instante, tinha as duas sardinhas em fatias de pão e estendia a mão vazia, à espera da paga. Benedito tornou a olhar a moeda com desalento, mas lá a pousou na mão suja da mulher, recebendo em troca os pequenos peixes. – Não. - Disse ele. - Dê-me só uma. A outra come-a vosmecê, se calhar precisa mais que eu! – Oh, não, meu senhor, não tenho trocado para lhe dar. - A velha recusou com um olhar implorante. – Não quero troco! - Explicou o jovem. - Se Deus quiser, lá hei-de arranjar mais umas moedas em qualquer banda. Coma e que lhe saiba bem! – Meu senhor! - A mulher não queria acreditar no que ouvia. - Que o bom Deus o cubra de bênçãos! - Ela agarrou a mão dele e tentou beija-la, embora ele a tenha tirado prontamente. – Coma, boa senhora, se vosmecê ficar doente também, então ninguém vos pode valer. Coma! Não se fazendo mais rogada, a mulher “atacou” aquele pequeno consolo para o estômago e, com a boca cheia, prometeu: – Não tenho nada, meu senhor, mas o nada que tenho é de vosmecê! Se não encontrar onde dormir, venha aqui! Meu nome é Emerenciana e há-de arranjar-se pelo menos uma enxerga, uma manta e um lugar à lareira, já que a comida não há. Diga-me a sua graça, para saber quem é o meu benfeitor. – Obrigado, senhora. Meu nome é Benedito. Sem mais, ele afastou-se do local, debicando a pequena sardinha, com a ponta dos dedos, para que tardasse a acabar. Aproximava-se de uma taberna, facilmente reconhecível pelo ramo de loureiro pendurado na porta. Ouviam-se vozes alteradas vindas do interior e, no preciso momento que vai a passar em frente à porta, saiu um vulto “desgovernado”. Chocaram violentamente e rolaram no chão, desamparados. Ato contínuo, saíram da taberna outros dois homens, furiosos, que se atiraram ao que o derrubara. Algumas pessoas assomaram às janelas e portas para apreciarem o “espetáculo”. O próprio taberneiro, um homem gordíssimo, de enormes mãos sapudas, ficou à porta a assistir, sorrindo e trincando calmamente um palito. Benedito ergueu-se e olhou incrédulo para toda a assistência. Ninguém “mexia uma palha” para ajudar o desgraçado debaixo de socos e pontapés. – EH! - Gritou o jovem, batendo com o varapau numa lage do chão. - Parem com isso! Os agressores pararam para o olhar, embora um deles não largasse o pescoço da vítima que continuava no chão. O próprio agredido ficou surpreso. – Que queres tu, ò “fraldiqueiro”? - Interrogou o que parecia mais velho, de punhos cerrados. - Não te metas nisto, se não queres que te “moa o canastro”! – Pois, coragem não vos falta, dois a bater num… - Benedito desafiou. – Querem lá ver o “canalho”… - Com isto, o homem avançou para o rapaz que, num gesto gracioso, rodou o varapau sobre a barriga de uma das pernas do agressor, fazendo-o cair de costas com a cabeça no chão. – No lugar de vosmecê, deixava-me ficar “quêdo”! - O jovem avisou, quando o homem se levantou a esfregar a cabeça. - A próxima não vai para as pernas! O outro agressor bateu com a cabeça da vitima no chão e pôs-se ao lado do companheiro. Benedito agarrou o varapau por uma ponta e pousou a outra extremidade no chão, entre ele e os outros dois, em guarda. O homem mais velho tirou uma faca da cintura e fê-la reluzir ameaçadoramente. – Tens a certeza que te queres meter nisto, rapazola? Isto não é da tua conta. - Falou o mais novo exibindo também uma faca. O agredido, percebendo que a única hipótese era alinhar com o inesperado paladino, correu para junto do jovem e colocou-se a seu lado, empunhando uma pedra. Benedito sorriu-lhe e piscou um olho. O homem, aparentando uns trinta anos, sangrava do nariz e da boca. Os agressores começaram a afastar-se um do outro, para atacarem simultaneamente dos dois lados, no entanto, o jovem não lhes deu tempo e, no momento seguinte, uma varada estoirou na mão da faca do homem mais velho e outra de imediato na cara do mais novo. Nova varada entre as pernas do primeiro e uma outra nas costas do segundo. Ambos ficaram de joelhos. – E agora? - Benedito acenava a ponta do varapau próximo do rosto arroxeado do mais novo. - Alombas com o teu “compincha” e ides “impeçar” a vida para outro lado? Ou tenho que “amandar” mais “barduadas”? Sem uma palavra, sem sequer levantar os olhos, o mais jovem ajudou o companheiro a erguer-se e começaram a afastar-se. O mais velho tentou ainda apanhar a faca do chão, mas o bordão polido bateu, num aviso, ao lado da arma. O homem deitou um olhar venenoso a Benedito antes de acrescentar para a sua vítima: – Isto não fica assim, Tino! “Emos de falar” outra vez, não perdes por esperar! Os dois meliantes afastam-se, a amparar-se mutuamente, mas toda a audiência se manteve. Era muita a curiosidade por este forasteiro que se desenvencilhara daqueles dois com tanta facilidade.  – Meu grande amigo! - O chamado Tino estendeu a mão num cumprimento. - Foi o bom Deus que pôs vosmecê no meu caminho! Meu nome é Faustino e, a partir desta hora, um seu criado para sempre! – Não podia deixar dois “manhuços” baterem num “home”! - O jovem riu-se, mostrando os dentes grandes, mas certos, enquanto permitia que a sua mão fosse apertada e sacudida com energia. - Chamo-me Benedito. – Um homem honrado e corajoso, ao contrário deste bando de badamecos! - Faustino abarcou, num gesto amplo a audiência, expectante. - Ainda há gente boa neste mundo sem Deus! Vários insultos, em voz mais ou menos alta, acompanharam o bater de portas e janelas da assistência que se cansara de repente do espetáculo. – É por isso que depois “comes nas ventas”! - Sentenciou a voz forte e arranhada de bagaço do taberneiro. – Também tu, João! - Faustino acusou, voltando-se para o taberneiro. - Não fizeste nada para me ajudar, bandalho! – Olha lá…! - Admoestou o visado. - Não sei o que fizeste àqueles dois… coisa boa não foi! De resto, o que me interessa é que não “esborracem” as mobílias cá dentro. - E com esta declaração regressou ao estabelecimento. – Este pedaço de asno… - Faustino desabafou, incrédulo, para Benedito. - Que posso fazer pelo meu amigo? Posso pagar um copo da zurrapa que o João chama vinho? É o mínimo que posso fazer! – Obrigado, mas não há nada a pagar! - O jovem fez um sorriso desconsolado ao ver, a pequena sardinha e o pão esborrachados no chão. - Pena foi a minha ceia… – Oh meu bom amigo! - Faustino seguiu o olhar do seu salvador e exibiu um largo sorriso com os dentes ensanguentados. - Ninguém poderá dizer que eu não reconheço os amigos! Venha comigo, vamos aqui merendar alguma coisa. Por favor, é um gosto que me faz! Embora hesitante, o jovem deixou-se empurrar para o interior da taberna pelo outro, que antes de entrar recolheu as duas facas abandonadas no chão. O estabelecimento, se assim se podia chamar, não passava de uma divisão de paredes escuras, sem janelas, com duas mesas de bancos corridos e um balcão sebento atrás do qual se escudava a figura enorme do João taberneiro. A única luz, era proveniente das portas, uma de cada lado e quatro velas num candelabro metálico de cor indefinida. O cheiro a vinho e fritos enchia todo o ambiente. – João! - Ordenou Faustino com importância. - “Traze daí” meia dúzia daquelas coisas a que chamas iscas de bacalhau sem vergonha nenhuma. E bota cá um caneco do teu tinto “augado”. Este meu amigo tem que ter uma ceia de digna de um rei. – Está-me cá a parecer que as pancadas fizeram-te mal à mioleira. Não te chegaram as que “comeste” já e tás a pedir que te ponha lá fora com um chuto nos fundilhos? - Rosnou o taberneiro antes de gritar para a porta das traseiras. - Piedade! “Traze-me” cá um prato de iscas! Com isto, o enorme homem tirou uma caneca de madeira debaixo do balcão e desapareceu pela porta das traseiras. Pelo mesmo sitio, surgiu uma jovem de cabelos compridos escuros transportando um prato de iscas. – Vou “verter águas”. - Anunciou Faustino levantando-se e dirigindo-se também para as traseiras. - Vá comendo! Força!. A rapariga aproximou-se da mesa e pousou dois canecos de barro e um prato de madeira com seis “patelas” de massa frita. – Você foi muito valente! - A jovem voltou os olhos castanhos e brilhantes para o sorridente Benedito, enquanto a sua voz melodiosa formulava o aviso. - Aqueles homens são gente rija… e perigosos. Trabalham na casa dos leões, tenha cuidado com eles. – Piedade! - Gritou o taberneiro regressado ao estabelecimento. - Chispa daqui! Já te disse que não te quero de volta dos clientes! Tão depressa como apareceu, assim desapareceu a rapariga sem dar tempo a qualquer resposta. João bateu com força, com a caneca de barro vermelho, no tampo da mesa, fazendo saltar vários respingos de vinho enquanto fitava o jovem com ar zangado. – Eh João, deixa o rapaz! - Pediu Faustino ao reocupar o seu lugar à mesa. - Não vês que ele é novo aqui? – Pois é novo, é! - O homem continuava a fita-lo ameaçadoramente. - Com varapau ou não, eu que o veja a rondar a minha filha, que lhe parto as pernas. – Eu não fiz nada! Não sei porque está “praí assim inraivado”. - Exclamou Benedito, sem se deixar intimidar. João voltou-lhes as costas e afastou-se, bufando, para trás do balcão. – Cuidado com o João “chebola” no que toca à filha. - Segredou Faustino. - A mulher fugiu-lhe há uns anos e deixou-o com ela. Já deu aí umas tareias por causa de se meterem com a cachopa. – Que estais aí a “cuscar”? - Tornou o vozeirão. - Comam e bebam, paguem e chispem daqui! – Queres uma das facas daqueles paspalhos? - Ignorando o taberneiro, Faustino pôs as facas em cima da mesa, enquanto pegava numa das iscas e a mordia com vontade. – Não. Acho que não. - Benedito recusou, depois de pegar numa delas e a pousar outra vez. - Não gosto de facas. Já não é a primeira vez que vêm para mim com elas e acabam sempre com a cabeça partida. Por maiores que sejam! - Com esta afirmação, espreitou para o balcão sobre a cabeça do companheiro. João continuava a olha-los ameaçadoramente. – E tu, João? Quanto me dás pelas facas? - Faustino voltou-se para trás. – Eu bem digo que as pancadas te fizeram mal. Achas que te ficava com essa bosta? Não quero problemas com aqueles dois! Tu não és boa rês, mas aqueles, não sei se não serão pior. Aí o teu amigo “montês” que se cuide. - Respondeu o visado. – Montês? - Resmungou Benedito com a boca cheia da terceira isca. – Sim, montês! Ou julgas que não conheço o falar dos do lado de lá dos montes? - João mostrou os dentes amarelos num riso que mais parecia um esgar. - Ou vais dizer que não és “praí” de Vila Real ou assim? – Ou assim! - Confirmou ironicamente depois de engolir de um trago um caneco de vinho e antes de atacar nova isca. – És montanhês? Ena! - Exclamou Faustino olhando o rapaz e fitando depois o prato quase vazio. - Credo, em cruz, homem, que estás cá com uma “larica”… Piedade entrou com uma vassoura de palha e começou a varrer o chão em volta do pai e alargando-se para fora do balcão lenta e disfarçadamente. – Já saí da terra há quase um ano. - Benedito explicou depois de novo copo. - Tenho andado a trabalhar aqui e além para ganhar uns cobres. Quero ir para o Porto! – Oras. - Faustino fez uma expressão de desprezo. - Que queres lá ir tu “cheirar”? – Vou arranjar um trabalho para ganhar algum e ver se tenho uma vida com menos maus tratos e mais dinheiro! - A última isca desapareceu do prato, e do mundo, em três trincadelas. – Vais para o Porto arranjar menos maus tratos e mais dinheiro? - João soltou uma gargalhada. - Mais depressa vais parar a uma valeta morto de fome ou por uma facada de outro ainda mais miserável que tu! – Morto de fome já eu ando! - Lambeu os dedos e bebeu outro copo. - “Inda” juntei uns “guitos” durante a viagem, mas ali em Penafiel, trabalhei umas semanas para um correeiro em troca de uns cobres e um desconto numas botas. O “moncoso”, filho de uma p** “rodelheira”, assim que se viu servido, recebeu o dinheiro das botas e expulsou-me de lá debaixo de pau. Dele e dos filhos. – Eu não disse?!? - O taberneiro riu-se. – E não vingaste a afronta? - Faustino mostrou-se zangado. – Como podia? Fui fazer queixa ao regedor e ele disse-me que fosse embora, que os estranhos não eram bem-vindos por ali. Se continuasse, punha-me nos calabouços! – Filho de uma égua! - João continuava a rir-se apesar de revoltado. - Os cabrões dos regedores são todos iguais! Deixa-te ficar por cá rapaz. Amanhã é feira grande aí, no Souto. Arranjas trabalho por lá de certeza! – Já estive lá. Falei com um tendeiro e ele foi uma boa besta! – Os tendeiros? Claro que são umas bestas… e os taberneiros, então? - Faustino soltou uma risada. – Bem, rapaz, ouve o meu conselho! - Disse João, ignorando a provocação. - Não dou muitos, por isso até devias pagar por ele; amanhã é a “feira dos moços” e estão por aí os capatazes e os patrões das quintas daqui da região atrás de moços para trabalhar. Podes arranjar-te por aí! Se fores bom trabalhador, podes ter futuro e escapar de ser um pedinte a vida toda, ou um “bardamerda” como esse que tens aí ao pé. – É isso que queres fazer da vida? - Perguntou Faustino. - Cavar, vindimar e chafurdar na m** das vacas? Vem comigo que eu vou fazer-te uma proposta. Piedade, que já tinha dado duas voltas a varrer o mesmo espaço, estava agora por trás de Faustino e, de olhos esbugalhados, acenou negativamente de forma rápida e o mais disfarçada que conseguiu. Benedito olhou curiosamente para ela e depois para o seu companheiro.  – E agora, deixem aí cinquenta reis e ponham-se a andar! - João ordenou. - Vou ver se como alguma coisa também eu. Piedade! Já “pra” dentro! – Meio tostão?!? Queres ganha-lo todo num dia, judeu? Arre… - Gemeu Faustino erguendo-se e pondo as moedas na mesa. – Arre tu, sua alimária! Chispem daqui, antes que vos encha o lombo de pauladas! Benedito foi o primeiro a sair. Faustino e João trocavam imprecações bem dispostas dentro da taberna. Ele ouviu que o chamavam de uma pequena grade rente ao chão. Reconheceu o rosto de Piedade. – Que me queres rapariga? - Perguntou ele olhando de soslaio para a porta. - Queres arranjar-me algum “refustedo” com o teu pai? – Não! - Sussurrou ela da pequena janela da cave da casa. - É só para te avisar, não confies nesse Faustino! Ele é um bandido! – Bandido? – Sim, é assaltante! Tem um bando! Tenho que ir! Se o meu pai me “pilha” aqui… - E com isto desapareceu no escuro. O jovem ergueu-se no preciso momento em que o companheiro passava a porta e ele pôs-se a olhar o céu, distraidamente. A luz do dia principiava a esmorecer, mas o céu vermelho dizia-lhe que amanhã teriam outro dia de muito calor. – Meu caro amigo Benedito. - Faustino pôs-lhe uma mão nas costas. - Agora vamos conversar sobre o seu futuro. Embora desconfiado, o jovem deixou-se guiar pela rua enquanto o companheiro expunha os perigos da cidade, as dificuldades em arranjar trabalho e a vida dura e sem futuro que era a de “moço de lavoura”. Abandonaram a rua principal por uma pequena viela que terminava num muro derrubado. Sem hesitar, Faustino saltou sobre as pedras e desembocou numa área livre de casas. Caminhou pelo trilho calcado na erva alta que conduzia a um grupo de edifícios em ruínas. Fez-lhe sinal que o seguisse. Entraram no que restava de um palheiro. O telhado ainda segurava a maior parte da chuva, se a houvesse e o chão estava atapetado por palha amarela e bem seca. Ao fundo havia grande quantidade de fardos ainda intactos. – Acho que não tens onde dormir esta noite, pois não? - Perguntou Faustino, abrindo os braços para lhe mostrar toda a envolvente. - Queres melhor estalagem? E de graça? – É aqui que vives? – Por agora, sim. Quando me “carregar”, mudo de poiso. - Exibiu a dentadura onde se notavam algumas cáries. – Então… se não trabalhas… onde arranjas o dinheiro? - Benedito fez a pergunta fulcral. – Primeiro vou apresentar-te os meus amigos. - A estas palavras, dois homens saíram detrás dos fardos de palha. Um, tão alto como Benedito, embora mais gordo e outro um pouco mais baixo e magro, de cabelos loiros e barbicha fina. - Aquela bisarma que ali está, é o Zé Racha-fragas, é um às no varapau, como tu, e o outro, é o Manel Setepilas. - Com este epíteto soltou uma gargalhada. - Se tens irmã, mulher ou mãe por perto, cuida-te! Aqui o Manel não lhe escapa uma! – Quem é a visita? - Quis saber a voz forte do Zé. – É o meu novo amigo; Benedito, o Montês! - Apresentou Faustino. – Montês? - Manel riu-se. - Como as cabras? – Não, como os montanheses! - Faustino apertou o braço a Benedito ao ver a expressão de desagrado dele. - Este homem salvou-me de uma boa “malha” hoje. Haviam de o ver a usar o varapau! Pôs o João Maltês e o Chico Viana em respeito e mandou-os embora com o rabo entre as pernas. O Chico ficou com uma boa “roxa” nas ventas e o Maltês… bem. a Rita vai sentir-lhe a falta hoje. - Soltou uma sonora gargalhada. - E tudo, porque vocês, suas bestas, não vieram à tasca do “Chebola”. – Fizeram-te uma espera? - Quis saber Zé. - Eu disse-te que temos que apertar o gasganete àqueles dois. Ou tratar-lhes da saúde de uma vez por todas! – Bem! - Atalhou Faustino. - Já não interessa! Veremos o caso deles noutro dia. Agora, eu trouxe o nosso novo amigo para dormir aqui, que não tem onde ficar esta noite. Os outros dois olharam-se, duvidosos. A noite estava quente. Faustino veio, para longe da palha, fumar um cigarro à porta do palheiro. O roncar ritmado dos companheiros acompanhou-o. Benedito estava cá fora, deitado numas pedras, a olhar a lua pálida que iluminava como dia. Aproximou-se do jovem enquanto enrolava o tabaco na mortalha. Ofereceu-lho, mas ele recusou. Colocou-o na boca e acendeu-o tirando uma longa e fumacenta passa. – A pensar na vida? - Sorriu-lhe numa baforada. – Sim! A pensar no que fiz dela. Deixei os meus pais e os meus irmãos, porque estava cansado de trabalhar como um galego. O meu pai só queria trabalho, ou a resposta era o coiro do cinto. Trabalhávamos de sol a sol na serração, ou perdidos nos montes a pastar as cabras, a mungi-las, a ir de porta em porta a vender o leite. – Vida dura… – Sim, é certo, mas nunca passei fome na vida… até ao dia em que saí de casa. Desde então, trabalho na mesma como um galego e ainda me roubam o pouco que ganho. Até os ciganos têm melhor vida… – Era por isso que estava a pensar em falar contigo… – … a tal proposta. - Benedito sentou-se de frente para ele. Faustino ocupou um dos lados da pedra mas não enfrentou o olhar do companheiro. Ficou a olhar a lua a expelir fumo lentamente. – Sim, a proposta. Já reparaste que, apesar do desprezo que tenho pelo trabalho, tenho dinheiro? Algum, pelo menos? – Mas todas as pessoas honradas têm de trabalhar. - Benedito soou ácido. – Não é desprezo pelo trabalho, também eu já fui assalariado, é pelas pessoas para quem se trabalha. Pelos malditos que sugam o nosso suor! Tratam-nos como escravos e o pouco que pagam, acham sempre que é demais. Mas os comerciantes, esses são os piores! Sanguessugas que vão chupar todos os tostões e vinténs que conseguires ganhar. No fim, dão-te um chuto nos fundilhos e chamam-te miserável. – Por isso – Abreviou Benedito. - não trabalhas. Mas “quem cabritos vende e cabras não tem, de algum lado lhe vem”. Como ganhas a vida então? – Fazendo aquilo que nos fazem a nós, sempre que podem. Vamos atrás dos tendeiros que circulam entre as feiras e “aliviamo-los” um pouco da sua carga. Ficaram ambos calados. Um morcego voava repetidamente à volta do telhado do palheiro, o grilar de dezenas de grilos ecoava na noite sublinhando o silêncio dos dois. – És um salteador! - Concluiu o jovem. – Sim, pelo menos durante algum tempo… até ganhar o suficiente para ter uma vida melhor. – Vives num palheiro em ruínas. – Será apenas mais algum tempo. Já tenho uma boa maquia guardada, em breve posso deixar-me desta vida e arranjar mulher e casa! – A tua proposta é essa? Uma vida de salteador? – Pensa assim; agora não tens um vintém… ofereço-te maneira de amanhã à noite teres quinhentos, quem sabe, mil reis! – Mil reis! - Benedito escandalizou-se. - Quem tem esse dinheiro? – Para teres esse dinheiro, só terias que nos acompanhar amanhã, depois da feira. Ficarás sem fala com os sacos de moedas de cobre e prata que alguns tendeiros trazem com eles. Benedito tornou a ficar em silêncio a perguntar à lua, se era esse o seu destino. Se o seu futuro estava embuçado numa esquina sombria à espera de um almocreve incauto. Ergueu-se e olhou uma vez mais para Faustino, de cima para baixo. – É uma decisão muito complicada para se tomar assim. Graças a ti, tenho o estômago forrado como já não tinha há uns dias. Estou-te muito agradecido, mas não tenho a certeza de ser essa a vida que quero. Ainda que por pouco tempo. Além do trabalho e das porradas, os meus pais ensinaram-me uma honradez muito diferente dessa que aí me falas. Vou descansar um pouco enquanto penso. – Também eu estou agradecido pelo que fizeste por mim. Apesar de só nos conhecermos hoje, já consigo perceber que és um homem leal, capaz de dar a vida por um amigo. Por isso te falei desta maneira tão sincera e estou disposto a dividir contigo os frutos que colhermos. Vai dormir, sim, vamos ambos dormir! Faustino ofereceu-lhe um sorriso triste, antes que ele se voltasse e desaparecesse no escuro do palheiro. No outro dia de manhã, o sol estava alto quando Benedito se levantou da sua cama de palhas e veio ao exterior lavar a cara num pipo destapado onde caía a água das chuvas. Faustino estava sentado na mesma pedra onde estivera ontem. Poderia dizer-se que passara toda a noite ali. – Santa manhã! - Benedito cumprimentou o pensativo companheiro. – Bom dia. - Respondeu o outro de forma arrastada. – Onde estão os outros? – Na feira! Foram logo que nasceu o sol. Antes do dia findar, já o Racha-fragas bebeu umas canecas, partiu outras tantas… algumas na cabeça dos que não se conseguiram esquivar. E o Manel Setepilas também já fez jus ao seu nome com a filha de algum feirante e se calhar com a mulher também. - Fez um sorriso pensativo. - E tu? Vais à feira, também? – Sim, vou... – … e vais voltar? – Não, acho que não. - Benedito olhou Faustino nos olhos. - Agradeço a tua oferta, sinto-me honrado com a tua confiança! – Enfim. Se mudares de ideias, sabes onde me encontras. Pega para ti! - Estendeu a mão com três moedas de cem reis. - Não vais à feira sem dinheiro! – Porque me dás isso? Não fiz nada por ti, a ajuda, já a pagaste na taberna, foste meu amigo e deixaste-me dormir aqui, em segurança. – É por isso mesmo! Por amizade. Sinto que nos conhecemos há muitos anos. E tenho muito prazer em ajudar um amigo, por isso, se te faz feliz, considera-o um empréstimo. Para ganhares esses três tostões numa quinta, precisas “praí” de três dias. Se um dia estiveres a viver bem, podes tornar-me o dinheiro. Benedito hesitou ainda um pouco, mas acabou por estender a mão e aceitar as três moedas de prata. Regressou à rua principal e dirigiu-se ao largo onde estivera no dia anterior. Centenas de pessoas caminhavam em ambos os sentidos, roupas novas, ou pouco remendadas, sapatos novos ou socos polidos, via-se bem que era dia de feira! Qualquer um ali, mesmo o mais maltrapilho, estava mais bem vestido que ele. Até as lavadeiras, descalças e com as enormes trouxas de roupa à cabeça, vestiam limpo. Mas agora, com trezentos reis, talvez conseguisse comprar uma roupita melhor. Caminhou decidido, evitando os dejetos dos bois e dos cavalos que pejavam o chão. Era normal, com o tráfego de cavalos e carros de bois que havia por ali… percebia que já estava bem próximo de uma grande cidade.  Ao passar na viela da Emerenciana, viu um homem extremamente magro, apoiado num pau, a subir com dificuldade o pequeno degrau da entrada. Observou-o enquanto ele tossia fracamente, sem forças. Engoliu em seco e aproximou-se do homem quando ele recuperava o fôlego. – Santa manhã. - Saudou. – Santa manhã para vosmecê também. - O velho respondeu apoiando-se na parede. – Por acaso vosmecê não será o “home” da senhora Emerenciana? – Sim, sou eu. E que lhe quer? Ela está para a feira, a ver se vende uns “ovitos”. – Não preciso de falar com ela. - O jovem meteu a mão ao bolso e exibiu um dos tostões de prata. - É para entregar à sua senhora, diga-lhe por favor que os negócios correram bem ao Benedito. – Este dinheiro é para ela?!? - A mão do homem tremia ao receber a moeda. - Cem reis?!? – Sim senhor! E diga-lhe que a sardinha estava muito boa! Obrigado e as melhoras! Rejuvenescido, o jovem caminhou a passos largos para a feira, debaixo do olhar incrédulo do velho. Este não conseguia perceber que negócio aquele maltrapilho podia ter com a sua mulher, que rendesse tal dinheiro. Por seu lado, Benedito gostava de poder ajudar mais aquela gente… mas a sua “riqueza” temporária não o permitia. Passeou pela feira, apreciou as loiças, às centenas, expostas em humildes prateleiras de madeira, ou simplesmente pousadas no chão sobre palha. Viu as frutas, as hortaliças, os peixes, as carnes salgadas ou fumadas, tanta variedade, tanta fartura, o dinheiro que a maior parte das pessoas podia dispor é que era pouco. Escondeu-se, assim que viu Emerenciana com um cesto de ovos debaixo do braço, a sua modéstia não lhe permitia ir vangloriar-se do seu feito. Chegou às tendas das roupas e estava a apreciar um fato preto, com chapéu braguês de feltro, quando ouviu ralhar uma voz conhecida: – Foge-me da frente, excomungado! - Gritava a voz de bagaço nasalada. - “Alevanta-me” aí as cordas das selas do chão, antes que te “arrebente” de porradas! Vitório, seu canastrão! Como podia esquecer a voz do bandido que o roubou em Penafiel? Olhou para a tenda cercada de peças de couro, que iam desde simples cordões para as botas, até elaboradas selas de montar. Botas, botins e sapatos, coletes e casacos… quantas daquelas peças lhe passaram pelas mãos… até aquelas botas pagas e não entregues. Escondeu-se quando viu um dos filhos, o gordo Vitório, a erguer um barrote onde estavam expostas várias selas. Eram eles, não restavam dúvidas! Acariciou o varapau pensativamente, assim sem contarem, aviava umas varadas em cada um e fugia dali… mas com certeza alguém haveria de o agarrar… ou correr mais do que ele, descalço. Acabaria por “dar com o lombo no calabouço”. Abandonou a feira a passos largos e regressou ao palheiro arruinado. Faustino sorriu assim que se apercebeu da chegada do amigo. – Já de volta? Já gastaste tudo? – Vou aceitar a tua proposta! - Anunciou solenemente. - Mas eu é que escolho os cabrões que vão ser roubados hoje!</div></div>]]></content:encoded></item><item><title>Sessão de apresentação do livro &quot;Lágrimas no Rio&quot;</title><description><![CDATA[Vai acontecer já no próximo dia 3 de Junho de 2016 pelas 19h, a apresentação do livro "Lágrimas no Rio" no auditório do ISLA em Gaia. Não falte! Localização: ISLA GAIA<img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_c8a1fd0a5b744cdf91278672d71e3211.jpg/v1/fill/w_275%2Ch_365/a84154_c8a1fd0a5b744cdf91278672d71e3211.jpg"/>]]></description><dc:creator>Manuel Amaro Mendonça</dc:creator><link>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2016/05/29/Sess%C3%A3o-de-apresenta%C3%A7%C3%A3o-do-livro-L%C3%A1grimas-no-Rio-1</link><guid>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2016/05/29/Sess%C3%A3o-de-apresenta%C3%A7%C3%A3o-do-livro-L%C3%A1grimas-no-Rio-1</guid><pubDate>Sun, 29 May 2016 00:29:10 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_c8a1fd0a5b744cdf91278672d71e3211.jpg"/><div>Vai acontecer já no próximo dia 3 de Junho de 2016 pelas 19h, a apresentação do livro &quot;Lágrimas no Rio&quot; no auditório do ISLA em Gaia.</div><div>Não falte!</div><div>Localização: <a href="https://maps.here.com/directions/mix/mylocation/ISLA-Gaia,-Rua-do-Cabo-Borges-55,-4430-646-Vila-Nova-de-Gaia,-Portugal:41.13579,-8.60724?map=41.13379,-8.57737,14,normal&amp;fb_locale=pt_PT">ISLA GAIA</a></div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_37518a0d6664475185994a1a8576f8df.png"/></div>]]></content:encoded></item><item><title>Sorte Grande</title><description><![CDATA[Selecionado para a coletânea Sexta-feira 13Xico acordou com o barulho dos tapetes a ser sacudidos. Não se mexeu. Deixou-se ficar encolhido, a ouvir a dona Amélia, a mulher da limpeza, a dar os bons dias à colega do prédio ao lado. Não tardava, viria meter-se com ele. Não se interessou e afundou-se ainda mais nos cobertores, escondendo a cabeça entre os cartões que o protegiam do frio daquela manhã de março. - Senhor Xico! Ò senhor Xico, acorde! - A estridente voz feminina estava agora junto<img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_ecda41d1028e4af8b2b170638f59cfb6%7Emv2.jpg/v1/fill/w_388%2Ch_257/a84154_ecda41d1028e4af8b2b170638f59cfb6%7Emv2.jpg"/>]]></description><dc:creator>Manuel Amaro Mendonça</dc:creator><link>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2016/05/17/Sorte-Grande</link><guid>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2016/05/17/Sorte-Grande</guid><pubDate>Tue, 17 May 2016 22:40:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_ecda41d1028e4af8b2b170638f59cfb6~mv2.jpg"/><div>Selecionado para a coletânea Sexta-feira 13</div><div>Xico acordou com o barulho dos tapetes a ser sacudidos. Não se mexeu. Deixou-se ficar encolhido, a ouvir a dona Amélia, a mulher da limpeza, a dar os bons dias à colega do prédio ao lado. Não tardava, viria meter-se com ele. Não se interessou e afundou-se ainda mais nos cobertores, escondendo a cabeça entre os cartões que o protegiam do frio daquela manhã de março. - Senhor Xico! Ò senhor Xico, acorde! - A estridente voz feminina estava agora junto dele. - Que foi? - Fingiu-se desentendido, sem sair da proteção dos cobertores. - Não lhe pedi já que saísse daqui antes das 8:30h? Não tarda nada começa a chegar o pessoal e os clientes e dá mau aspeto estar aí a dormir. Vamos, levante-se! Oh, valha-me Deus, que cheiro! - Ela fez uma expressão de repulsa, assim que o olfato denunciou a “habilidade”. - Voltou a urinar ao pé da porta! Assim não pode ser, vou fazer queixa ao patrão e não vai voltar a dormir aqui! Ele colocou a cabeça para fora dos cartões. O cabelo negro, despenteado e sujo, formava uma juba em volta do rosto pálido, de barba desgrenhada, que olhou a mulher com cara de poucos amigos. - Não fui eu! - Desculpou-se. - Não vi quem foi, deve ter sido enquanto estava a dormir. Na certa foi o cão do Zé. - A urina de cão não cheira assim tão mal! - Amélia, cinquentona maternal, não se deixava enganar com facilidade. - Vocês são uns porcos! Vêm dormir para aqui e ainda deixam tudo sujo e malcheiroso. Já há umas semanas que o tenho deixado dormir aí, mas você não liga, quando lhe digo que tem que se levantar antes de eu chegar. Assim não pode ser! - Eh pá! Largue-me da mão! - Ele ergueu-se contrariado e começou a dobrar os cartões e os cobertores por entre resmungos. - Agora não tenho tempo de limpar o átrio todo, antes deles chegarem, está a ver o que me arranja? - Ela continuava. - Já na semana passada, uma das senhoras do escritório, escorregou e por um pouco não caiu, por o chão ainda estar molhado quando eles chegaram. Não se admite, parece que faz pouco das pessoas! - Já disse que me deixe! - Xico aproximou-se ameaçadoramente da mulher, com o fardo dos parcos pertences debaixo do braço. - Não disse já o que tinha a dizer? Cale-se, raios a partam! Amélia deu um passo atrás entre o surpreendida e o enojada, com o hálito do homem, que quase encostou os narizes de ambos. - Ora vejam só! - Ela recuperou rapidamente, assim que ele lhe virou as costas. - Não tem onde cair morto, aqui a dormir pelos umbrais das portas e ainda é malcriado! Não volto a trazer-lhe mais nada para comer. - Pró diabo que a carregue... - Xico resmungou de si para si, enquanto saía, da arcada de acesso aos escritórios, para a rua movimentada. - … os iogurtes estavam fora do prazo e o pão era da véspera. - E não volte a aparecer aqui! Se o vir por aqui outra vez, chamo a polícia! - Ela continuava a gritar do interior. - Ouviu? A polícia! Aborrecido, caminhou pelo passeio, a espreitar as montras e parou em frente ao quiosque, a ler os cabeçalhos dos jornais. A data chamou-lhe a atenção; sexta-feira 13 de março. “Tá-se mesmo a ver, começou bem!” resmungou para consigo enquanto pegava num dos diários. - Ò Xico! - Chamou o homem atrás do balcão. - Já te disse que se queres ler o jornal, tens que o comprar! - Eh pá! Está bem! Estava só a ver “as gordas”! - Desculpou-se largando o jornal. Virou as costas e atravessou a rua, preguiçosa e despudoradamente, enquanto ignorava os condutores a reduzir velocidade e buzinar protestos. Espreitou para a entrada da loja abandonada, onde dormia o “Barbas”. Conseguia ver o rasto de papeis e plásticos abandonados que conduziam ao “covil”, na escuridão. - Ò Barbas! - Chamou Xico. - Estás aí? Um grunhido fraco foi a resposta. Avançou, receoso, para a penumbra. O Barbas jazia num emaranhado de cobertores, arfante e tremendo de frio. Cabelo e barba completamente brancos, rosto talhado em madeira, assente num corpo esquelético, ninguém sabia que idade tinha… nem ele. O ancião ergueu uma mão, que mais parecia uma garra, pedindo ajuda em gemidos arfados. Xico baixou-se ao lado dele e pousou-lhe a mão na testa: - Eh, pá, que estás a “arder”! - Chama… chama o médico! - Conseguiu finalmente articular o velho. - Espera, já volto! Correu de volta ao quiosque e dirigiu-se ao homem do balcão: - Senhor João! Chame uma ambulância para o Barbas, acho que ele está muito mal! - Raios partam! - Resmungou o homem, pegando no telefone. - Agora passa a vida nisto! Depois eu que me amanhe com os gajos da assistência social a vir aqui dar-me novidades e fazer-me perguntas! Julgam que o velho é meu pai, ou o caraças! - Depois mande-os lá dentro, eu vou só buscar as minhas coisas e vou à minha vida. - Tu é que devias ficar com ele e dar as informações! - Sim, sim, - Ripostou Xico jocosamente. - Deus lhe agradecerá, se não for neste mundo, ao menos no outro. - Vai à m…! - João irritou-se. Atravessou de novo a rua e voltou ao recanto infeto onde o “colega” jazia. Agora parecia dormir, estaria morto? Tornou a pousar-lhe a mão na testa e um gemido fraco respondeu-lhe. Olhou em volta, pelos objetos espalhados em redor do moribundo. Os pertences de uma vida, que mais não eram do que montes de roupas, cartões, garrafas de plástico e velhos eletrodomésticos com variados graus de destruição. Pegou no casaco e começou a revirar-lhe os bolsos; um maço de cigarros com dois cigarros inteiros, uma nota de cinco euros e quatro botões de plástico de tamanhos variados. Deitou os botões ao chão e guardou a nota e os cigarros. Apalpou-lhe o rolo que fazia de travesseiro, de onde tirou um saco de pano com umas dúzias de moedas e remexeu-lhe nos bolsos das calças onde achou um pequeno papel. Procurando a luz, acabou por identificar que se tratava de uma aposta do Euromilhões; 3, 5, 13, 16, 31, 32 e as estrelas 3 e 5. “A coisa promete” - Comentou para consigo. - “Nasci a 3 de maio e tenho aqui a data duas vezes; hoje é dia 13 e este ano passo de 31 para 32 anos. Este talão tem tudo para ser premiado.” Guardou-o no bolso do casaco, pegou nas sua próprias tralhas e saiu do covil, depois de deitar um último olhar ao velho, que respirava de forma entrecortada. Caminhou pela rua que era a sua casa e, chegado ao “prédio dos cafés”, como lhe chamava, pousou as tralhas junto a uma das colunas da extensa colunata que albergava diversas esplanadas. Sempre com atenção aos empregados, passou pelo meio das mesas, surrupiando um palito de torrada ou um pastel trincado que alguém deixara abandonado. Sempre que o empregado reparava nele, desviava o seu caminho e dirigia-se rapidamente para fora da área da esplanada, antes que o expulsassem. Na última das esplanadas, o empregado acabava de entrar no café e ele pôde explorar as mesas com mais cuidado. Numa delas, estavam quatro moedas de euro, que desapareceram imediatamente nos bolsos do vagabundo. Uma mulher, sentada na mesa em frente, deitou-lhe um olhar desaprovador e ele, aproximando-se, fez um sinal ameaçador de silêncio, antes de se ir embora apressado.  Já de novo com os seus pertences, chegou a um portão de madeira, semi derrubado, que empurrou. Entrou no que restava de uma antiga “ilha”, com um pátio enorme, totalmente rodeado por casas que agora não eram mais do que portas e janelas escancaradas por onde espreitavam silvados. Era a “casa” que partilhava com o Manel Passarão, desde que este fugira do Hospital Magalhães Lemos. Xico nem sempre vivera assim. Em tempos tivera um emprego, logo depois de sair da tropa, numa empresa de segurança. Foi a sua atração pelas coisas que não lhe pertenciam, que causou a sua perdição. Foi despedido, apanhou uns meses de cadeia e, o pouco que tinha conseguido juntar, evaporou-se num ápice. Nem pensar em procurar pela mãe, na longínqua aldeia beirã, de quem já não sabia há anos. Na certa trata-lo-ia mal e ainda lhe atiraria com o que tivesse à mão. As tendências para “amigo do alheio” herdara-as do pai, falecido quando ainda era criança, e não da mãe, que era pobre, mas honesta. Agora vivia por aqui e por ali, deitando a mão ao que podia e, a verdade, é que se habituara rápido a não ter que dar satisfações a ninguém e a não ter horários para fazer fosse o que fosse. A chatice, eram a fome e o frio que o mordiam demasiadas vezes… Abancou-se na única casa que não tinha silvados e mostrava aspeto de ser ocupada por alguém. Havia uma miserável desculpa para cama, na forma de um amontoado de cobertores por cima de um colchão velho e várias pilhas de tralha encostadas às paredes. Depositou as suas coisas a um canto, depois de arrastar um enorme saco de plástico cheio de latas de refrigerantes vazias. Preparava-se para sair novamente quando ouviu o latido nervoso de um cão. Logo de seguida, entrou pela porta arruinada que dava acesso ao pátio, um homem enorme “arrastando”, na ponta de uma corda, um cão que se debatia. Era o Manel Passarão e mais um dos seus eternos cães renitentes, que ele insistia em levar para todo o lado, mesmo contra a vontade do canídeo. O apelido de Passarão era obra do Xico, porque o homem passava a vida a dar de comer às pombas e a correr à volta do pátio a bater “as asas”. À medida que o tempo foi passando, tornou-se mais calmo e a sua fixação voltou-se para os cães vadios que apanhava e tornava seus. Era um “gigante” acriançado, de quem todos abusavam, até se juntar a Xico. Este nunca fez nada muito importante para o defender, mas a sua presença parecia bastar, principalmente depois de, de forma gradual e mais ou menos violenta, ter expulsado todos os outros “inquilinos” da ilha abandonada. Assim, que notou o visitante, Manel fez um movimento, como se fosse a sair novamente do pátio, mas então reconheceu-o: - És tu, Xico? - Não, é o Papa! - Respondeu o visado, sem um sorriso. - Que foi que te fiz? Porque estás a falar comigo assim? - O homem, com a barba crescida de vários dias, fez beicinho. - Deixa-te de “xonices”, “Passarão”! Já sabes que não quero cá pieguices, não achas que és demasiado grande para isso?  - Julguei que eras meu amigo... - Se não fosse teu amigo, já te tinha espetado um chuto nesse teu traseiro descomunal, para te pôr daqui para fora! Amuado, Manel arrastou o cão, que lutava com a corda, até um ferro onde o amarrou. - Estiveram aqui o Vesgo e o Pinguinhas à tua procura! - Anunciou sem se levantar, enquanto se debatia para fazer um nó. - Bateram-me por tua causa! - Porque achas que tive que desaparecer estes dias todos? - O Vesgo disse que, se te apanhasse a roubar carros naquela rua outra vez, te desancava. - Ele que se vá encher de pulgas! Um carro com o vidro aberto, que é que ele queria?!? Está chateado é por não ter visto primeiro! Quantos carros não “gamou” já e deitou as culpas aos outros. Recebe as moedas por arrumar os carros numa rua e vai roubar os carros noutra. É um bom filho da …. - Queriam que lhes dissesse onde andavas. - Ainda bem, que não sabias, vês? Manel não respondeu e sentou-se no chão, olhando-o, sentido. - Tens alguma coisa para comer? - Xico mudou a conversa. - Tenho umas latas de sardinhas e uns pães, que me deu a velha que ajudei a levar as compras. - O homem ergueu-se de um salto, feliz de novo. - E uns iogurtes que me deram na ajuda de rua! - Vai lá buscar, estou com uma “larica” que “nem é bom”! Vai lá, enquanto eu faço uma fogueira, a ver se espantamos o frio. O “Passarão” desapareceu a correr no interior do casebre e regressou uns minutos depois, com um saco de papel, com uma tábua por bandeja, que pousou na pedra que muitas vezes lhes serviu de mesa. Depois correu novamente e reapareceu com duas garrafas verdes, que exibiu, triunfante: - Xico! Topa-me lá esta maravilha! - Gaita, homem! Que é isso? - Espantou-se o visado. - O Ferreira, do supermercado, sabes? Ajudei-o a arrumar umas paletes e caíram umas caixas de vinho. Só se aproveitaram quatro garrafas. Ele disse-me que não dissesse nada, ficou com duas e deu-me outras duas. - Ora vejam só! - Xico não queria acreditar. - Parece que não te tens dado nada mal, não senhor! O frugal almoço da velha, desapareceu num ápice. Comeram os iogurtes da assistência e duas metades de Bolas de Berlim roubadas na esplanada. Depois deixaram-se ficar ali, a fumar os cigarros roubados ao Barbas e a acabar as garrafas do supermercado. O discurso de Xico tornava-se mais inflamado a cada golo da garrafa que estava quase no fim. Contou ao companheiro, cada vez mais zangado, tudo o que se passara nas últimas duas semanas; os problemas com os outros sem abrigo, para ter onde dormir, as “injustiças” da dona Amélia da limpeza e da pena que sentiu do Barbas… que vai acabar por morrer naquele buraco nojento e ficar vários dias a apodrecer até que alguém dê por ele.  - Porque é que o mundo é assim? Uns com tudo e outros sem nada! - Escorreu a última gota e mirou a garrafa do companheiro, que já se ria por tudo e por nada e que estava ainda meia. - Dá cá essa porcaria, nem para beber serves! - Exigiu, tirando-lha das mãos abruptamente. - Porque é que és assim? - O outro riu-se apesar da brutalidade. - Se me tivesses pedido eu dava-ta! Também, acho que se beber mais, deito tudo cá para fora. - Porque é que TU, és assim?!? Pergunto eu! - Xico ergueu-se e atirou a garrafa vazia, que passou próximo da cabeça do companheiro e estilhaçou-se ruidosamente no chão empedrado. Manel caiu, da pedra onde estava sentado, ao esquivar-se do míssil e ficou de costas no chão a rir-se, para fúria do outro. - Não passas de um idiota! És um burro, um pateta alegre e todos te dão umas porcarias e tu ficas feliz… sempre! - Xico estava cada vez mais furioso, com os vapores do álcool a embotar-lhe o juízo. - Eu, para conseguir alguma coisa, tenho que trabalhar no duro… ou roubar! Percebendo finalmente a fúria e frustração que dominava o amigo e, parando de rir, aproximou-se e consolou-o, pousando-lhe a mão no ombro: - Não importa! O que me derem a mim, também dará para ti. Não somos amigos? - Deixa-te de m… pá! - Ele sacudiu-lhe o braço com violência. - Não quero a tua piedade! Queres partilhar as coisas, é?!? Esse casaco que tens vestido e está-te apertadíssimo, dá-mo! O outro olhou tristemente para o casaco antes de comentar: - Eu gosto deste casaco, foi um doutor do banco que mo deu! - Raios partam! Vês o que te digo? - Estilhaçou a segunda garrafa, ainda com algum vinho, no chão. - Dá-mo já! Passa para cá essa porcaria. Como ele demorasse a reagir, Xico partiu para a violência e com alguns socos nos braços obrigou o companheiro a tirar e entregar-lhe o casaco. Com lágrimas nos olhos, o “Passarão” assistiu ao ar de triunfo do outro, que atirou o seu próprio casaco para o chão enquanto vestia a nova aquisição. - Então? Que achas? Fica-me bem, não fica? Pareço um artista de cinema! - Xico estava radiante do seu feito. Sem lhe responder e com lágrimas a correr no rosto bonacheirão, Manel fez o gesto de apanhar o casaco abandonado no chão. - Eh lá! Que é lá isso? - Xico apanhou-o antes do companheiro. - Este casaco é meu! - Mas… tu ficaste com o meu… - O rosto dele, onde as lágrimas deixavam duas linhas verticais sulcadas na sujidade, era uma máscara de incredulidade. - A vida é injusta, colega! Vai catar para aí outro, arranja um papalvo qualquer que te dê! Não te dão tudo? - E com esta pergunta, atirou o velho casaco para a fogueira. Cedendo ao peso da injustiça, Manel irrompeu num pranto soluçante e correu para o interior do casebre que lhe servia de lar. Xico, carregado com o efeito do álcool e a excitação da enormidade do que havia feito, saiu para a rua, vagueando sem destino. Levou ainda muito tempo, para que o peso do remorso se fizesse sentir e começasse a pensar que o companheiro não merecia o que lhe fez. Começava a anoitecer e ele por uma rua secundária, olhava atentamente para o interior dos estabelecimentos e para os carros estacionados. Por fim, a sua busca foi recompensada; um casaco abandonado no assento traseiro de um automóvel… fechado. Olhou em volta para se certificar que não estava ninguém por perto e tirou de uma bota um pequeno martelo plástico com uma ponta de metal, que “palmara” num autocarro há muitos anos atrás. Partiu o vidro traseiro e desatou a correr com o casaco debaixo do braço. Já longe, remexeu os bolsos, achou um molho de chaves e uma carteira, que atirou para o cesto dos papeis, depois de a aliviar de umas quantas notas que continha. “Está feito, - Pensou. - está aqui um casaco catita para o “Passarão” e dinheiro para o jantar… bem, ele não precisa de jantar, está bem gordo… Saiu do beco e entrou numa pequena tasca em frente. - Que andas aqui a fazer, Xico? - O homem careca e baixo, mas entroncado, materializou-se ao pé dele, assim que se sentou numa das poucas mesas vagas. - Não vens armar confusão, pois não? Tens dinheiro, ou ponho-te já lá fora? - Eh, senhor Fernando! Que antipatia! - O outro fingiu-se ofendido. Claro que tenho dinheiro, senão, não entraria neste estabelecimento de luxo. - Bem, vais para a rua! - O outro concluiu, arregaçando as mangas. - Não, espere! Estava a brincar! Tenho dinheiro, veja. - Exibiu as notas. - Só venho comer uma “sandocha” de presunto e beber um “tintito”. - Já apanhaste algum desprevenido não foi? - Fernando sabia quem era aquele que estava ali sentado e não resistiu a comentar antes de dar meia volta para ir aviar o pedido. Alguns dos clientes olharam o recém chegado com sobranceria. Duas bem aviadas sandes de presunto e quatro copos de maduro tinto depois, já todos os vestígios de remorsos estavam diluídos. Recostou-se, o mais cómodo que conseguiu, na cadeira de madeira, a ver as notícias que passavam no telejornal. Foi então confrontado com os resultados do concurso do Euromilhões. A tremer, assistiu à exibição de cada um dos “seus” números; lá estavam o 13 da sexta em que se encontravam, o 3 e o 5 da sua data de nascimento, o 31 e o 32 da sua idade… estava rico!!!! Febrilmente, começou a vasculhar os bolsos em busca do talão que furtou ao Barbas, cada vez mais ansioso. Até que, de repente, recordou-se! Estava no bolso do casaco que atirou para a fogueira! - Demónios dos infernos!!!! - Gritou, assustando toda a gente na atarracada taberna. - P… de sorte a minha! Sacanas malditos, deram-me a sorte quando sabiam que não podia ser minha!!!! Ah, malditos! Só podem estar a gozar comigo! Continuou as imprecações atirando com tudo o que estava em cima da mesa para o chão e derrubando as cadeiras vazias à sua volta. - Já sabia que ias acabar por dar problemas, meu animal! - Gritou-lhe Fernando agarrando-o pelos colarinhos. - Põe-te lá fora imediatamente e se tornas a por “as patas” aqui, dou-te uma tareia que nunca mais te levantas! O pequeno, mas robusto homem, arrastou literalmente Xico para a porta onde o chutou para a rua. - Espera, não! - Protestou o vagabundo sem qualquer resultado. - Não percebe? Foi sem querer! Desculpe! E o meu dinheiro que estava na mesa? E o meu casaco? A resposta foi dada por dois casacos que saíram a voar pela porta contra a cara do infeliz que acabava de se levantar. - Queres o dinheiro, filho da p…? - Gritou-lhe o taberneiro de dentro do estabelecimento. - Vens cá amanhã, quando te passar a borracheira, depois vemos quanto sobra da porcaria toda que partiste aqui! - Não posso acreditar! - Gemeu Xico quase a chorar, enquanto vestia o seu casaco e dobrava o que levaria para o “Passarão”. - Que filha da p… de sexta feira 13. Tive a fortuna na mão e deitei-a ao lume… tive algum dinheiro e o cabrão do taberneiro ficou com ele… maldita sexta feira 13… - Está ali, senhor guarda! - Ouviu a voz atrás dele. - Ainda tem o meu casaco debaixo do braço!</div></div>]]></content:encoded></item><item><title>Coletânea Sexta Feira 13</title><description><![CDATA[Mais um texto selecionado para uma coletânea: «SEXTA-FEIRA 13», que será publicada na Colecção Sui Generis com a chancela da EuEdito.Podem ler aqui o texto escolhido com o título "Sorte Grande" De: SUI GENERIS <letras.suigeneris@gmail.com> Data: 11 de maio de 2016 às 21:36 Assunto: SEX 208 - Manuel Amaro Mendonça (Sorte Grande) - Seleccionado Para: Manuel Amaro <manuel.amaro@gmail.com> Boa noite, Manuel Amaro Mendonça.Tenho o prazer de comunicar que o seu texto com o título(Sorte Grande)foi<img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_c38829517d0947d2892759f2b8b9d709%7Emv2.jpg/v1/fill/w_357%2Ch_504/a84154_c38829517d0947d2892759f2b8b9d709%7Emv2.jpg"/>]]></description><dc:creator>Euedito / Sui Generis</dc:creator><link>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2016/05/11/Colet%C3%A2nea-Sexta-Feira-13</link><guid>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2016/05/11/Colet%C3%A2nea-Sexta-Feira-13</guid><pubDate>Wed, 11 May 2016 22:11:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_c38829517d0947d2892759f2b8b9d709~mv2.jpg"/><div>Mais um texto selecionado para uma coletânea: «SEXTA-FEIRA 13», que será publicada na Colecção Sui Generis com a chancela da EuEdito.</div><div>Podem ler aqui o texto escolhido com o título &quot;<a href="http://manuelamaro.wix.com/autor#!Sorte-Grande/th2f5/57671f790cf242533e7dd0ad">Sorte Grande</a>&quot; </div><div>De: SUI GENERIS &lt;letras.suigeneris@gmail.com&gt; Data: 11 de maio de 2016 às 21:36 Assunto: SEX 208 - Manuel Amaro Mendonça (Sorte Grande) - Seleccionado Para: Manuel Amaro &lt;manuel.amaro@gmail.com&gt;</div><div>Boa noite, Manuel Amaro Mendonça.</div><div>Tenho o prazer de comunicar que o seu texto com o título</div><div>(Sorte Grande)</div><div>foi seleccionado para integrar a antologia «SEXTA-FEIRA 13», que será publicada na Colecção Sui Generis com a chancela da EuEdito.</div><div>Obrigado por ter participado neste grandioso projecto.</div><div>Foram seleccionados 33 textos, de 33 autores lusófonos – acrescentando um texto de minha autoria, teremos 34 textos a integrarem «Sexta-Feira 13».</div><div>A relação completa dos Autores seleccionados já se encontra divulgada nos blogues De Lírios ( http://isidelirios.blogspot.pt ) e Edições Sui Generis ( http://letras-suigeneris.blogspot.pt ) e, também, nas redes sociais.</div></div>]]></content:encoded></item><item><title>Coletânea Nascidos nos anos...</title><description><![CDATA[Aqui mais um conto seleccionado para uma das antologias da Papel D'ArrozO conto "Menina Bonita" será incluído no volume "Nascidos nos Anos 60"Continuamos a a acreditar na vossa Arte de Escrever! Trabalhando nas vossas Décadas aqui estão os Autores seleccionados - PARABÉNS Ana Maria Oliveira Dias Ana Paula Barbosa Ildefonso André Luis Soares Andreia Rodrigues Angelina Neves Angelina Violante Carla De Sà Morais Carla Santos Ramada Daniel Costa Ermelinda de Jesus Silva Fernando Magalhães Gabriela<img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_89554d0e30464c54887d066f0aba629c.jpg/v1/fill/w_626%2Ch_529/a84154_89554d0e30464c54887d066f0aba629c.jpg"/>]]></description><dc:creator>Papel D'Arroz Editora</dc:creator><link>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2016/05/07/Nascidos-nos-anos</link><guid>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2016/05/07/Nascidos-nos-anos</guid><pubDate>Fri, 06 May 2016 23:21:20 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_89554d0e30464c54887d066f0aba629c.jpg"/><div>Aqui mais um conto seleccionado para uma das antologias da Papel D'Arroz</div><div>O conto &quot;<a href="http://manuelamaro.wix.com/autor#!Menina-Bonita/th2f5/572d28c10cf2803377cb7fd1">Menina Bonita</a>&quot; será incluído no volume &quot;Nascidos nos Anos 60&quot;</div><div>Continuamos a a acreditar na vossa Arte de Escrever!  Trabalhando nas vossas Décadas  aqui estão os Autores seleccionados - PARABÉNS  Ana Maria Oliveira Dias Ana Paula Barbosa Ildefonso André Luis Soares Andreia Rodrigues  Angelina Neves  Angelina Violante  Carla De Sà Morais  Carla Santos Ramada Daniel Costa Ermelinda de Jesus Silva Fernando Magalhães  Gabriela Mendes da Cunha Georgina Fernanda Carvalho Caçador Jussara Maria Lucena Lucilia Pinheiro Manuel Amaro Mendonça  Manuel Timóteo de Matos Márcia Barbosa de Souza  Maria Beatriz Ferreira Maria Helena Guedes  Miká Penha  Murilo Silva Lillo  Teresa Maria Queiroz Palmira Oliveira Paula Oliveira Rosalina Coelho Vaqueiro Sara Timóteo Suzete Fraga</div></div>]]></content:encoded></item><item><title>Lágrimas no Rio</title><description><![CDATA[Já se encontra à venda em todos os sites da Amazon o novo livro de Manuel Amaro Mendonça, "Lágrimas no Rio" Pode encomendar diretamente do site da Amazon (http://www.amazon.eu) por um preço médio de 14€+IVA e portes de entrega, o que dá cerca de 18€ ou por mail para amaro.autor@gmail.com e receba-o por correio, por apenas 15€, com oferta dos portes para o território português. Quer receber uma pequena amostra do texto em PDF? Preencha este formulário! Mais informação sobre esta obra em:<img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_c0ceaca9085a46f2be76fe4e4128dab1.jpg"/>]]></description><dc:creator>Manuel Amaro Mendonça</dc:creator><link>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2016/04/20/L%C3%A1grimas-no-Rio</link><guid>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2016/04/20/L%C3%A1grimas-no-Rio</guid><pubDate>Wed, 20 Apr 2016 22:15:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_c0ceaca9085a46f2be76fe4e4128dab1.jpg"/><div>Já se encontra à venda em todos os sites da Amazon o novo livro de Manuel Amaro Mendonça, &quot;Lágrimas no Rio&quot;</div><div>Pode encomendar diretamente do site da Amazon <div>(<a href="http://www.amazon.eu">http://www.amazon.eu</a></div>) por um preço médio de 14€+IVA e portes de entrega, o que dá cerca de 18€</div><div>ou por mail para <a href="mailto:amaro.autor@gmail.com?subject=Encomenda de Lágrimas no Rio">amaro.autor@gmail.com</a> e receba-o por correio, por apenas 15€, com oferta dos portes para o território português.</div><div>Quer receber uma pequena amostra do texto em PDF? Preencha este !</div><div>Mais informação sobre esta obra em: <a href="http://manuelamaro.wix.com/autor#!Lágrimas-no-Rio/th2f5/5680f4010cf236d40390307e">http://manuelamaro.wix.com/autor#!Lágrimas-no-Rio/th2f5/5680f4010cf236d40390307e</a></div><div>Detalhes do produto</div><div>Capa comum: 212 páginasEditora: Createspace Independent Publishing Platform (20 de abril de 2016)Idioma: PortuguêsISBN-10: 152283981XISBN-13: 978-1522839811Dimensões do produto: 15,2 x 1,2 x 22,9 cmPeso do produto: 381g</div></div>]]></content:encoded></item><item><title>Entrevista com o autor Manuel Amaro Mendonça-Site Divulga Escritor</title><description><![CDATA[Clique aqui para aceder à revista "Divulga Escritor" e ler a entrevista na integraDe: SMC Divulga Escritor Data: 5 de março de 2016 às 18:47 Assunto: Entrevista com o autor Manuel Amaro Mendonca Para: Manuel Amaro Mendonça é licenciado em Engenharia de Sistemas Multimédia pelo Instituto Superior de Línguas e Administração de Gaia e trabalha como técnico especialista numa empresa de serviços informáticos com cobertura mundial. Nasceu em Portugal, na cidade de São Mamede de Infesta em Janeiro de<img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_80a1c99cf7b2483395b9c6705671b3bd.jpg"/>]]></description><dc:creator>Divulga Escritor</dc:creator><link>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2016/03/05/Entrevista-com-o-autor-Manuel-Amaro-Mendon%C3%A7aSite-Divulga-Escritor</link><guid>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2016/03/05/Entrevista-com-o-autor-Manuel-Amaro-Mendon%C3%A7aSite-Divulga-Escritor</guid><pubDate>Sat, 05 Mar 2016 23:59:52 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_80a1c99cf7b2483395b9c6705671b3bd.jpg"/><div><a href="https://issuu.com/estampapb/docs/divulga_escritor_ed._19_2016/1">Clique aqui para aceder à revista &quot;Divulga Escritor&quot; e ler a entrevista na integra</a></div><div>De: SMC Divulga Escritor Data: 5 de março de 2016 às 18:47 Assunto: Entrevista com o autor Manuel Amaro Mendonca Para: </div><div>Manuel Amaro Mendonça é licenciado em Engenharia de Sistemas Multimédia pelo Instituto Superior de Línguas e Administração de Gaia e trabalha como técnico especialista numa empresa de serviços informáticos com cobertura mundial. Nasceu em Portugal, na cidade de São Mamede de Infesta em Janeiro de 1965, é casado e reside no concelho de Matosinhos.</div><div>É o autor do livro “Terras de Xisto e Outras Histórias” publicado pela CreateSpace e distribuído pela Amazon.</div><div>Tem participações com contos de sua autoria em várias coletâneas:</div><div>“Luís e Isabel” selecionado para “Quando o Amor é Cego” da Papel D’Arroz Editora</div><div>“Tudo por Amor” selecionado para a coletânea “A Bíblia dos Pecadores”, da Editora Suigeneris</div><div>“Prioridades” selecionado para a coletânea “Obsessões” da Editora Lua de Marfim</div><div>Foi agraciado com o terceiro prémio no 6º Concurso Literário Papel D’Arroz Editora com o conto “Tudo em Jogo” que será também incluído na coletânea &quot;O Poder do Vicio&quot; </div><div>“Os eventos que esperam o leitor, naquela aldeia nas margens do rio Douro, sem dúvida que farão verter muitas “Lágrimas no Rio”.”</div><div>Boa Leitura!</div><div>Escritor Manuel Amaro Mendonça, é um prazer contarmos com a sua participação no projeto Divulga Escritor, conte-nos o que o motivou a ter gosto por contos?</div><div>Manuel Amaro - É um prazer e uma honra fazer parte deste projeto que traz visibilidade aos autores e escritores menos conhecidos e faz a homenagem aos livros e à palavra escrita, tantas vezes desprezados.</div><div>Os contos são histórias curtas mas cheias de intensidade. Muitas vezes não é mais do que uma cena intensa de um romance; caímos diretamente sobre a ação sem ter que estar a contar todos os meandros que levaram o protagonista àquele ponto. Tudo se passa muito depressa e, a maior parte das vezes, num curto espaço de tempo. São essas duas coisas que me dão muito prazer na sua escrita, a velocidade e a intensidade. Desde o inicio de 2015 já participei em diversas coletâneas onde os meus contos têm sido sempre selecionados.</div><div> Leia mais: <a href="http://www.divulgaescritor.com/products/manuel-amaro-mendonca-entrevistado/">http://www.divulgaescritor.com/products/manuel-amaro-mendonca-entrevistado/</a></div></div>]]></content:encoded></item><item><title>Noticias no ISLA</title><description><![CDATA[Os meus amigos do Isla não perdem de vista os seus antigos alunos: http://www.islagaia.pt/pt/noticias/348-vencedor-do-7-concurso-literario-papel-d-arroz-editora.html<img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_37518a0d6664475185994a1a8576f8df.png"/>]]></description><dc:creator>Isla Gaia</dc:creator><link>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2016/03/04/Noticias-no-ISLA</link><guid>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2016/03/04/Noticias-no-ISLA</guid><pubDate>Fri, 04 Mar 2016 14:06:13 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_37518a0d6664475185994a1a8576f8df.png"/><div>Os meus amigos do Isla não perdem de vista os seus antigos alunos:</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_5f37a386553b4ba19996ad1d25affc03.jpeg"/><div><a href="http://www.islagaia.pt/pt/noticias/348-vencedor-do-7-concurso-literario-papel-d-arroz-editora.html">http://www.islagaia.pt/pt/noticias/348-vencedor-do-7-concurso-literario-papel-d-arroz-editora.html</a></div></div>]]></content:encoded></item><item><title>Menina Bonita</title><description><![CDATA[Nasci há cerca de meio século! Dito assim, parece horrivelmente antigo, mas a verdade é que nasci no século passado, na década de sessenta.Era um mundo diferente, aquele para o qual abri os olhos, no longínquo ano de 1965. Governava António de Oliveira Salazar, num país, que há quatro anos via a sua juventude esvair-se para o “ultramar”, na chamada guerra colonial.Quase não recordo os primeiros anos, claro, tirando uma ou outra história que, à força de ouvir contar tantas vezes pelos familiares,<img src="http://static.wixstatic.com/media/313babf4ca404e7dbbb11461f800d716.jpg"/>]]></description><dc:creator>Manuel Amaro Mendonça</dc:creator><link>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2016/05/07/Menina-Bonita</link><guid>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2016/05/07/Menina-Bonita</guid><pubDate>Tue, 01 Mar 2016 00:33:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/313babf4ca404e7dbbb11461f800d716.jpg"/><div>Nasci há cerca de meio século! Dito assim, parece horrivelmente antigo, mas a verdade é que nasci no século passado, na década de sessenta.</div><div>Era um mundo diferente, aquele para o qual abri os olhos, no longínquo ano de 1965. Governava António de Oliveira Salazar, num país, que há quatro anos via a sua juventude esvair-se para o “ultramar”, na chamada guerra colonial.</div><div>Quase não recordo os primeiros anos, claro, tirando uma ou outra história que, à força de ouvir contar tantas vezes pelos familiares, já não sabemos se se trata realmente de uma memória nossa.</div><div>As primeiras recordações que sei serem minhas, e que consigo datar, serão por volta dos cinco, seis anos, pouco tempo antes de começar a escola primária. A minha baliza temporal é a bandeira a meia haste que me recordo da minha mãe ter dito ser por causa da morte do Salazar que foi em 1970. Eram tempos muito diferentes, lembro-me da da leiteira que empurrava um carrinho e passava porta a porta a vender o leite a granel, da padeira com a enorme canastra à cabeça que distribuía o pão. O cheiro dos cigarros “Definitivos” que o meu bisavô fumava, o sabor do toucinho salgado e das azeitonas da mercearia da esquina. A moeda brilhante e o “Simolzinho” que o avô dava na pequena tasca, por onde passava ao fim do dia, ao regressar do emprego.</div><div>Em casa, o meu mundo, além da habitação propriamente dita, era o quintal partilhado com uma vizinha, onde havia couves, feijão verde e uma figueira que dava figos vermelhos muito doces. A vizinha tinha galinhas e coelhos. Nesse quintal, havia também o barraco, como chamávamos à pequena construção onde a minha mãe “tangia” a máquina de tricotar, com o rádio a transmitir o folhetim “Simplesmente Maria”. Era um mundo inteiro cercado pela porta para a estrada por um lado e pelos muros que separavam de outro terreno... desconhecido.</div><div>Não consigo saber quando nem porquê me comecei a interessar pelo outro lado do muro... talvez a curiosidade pelo desconhecido, talvez por ouvir vozes do outro lado ou possivelmente por escutar risos de criança.</div><div>Imagino que, quando saltei o muro a primeira vez, me deva ter sentido como o Flash Gordon pela primeira vez em Mongo, ou como os primeiros exploradores portugueses nas costas de África. Não ponho dúvidas que devo ter explorado todos os recantos daquele mundo novo que eram áreas extensas, muitas vezes maiores que o meu quintal, com casebres abandonados, árvores de fruto e duas casas habitadas, uma à esquerda e outra à direita da minha; Na da direita, rapidamente aprendi que não devia aportar o meu navio explorador naquelas paragens; Era a morada de um terrível e feroz animal! Só soube mais tarde que se chamava Dragão. Por mim, fiquei aterrado quando me vi frente àquela enorme e temível criatura, que saltava e espumava dentro de uma imensa jaula, ladrando a sua indignação pela minha ousadia e mostrando os enormes dentes com que ameaçava destroçar-me. De certeza que devo ter tido a minha quota parte de pesadelos com aquela horrível fera. Na da direita, encontrei um tesouro... a menina bonita, da minha idade, com compridos cabelos negros, aos cachos e uns vivos olhos castanhos que me olhavam com curiosidade e admiração.</div><div>Tornámo-nos, claro, companheiros inseparáveis e juntos vivemos aventuras maravilhosas a desvendar aquele mundo sem fim que era o terreno nas traseiras da minha casa.</div><div>De que falaríamos nós e quais seriam as brincadeiras, naqueles tempos longínquos, em que o mundo rodava devagar e vivíamos vidas inteiras, até que uma das nossas mães nos chamasse para comer. Cantávamos a canção da Tonicha que nos maravilhara os olhos e os ouvidos no festival da canção... ainda hoje, os versos da “Menina do Alto da Serra” me parecem que foram feitos para ti, a minha menina bonita de cabelos aos cachos:</div><div>“Menina de saia aos folhos,</div><div>Quem na vê fica lavado.</div><div>Água da sede dos olhos,</div><div>Pão que não foi amassado.</div><div>Menina do riso aos molhos,</div><div>Minha seiva de pinheiro.</div><div>Menina de saia aos folhos,</div><div>Alfazema sem canteiro”</div><div>Quando comecei a frequentar a 1ª classe, numa escola a poucas centenas de metros de casa, comecei a ver-te menos vezes, mas todos os minutos eram para saltar o muro e reencontrar a minha menina bonita de olhos brilhantes.</div><div>As minhas idas à mercearia para recados incluíam o livro onde era anotada a despesa para ser paga no fim do mês. Era o tempo em que os detergentes para roupa traziam, por brindes, brinquedos para as crianças, que os rebuçados, vinham embrulhados em papeis que eram cromos para colecionar. O Helmer desesperava a tentar apanhar o Pernalonga, o Pápaléguas fazia gato sapato do coiote e o Picapau endoidecia todos os restantes.</div><div>Quando passei para a 3ª classe houve um grande acontecimento, a nova escola primária, acabada de construir há uns anos, foi inaugurada com pompa e circunstância. Nunca tinha visto tantos e tão bons carros, consegui ver até o professor Marcelo Caetano e eu e mais umas dezenas de crianças não perdemos a oportunidade de correr ruidosamente atrás da viatura oficial.</div><div>Os quadros afixados, um de cada lado do crucifixo que dominava a parede sobre o quadro negro, agora tinham outro significado. Uns meses depois, tiraram-nos... dizem que por causa da liberdade, na altura não percebi muito bem. Por outro lado foi fantástico terem vindo demolir o muro que separava o recreio das meninas e dos meninos. Agora podíamos fazer tropelias numa área muito maior.</div><div>De repente, gritava-se “Viva a liberdade!”, todos andavam com cravos vermelhos ao peito e a “Gaivota voava com asas de vento e coração de mar”.</div><div>“Uma gaivota voava, voava, Asas de vento, Coração de mar. Como ela, somos livres, Somos livres de voar.</div><div> “Tomaram conta da quinta dos carros!”, disse-me um colega e eu fui ver; Os portões estavam escancarados e as paredes cobertas de letras pintadas em vermelho, os jardins da entrada estavam cheios de caixas, móveis, lixo... uma pena.</div><div>Também eu e tu, menina morena, do cabelo aos cachos, brincamos aos soldados libertadores, que expulsaram os homens maus que não deixavam que fossemos livres... o que quer que isso quisesse dizer.</div><div>Agora éramos mais... e tu tinhas duas primas que começaram a vir brincar connosco e eu tinha o meu irmão mais novo e o meu primo. Os seis, éramos um exército difícil de dominar. Foi nesses dias maravilhosos que revivemos os episódios da novela “Gabriela”, tu a bela Gerusa e eu o apaixonado Rômulo. Meses mais tarde, estávamos na base lunar, que seria construída num futuro longínquo, em 1999. Tu a enigmática doutora Helena e eu o sisudo comandante Koenig.</div><div>Era a chegada dos retornados e por todo o lado havia pessoas, umas tão brancas como nós, outras nem tanto, que falavam um português diferente e olhavam-nos com sobranceria... enfim, quando cá chegaram, eu já cá estava, não precisei deles até àquele momento, não iria ser agora que iria precisar. Uma vez, fui a uma mercearia acabada de comprar por um desses retornados e, coisa que nunca tinha visto, andavam atrás de mim a ver se roubava alguma coisa!!! Do alto dos meus onze, quase doze anos, nunca disse nada a ninguém, mas a ofensa bastou-me e nunca mais lá pus os pés.</div><div>No ano seguinte, o espaço 1999 tinha que dividir o seu espaço com a escrava Isaura e eu fui o malvado Leôncio que tudo fazia para te prender a ti a doce e inocente Isaura.</div><div>Nessa época de descobertas, foi fácil perceber que o feminino e o masculino se atraem em todas as espécies e a aproximação entre mim e a tua prima estava a provocar efeitos em nós. Foi fácil roubar um beijo trapalhão e agarrar um seio macio. Quando nos surpreendeste, éramos demasiado jovens para perceber a tua indignação, e eu, como um idiota, achei que estavas apenas preocupada com a tua prima...</div><div>Aquele foi o último ano que brincamos juntos. Com a entrada para o ensino secundário, o tempo era pouco e as novas amizades, criaram laços que nos puxavam em direções diferentes.</div><div>O “mundo” continuava em revolução. Ramalho Eanes foi eleito presidente da republica e Mário Soares o primeiro ministro... as coisas estavam más para a política, foi a primeira vez que ouvi falar em FMI. No Vaticano, assumia o papado João Paulo II.</div><div>Continuei a ver-te, mesmo assim, a espaços até ao dia que fizeste a tua festa de quinze anos, ali mesmo, num dos edifícios abandonados, daquele mundo perdido que outrora desvendaste comigo. Era ainda a época dos bailes de garagem. Durante uns dias, enquanto preparávamos o espaço, contatei de novo contigo. Os teus olhos brilhantes, o teu cabelo negro, ondulado, traziam recordações e nostalgia. Lembramos as nossas brincadeiras e os teus olhos pareceram brilhar ainda mais.</div><div>No tão esperado dia da tua festa, havia muita gente que eu não conhecia. Os teus amigos novos, chegados contigo de um mundo onde eu não existia. Fomos dançar e senti em ti, na tua flexibilidade e leveza, um grau de evolução muito superior ao meu, mais mulher, mais adulta. Mas foi quando te vi dançar com os teus novos companheiros, com o teu novo amigo, que eu percebi que, a menina bonita dos cabelos negros e olhos brilhantes, já não era minha.</div></div>]]></content:encoded></item><item><title>Coletânea LABIRINTOS DA MENTE</title><description><![CDATA[Mais um conto, mais uma coletânea!!!! "Arroz Papel16/02 para mim Boa tarde, MANUEL O seu conto, "Passagem de Ano" foi seleccionado para fazer parte de Colectânea – "LABIRINTOS DA MENTE". Parabéns! Como é habitual esta colectânea andara de mão dadas com a colectânea – "UM DIA DE LOUCOS" a editar pela Papel D´arroz Editora. Contamos ter a produção finalizada e pronta para edição durante o mês de Março e previmos a sua apresentação para o início de Abril de 2016. Tal como já vos acostumámos a<img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_0acf089a65874b008549d9b30ef04f22.jpg"/>]]></description><dc:creator>Papel D'Arroz Editora</dc:creator><link>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2016/02/16/Colet%C3%A2nea-LABIRINTOS-DA-MENTE</link><guid>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2016/02/16/Colet%C3%A2nea-LABIRINTOS-DA-MENTE</guid><pubDate>Tue, 16 Feb 2016 22:51:50 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_0acf089a65874b008549d9b30ef04f22.jpg"/><div>Mais um conto, mais uma coletânea!!!!</div><div>&quot;Arroz Papel16/02 para mim</div><div>Boa tarde, MANUEL </div><div>O seu conto, &quot;<a href="http://manuelamaro.wix.com/autor#!Passagem-de-Ano/th2f5/56c3a82a0cf26237099adc83">Passagem de Ano</a>&quot; foi seleccionado para fazer parte de Colectânea – &quot;LABIRINTOS DA MENTE&quot;.</div><div>Parabéns!</div><div>Como é habitual esta colectânea andara de mão dadas com a colectânea – &quot;UM DIA DE LOUCOS&quot; a editar pela Papel D´arroz Editora. Contamos ter a produção finalizada e pronta para edição durante o mês de Março e previmos a sua apresentação para o início de Abril de 2016. Tal como já vos acostumámos a apresentação será conjunta:&quot;LABIRINTOS DA MENTE&quot; e &quot;UM DIA DE LOUCOS&quot; A Colectânea &quot;LABIRINTOS DA MENTE&quot; conta com a participação de 27 Autores seleccionados.</div><div>Abraço e até breve – com mais notícias&quot; </div></div>]]></content:encoded></item><item><title>7º Concurso literário Papel D'Arroz - 1º Classificado</title><description><![CDATA[Cá estamos - Para anunciar o Vencedor - e o 2º e 3º Classificado do Concurso Literário Papel D´Arroz Editora - UM DIA DE LOUCOS Desta vez o júri foi unânime na escolha dos 3 melhores textos - apenas diferiu na ordem da classificação - não foi fácil Cá vai a ordem final! 1º Classificado - Manuel Amaro Mendonça com o conto "O Assalto" 2º Classificados - Carlos Arinto 3º Classificado - Ana Paula Barbosa Parabéns a todos!! Podem ler e reler os textos no Blogue da Papel D´Arroz Editora<img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_86ce9856b5114449a43851e9a71c95ee.jpg"/>]]></description><dc:creator>Papel D'Arroz Editora</dc:creator><link>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2016/02/13/7%C2%BA-Concurso-liter%C3%A1rio-Papel-DArroz</link><guid>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2016/02/13/7%C2%BA-Concurso-liter%C3%A1rio-Papel-DArroz</guid><pubDate>Sat, 13 Feb 2016 13:28:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_86ce9856b5114449a43851e9a71c95ee.jpg"/><div>Cá estamos - Para anunciar o Vencedor - e o 2º e 3º Classificado do Concurso Literário Papel D´Arroz Editora - UM DIA DE LOUCOS</div><div>Desta vez o júri foi unânime na escolha dos 3 melhores textos - apenas diferiu na ordem da classificação - não foi fácil</div><div>Cá vai a ordem final!1º Classificado - Manuel Amaro Mendonça com o conto &quot;<a href="http://manuelamaro.wix.com/autor#!O-Assalto/th2f5/56c1d53d0cf247e929ac001a">O Assalto</a>&quot; 2º Classificados - Carlos Arinto 3º Classificado - Ana Paula Barbosa Parabéns a todos!! Podem ler e reler os textos no Blogue da Papel D´Arroz Editora</div><div>http://editorapapel.blogspot.pt</div><div>Vai ser incluído na Coletânea com o mesmo título</div></div>]]></content:encoded></item><item><title>Passagem de Ano</title><description><![CDATA[** Mais um A passagem de ano é como um salto para passar uma porta, através de uma cortina fechada. Sentimos o medo do desconhecido que está para lá dela, que se acoita no escuro. Assim estava a minha vida naquele momento, num salto para o desconhecido. E se estava tudo claro, ainda há pouco tempo atrás, agora tudo parecia nublado e cinzento. Soaram as últimas badaladas e aquelas pessoas desconhecidas, na enorme praça no centro do Porto, gritaram, riram, comeram passas e beberam espumante<img src="http://static.wixstatic.com/media/518b8c029288c598df02d8b449b4fd01.jpg"/>]]></description><dc:creator>Manuel Amaro Mendonça</dc:creator><link>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2016/01/16/Passagem-de-Ano</link><guid>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2016/01/16/Passagem-de-Ano</guid><pubDate>Sat, 16 Jan 2016 22:52:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/518b8c029288c598df02d8b449b4fd01.jpg"/><div>** Mais um </div><div>A passagem de ano é como um salto para passar uma porta, através de uma cortina fechada. Sentimos o medo do desconhecido que está para lá dela, que se acoita no escuro.</div><div>Assim estava a minha vida naquele momento, num salto para o desconhecido. E se estava tudo claro, ainda há pouco tempo atrás, agora tudo parecia nublado e cinzento.</div><div>Soaram as últimas badaladas e aquelas pessoas desconhecidas, na enorme praça no centro do Porto, gritaram, riram, comeram passas e beberam espumante barato.</div><div>Riram, porque acreditavam que, entrando naquela nova e desconhecida etapa a rir, assim seria o resto do período, até que este novo ano se consumasse.</div><div>Mas eu, foi com lágrimas nos olhos que te abracei e beijei, a ti, que tantas vezes amei e desejei e por quem dei este salto no escuro que estava a viver naquele momento.</div><div>A minha mente traidora, agora que tinha aquilo que tantas vezes desejara, torturava-me com imagens que eu não queria ver; ali, no meio daquelas pessoas que festejavam com alegria fingida, que espantavam os medos com uma coragem que não sentiam, a ideia de Noémia e Sílvia sozinhas em casa, na passagem de ano mais triste das suas vidas, não me saía da cabeça.</div><div>E tu beijaste-me e riste-te, como todos os outros e bebeste um e dois copos de espumante, feliz, ou fingindo que sim... ou achando que sim...</div><div>E eu, dono de uma angustia do tamanho do mundo, sentia o enorme nó na garganta que me impedia de beber e não deixava responder ao “Amo-te” gritado/sussurrado, ao ouvido, que me ofereceste. Antes fechei os olhos e virei o rosto ao céu, tentando aliviar a garganta e sossegar a respiração cada vez mais opressiva.</div><div>Fitei-te e passei-te a mão pelo cabelo com carinho, num gesto velho de anos, dos tempos em que não eras minha e eu não era teu... e tu limpaste a lágrima traidora que corria dos meus olhos congestionados, que miraste através da luz bruxuleante do fogo de artifício.</div><div>Articulaste um “Estás bem? Enquanto me seguravas ambas as faces para que os nossos olhos estivessem no mesmo comprimento de onda.</div><div>Não, não estou bem, pensei enquanto a tua irmã me abraçava e beijava, não, não estou bem, quando o teu cunhado me apertava a mão. Não, não estou bem, neste desconhecido, no outro lado da cortina escura. Não, não estou bem, aqui, nesta vida que tanto desejei e sem a qual pensei que não poder viver.</div><div>Agora sou eu que tomo o teu adorado rosto entre as mãos e beijo-te com um beijo forte e quente, deixando finalmente correr livremente as lágrimas.</div><div>É um novo ano que nasce com o coração cheio de amor, mas sem alegria e afogado em remorso.</div><div>Ofereci-te um sorriso triste, tentando dar uma coragem que não sentia, ao teu olhar preocupado. A esses teus olhos fascinantes e luzidios, gravados a fogo na minha alma.</div><div>Fechei os meus e inspirei fundo enquanto sentia o teu abraço e o fogo de artifício troava incessantemente. Tornei a abri-los para aquele mundo novo, que não reconhecia, ali, do outro lado da cortina e beijei-te docemente a testa, enquanto me soltava suavemente do teu amplexo.</div><div>Olhaste-me com uma pergunta, mas com medo da minha resposta e eu, com o meu patético sorriso triste, quase abafado pelas explosões, disse-te:</div><div>- Desculpa-me, meu amor, mas não consigo!</div><div>Sem mais, voltei-me e caminhei em passos largos, por entre a multidão, enquanto o fogo de artifício se silenciava e era substituído pela ovação das pessoas agradecidas.</div><div>E eu deixei-te ali, no meio do desconhecido, por trás da cortina, que eu achava que ambos queríamos, mas que eu não conseguia suportar.</div><div>Corri, corri como um louco, de volta para os braços da minha mulher e da minha filha. Corri, sufocando a angústia que sentia, porque elas estavam sozinhas, sem mim, do lado de cá da cortina, onde eu disse que estaria sempre. Corri, sufocando o medo, que não me conseguissem perdoar.</div></div>]]></content:encoded></item><item><title>O Assalto</title><description><![CDATA[** Foi distinguido com o 1º prémio no 7º concurso literário Papel D'Arroz Editora ** Incluído na coletânea "Um Dia de Loucos" da mesma editora Naquela tarde quente de agosto, três homens conversavam, por entre a frescura bem vinda das árvores. Faziam um interessante trio. Com roupas que já conheceram melhores dias e socas de pau, espraiavam-se na pequena clareira, como que esperando alguma coisa. – Pois é como te digo, Xico. - Dizia o das fartas suíças, sentado num tronco de árvore, enquanto<img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_7e35e4455e3747598ae96d74734f7bda.jpg"/>]]></description><dc:creator>Manuel Amaro Mendonça</dc:creator><link>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2016/01/11/O-Assalto</link><guid>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2016/01/11/O-Assalto</guid><pubDate>Mon, 11 Jan 2016 23:39:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_7e35e4455e3747598ae96d74734f7bda.jpg"/><div>** Foi distinguido com o 1º prémio no 7º concurso literário Papel D'Arroz Editora </div><div>** Incluído na coletânea &quot;Um Dia de Loucos&quot; da mesma editora</div><div>Naquela tarde quente de agosto, três homens conversavam, por entre a frescura bem vinda das árvores. Faziam um interessante trio. Com roupas que já conheceram melhores dias e socas de pau, espraiavam-se na pequena clareira, como que esperando alguma coisa.</div><div>– Pois é como te digo, Xico. - Dizia o das fartas suíças, sentado num tronco de árvore, enquanto acariciava uma pistola ornamentada. - Desta vez não há que enganar! Se algum se armar em galaró, amando-lhe um chumbo entre os olhos, que há de logo ir dar com os cornos aos pés do mafarrico.</div><div>O mais novo dos três, com largas melenas encaracoladas, a escapar-se do chapéu puído, benzeu-se apressadamente.</div><div>– Ora, tem juízo, Zé. - O terceiro, tronco de barrica, barba farta e pele morena, rematou. - Aposto que nem sabes usar esse farragatcho. Estoura-se-te o bacamarte na mão e quem vai desta p’ra melhor és tu!</div><div>– Quê? - O outro ergueu-se de um salto, sacudindo a arma no ar. - Nem tu imaginas as bujardas que já mandei com esta daqui!</div><div>– Ensina-me a atirar com o bacamarte, Zé! - Pediu o mais novo.</div><div>– Isto não é um bacamarte, Tone, sua cavalgadura! - Exclamou o visado, com ar de entendido. - Isto é uma pistola! E uma pistola de fidalgo, por sinal.</div><div>– E atão onde arranjaste essa fidalguia? - Quis saber o Xico.</div><div>– Não te alembras da “visita” à casa do juiz Sarmento?</div><div>– Bô! - O outro não queria acreditar. - Pois astreveste-te a pôr as unhas na pistola do velho baboso? E não disseste nada?</div><div>– Ora pois, aqui, como a vês!</div><div>– Deixa-me atirar, Zé! - Tone insistiu.</div><div>– Quieto! Isto não é brinquedo, Tone, ainda matas alguém! Deixa-te por aí com o varapau e a faca, que é onde és mais artista!</div><div>– Pois a merda do juiz pouco lá tinha que se aproveitasse. Uns cobres descuidados e umas pratas... aposto que o fideputa tem os dobrões enterrados por lá.</div><div>- Não te podes queixar muito. – Continuou Zé. – Lembras-te do presuntinho que mamamos na taberna do Julião à custa do que trouxemos de lá?</div><div>- Atão não? E aquele tinto de estalo? – Xico concordou.</div><div>– Dispara tu, então, Zé! Deixa-me ouvir! – Tone insistia indiferente às lembranças gastronómicas.</div><div>– Deixa-o, Tone! - Riu-se Xico. - Tenho cá a ideia que esse patranhas nem sabe usar a geringonça.</div><div>– Dizes tu, ò zangão! - Zé enervou-se pela utilização da sua alcunha e ofendeu o outro com a dele. Mas começou a explicação aos dois, que entretanto se aproximaram... - Isto é só carregar a póvora e a bala e já está! Ósdepois puxa-se aqui o fecho e está pronta a...</div><div>O potente estampido produzido pela arma deixou todos sem fala enquanto o chapéu de palha do Xico voava e o seu rosto ficava coberto de fuligem.</div><div>– Ah! Excomungado dos demónios! - Gritou o Xico Zangão erguendo o varapau. - Por um cibo não me arrebentavas com os cornos, filho de um cabrão!</div><div>– Foi sem querer, desculpa! - Gritou o patranhas fugindo para trás de umas pedras próximas.</div><div>– Deixa-o! - Pediu Tone colocando-se no caminho do ofendido. - Não vês que foi sem querer?</div><div>– Se tornas a chegar-te a mim com esse estadulho dos infernos, racho-te à barduada! Seu patranhas desmiolado!</div><div>– Pronto! Desculpa, já disse, fugiu-me o fecho dos dedos. - Desculpou-se Zé.</div><div>Amuado, Xico sentou-se numa pedra a resmungar sozinho. Não era sem razão, que era conhecido por zangão; as suas fúrias repentinas e o ar de poucos amigos, punham qualquer um em respeito. A aldeia raiana de onde provinham, era fértil em rebatizar os seus habitantes e Zé, por seu lado, era o patranhas, sempre a exagerar as histórias em que se envolvia e os resultados delas, que a maior parte das vezes lhe eram desfavoráveis. Já o Tone, irmão de Xico, era o canhoto, ou o russo. Poucos gostavam das alcunhas que lhes davam, mas todos colaboravam nos batismos populares que, à falta de outra coisa, podiam servir como insulto ou provocação.</div><div>Mantendo um olho na arma e o outro a vigiar o Xico, Zé recarregou a pistola com pólvora e colocou a esfera metálica que pressionou para o fundo do cano, várias vezes, com a vareta. Em seguida, testou o fecho de pederneira, várias vezes, para se certificar que não se repetia o acidente. Tone falava baixo com o irmão que não parava de resmungar.</div><div>O relincho próximo de um cavalo, deixou os três de ouvido apurado. Breve se começaram a escutar vozes masculinas que conversavam calmamente.</div><div>– Estão aí! - Sussurrou Zé, correndo para junto dos outros.</div><div>Ato contínuo, Tone, em vários saltos, deslocou-se sobre as pedras para o maciço de árvores que os separava da estrada e pôs-se a espreitar.</div><div>– Já lá vêm! - Sussurrou.</div><div>– Quantos são? - Quis saber Xico.</div><div>– Dois na carroça e um a cavalo. O cavaleiro deve ser gente fina, belo chapéu, boas botas...</div><div>– Merda! A coisa deve ser coisa fina, mesmo. Para trazer um guarda... - Reconheceu Zé. – Hoje vamo-nos consolar outra vez na taberna… ai presuntinho…</div><div>– O badocha não te disse o que traziam? - Xico ficou desconfiado.</div><div>– Não. Disse que levavam coisa fina para o solar dos Resendes.</div><div>– Ai! Raios me partam, que caio sempre nas tuas patranhas.</div><div>– Bô! Mas que queres tu? Não encheste os bolsos com o outro mercador de Penafiel? E o peleiro de Amarante? Não vinha cheio de moedas? O badocha não se costuma enganar!</div><div>– Pouca ladradeira aí! - Sussurrou Tone. - Tão quase a chegar! Apresta-te lá prà frente deles, Zé, já que tens o bacamarte.</div><div>– Pistola, asno! - Ralhou-lhe o visado enquanto corria para emboscar a carroça.</div><div>Na estrada, se se pode chamar assim ao caminho de terra batida que ziguezagueava por entre as árvores, os dois carroceiros conversavam despreocupadamente. O cavaleiro que os seguia parecia dormitar em cima da sela. A caixa da carroça vinha ocupada com seis arcas de madeira, cobertas com uma enorme sarapilheira suja.</div><div>Com a cara tapada por um colorido lenço e a pistola apontada aos viajantes, o patranhas caminhou calmamente da berma para o meio da estrada, até que o vissem.</div><div>– Alto lá! - Ordenou.</div><div>– Que é isto? - Indignou-se o condutor da carroça.</div><div>– Isto é um negócio a não perder, amigos forasteiros, - Brincou Zé. - Vocês deixam a carroça e os cavalos e eu deixo-vos ir embora vivos.</div><div>O cavaleiro preparou-se para esporear o cavalo mas, ao nível do rosto, surgiu-lhe a ponta do varapau de Xico que avisou:</div><div>– Quieto aí ò echelência! Não queremos amassar esse bonito chapéu, pois não?</div><div>– Que querem vocês, escumalha da estrada? - A voz carregada de desprezo, fez-se ouvir, enquanto mirava o salteador maltrapilho, de cara tapada, que o ameaçava.</div><div>– Não vos disse já o meu amigo ao que vínhamos? - Tone saltou para a carroça, com um varapau numa mão e uma faca com doze centímetros de lâmina na outra. - Queremos o que tão bem guardais!</div><div>– Pois sabes tu quem queres roubar? - Perguntou o carroceiro voltando-se para o salteador nas suas costas. - Esta encomenda é para o casamento da filha do senhor da casa do Pinheiro!</div><div>– E a filha também aqui vem? Se viesse talvez se lhe arranjasse serventia! - Riu Tone.</div><div>– Pelo menos durante algum tempo! - Apoiou Zé soltando uma gargalhada.</div><div>– Escumalha! - Sem dar tempo a Xico reagir, o cavaleiro puxou de uma pistola que apontou para Zé. O visado, que tinha a sua própria arma apontada para o ar, baixou rapidamente a pistola para disparar. A esfera de chumbo caiu do cano, para espanto de todos.</div><div>Quem salva a situação é Xico. Desfechou uma violenta pancada na arma do cavaleiro fazendo-a disparar-se inadvertidamente junto à orelha da montada. Assustado, o animal empinou-se, derrubando o cavaleiro em cima do assaltante e desatando num galope desenfreado. Zé conseguiu atirar-se para o lado no último momento e salvar-se de ser pisoteado. O carroceiro controlou o outro cavalo com dificuldade, enquanto Tone ameaçava o pendura com a faca:</div><div>– Quieto aí, ò artajeiro! Não te astrevas a mexer!</div><div>A força descomunal de Xico foi suficiente para, com um empurrão e um soco, levar a melhor sobre o cavaleiro apeado e ameaça-lo com a sua faca:</div><div>– Quieto já! Ou queres ir visitar o barzabu? - Sem tirar os olhos do homem, gritou para Zé. - Que os diabos te encham de pulgas, trampolineiro de um raio! Não te disse que esse bassouro só ia arranjar m...?</div><div>– Caiu a porcaria da bala! Que queres que te faça? Era pequena! - Desculpou-se ele.</div><div>– Vocês são uns pantomineiros! - Acabou por rir-se o cavaleiro. - O circo está montado!</div><div>Xico socou o homem com força num braço:</div><div>– Estás a pedi-las! Vamos levar as coisas e deixar-vos aqui, vê lá se queres que te deixe com uma perna partida.</div><div>– Deixem-se de refustedo! - Gritou Tone. - Amarra esse fideputa, e tu, Zé, anda aqui ajudar a amarrar estes! Deixa a excomungada da bala, não procures mais!</div><div>Rapidamente, os três homens foram sentados de costas uns para os outros e amarrados todos juntos. Os apavorados carroceiros mantinham as cabeças baixas mas o cavaleiro continuava desaforado e olhava furiosamente os assaltantes.</div><div>– Que foi? - Xico deu-lhe um pontapé num braço. - Queres comer-me é? Tens muito que crescer, ò fininho!</div><div>– Ainda hei de descobrir quem são vocês! Arranjarei com que deem com o lombo no calabouço, seus facínoras!</div><div>– Isso querias tu, fidalgote! - Agora era Zé apontava a pistola ao nariz do provocador. - Olha que já está carregada!</div><div>– Onde arranjaste uma arma decorada a prata, pelintra? - O homem não se intimidava.</div><div>Os três assaltantes olharam-se e depois olharam a arma.</div><div>– Não sabiam! - O cavaleiro soltou uma gargalhada. - Vocês são os ladrões da mais triste figura que já vi!</div><div>– Vamos embora daqui antes que eu arrebente com o cornos a este artajeiro. - Disse Xico.</div><div>Saltaram os três para a carroça e começaram a deslocar-se rindo-se e acenando adeus ao infortunados assaltados. O cavaleiro ficou a insulta-los e a amaldiçoa-los em altos berros.</div><div>Depois de uma viagem de mais de uma hora, em que Xico não parou de insultar e humilhar um amuado Zé, pararam afastados da estrada, junto de uma descida para o rio.</div><div>Atiraram-se às arcas e rebentaram os fechos para verem o valor da presa; a primeira, estava cheia de pratos da mais fina porcelana, pintados à mão. Tone ficou-se de boca aberta a olhar para os outros exibindo uma das coloridas peças de loiça.</div><div>Furiosos, abriram todas as arcas. Mais pratos e copos de cristal. Não havia dúvidas que tinham entre mãos a loiças destinadas ao casamento da filha do senhor da casa do Pinheiro.</div><div>– Por todos os demónios dos infernos!!!!! - Gritou Xico numa fúria, dando murros e desfazendo as tampas das arcas. - Só roubamos cacos!!!! Ai a cabra da sorte!!!</div><div>– Quando eu puser as mãos no moncoso do badocha, vou fazê-lo em pedaços!!! - Exclamou Zé, ultrajado.</div><div>– Eu havia de te arrebentar as fuças a ti, seu patranhas do inferno! Tu é que nos meteste nesta porcaria! Porque é que me deixo sempre levar por ti? - Xico ergueu Zé pelos colarinhos enquanto encostava nariz com nariz.</div><div>– Esperem, esperem! - Tone sorria. - Sei de um galego em Chaves que dará bom dinheiro por isto, os pais dele têm uma tenda na Espanha e vendem esta bosta toda lá. Às tantas ainda compra o cavalo e a carroça também. Estamos safos!</div><div>Xico atirou com Zé para o chão da carroça:</div><div>– Pode ser que não seja por hora que mando este infeliz para o inferno! Vamos ver também se não quer comprar uma pistola decorada a prata!</div><div>Cabisbaixo, Zé ergueu-se, apanhou a adorada pistola do soalho da carroça e meteu-a na cinta. Prendeu-a pela corda que lhe segurava as calças puídas.</div><div>– Vamos embora então. - Disse Tone enquanto se sentava no lugar de condutor da carroça. - Temos que chegar com dia.</div><div>Zé encaminhou-se para o lugar do pendura e estava a sentar-se quando Xico o empurrou para fora:</div><div>– Espera lá! Agora vou eu aí!</div><div>Desequilibrado, ele saltou da boleia para junto das patas traseiras do cavalo. A pistola caiu-lhe da cinta e bateu com força numa pedra. O disparo ecoou como uma bomba no silêncio do vale e o animal espantou-se com o súbito ruído. Com um potente coice na carroça, fez cair os dois bandidos e partiu à desfilada, levando a carga aos saltos pelo caminho pedregoso. Logo na primeira curva, o veículo voltou-se e despedaçou-se num estrondo de cacos e vidros. Sentindo-se solto, o cavalo aumentou o galope desapareceu de vista.</div><div>Os três infelizes quedaram-se incrédulos a assistir ao epílogo da sua aventura até que Zé, olhando para os outros dois, desatou a correr na direção contrária à tomada pelo animal.</div><div>– Espera aí, seu manhuço! Filho de um coirão! - Xico começou a correr atrás dele. - Não fujas, vou-te dar uma saronda que te racho, cochino, labrego! Espera que já as vais larpar, seu gandulo! Não fujas!</div><div>Desanimado, Tone quedou-se a olhar a nuvem de poeira deixada pelo cavalo em fuga e para os restos despedaçados da carroça. Depois olhou para o outro lado, onde o seu irmão perseguia o patranhas, aos gritos. Baixou-se, apanhou a pistola e prendeu-a na cinta.</div><div>“Pelo menos a prata deverá valer alguma coisa, porque como arma, é uma desgraça.” – Pensou enquanto se metia ao caminho, atrás dos outros dois. – “Talvez consigamos chegar a casa ainda antes da meia noite… mas desta vez não põem os dentes no presunto da taberna do Julião.”</div></div>]]></content:encoded></item><item><title>Lágrimas no Rio</title><description><![CDATA[Quer receber uma pequena amostra do texto em PDF? Preencha este formulário!Avelino Montenegro é o filho do proprietário mais importante de São Cristóvão do Covelo.Estava na longínqua cidade do Porto a estudar as ciências necessárias para gerir o património da família, quando o pai, Honório Montenegro, o mandou regressar. Mesmo naquela aldeia remota do trás os montes profundo, chegaram os ecos da guerra iminente entre D. Pedro, ex imperador do Brasil, e o irmão D. Miguel, que usurpara o trono<img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_ec12d1c14a204aaca11794870f44c57b.jpg"/>]]></description><dc:creator>Manuel Amaro Mendonça</dc:creator><link>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2015/12/28/L%C3%A1grimas-no-Rio</link><guid>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2015/12/28/L%C3%A1grimas-no-Rio</guid><pubDate>Mon, 28 Dec 2015 22:38:57 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_ec12d1c14a204aaca11794870f44c57b.jpg"/><div>Quer receber uma pequena amostra do texto em PDF? Preencha este formulário!</div><div>Avelino Montenegro é o filho do proprietário mais importante de São Cristóvão do Covelo.</div><div>Estava na longínqua cidade do Porto a estudar as ciências necessárias para gerir o património da família, quando o pai, Honório Montenegro, o mandou regressar.</div><div>Mesmo naquela aldeia remota do trás os montes profundo, chegaram os ecos da guerra iminente entre D. Pedro, ex imperador do Brasil, e o irmão D. Miguel, que usurpara o trono pertencente a D. Maria, sua sobrinha.</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_95abe39f14e04f1aa996bdfc13b6dda2.jpg"/><div>Antevendo que as maiores cidades, como Lisboa e o Porto, seriam palco de grandes confrontos, Honório convoca o filho para a segurança do isolamento nas serras.</div><div>Depois de ter estado numa cidade, onde os ventos do liberalismo sopravam, a aldeia representa uma</div><div>contrariedade. Parece-lhe demasiado pequena e as pessoas cheias de ideias embotadas por preconceitos. Pretende ficar retido ali o menos tempo possível. Os olhos de Maria da Conceição, porém, vão fazê-lo repensar as suas alternativas... e trazer-lhe dissabores.</div><div>Gradualmente, começa a conhecer facetas da sua terra natal de que nunca tivera conhecimento, no entanto, um segredo muito mais tenebroso está escondido e tarda em ser revelado.</div><div>Quando finalmente se começa a ver a si próprio, ao lado do pai, a gerir o património que um dia será seu, o destino troca-lhe as voltas e atira-o num “tudo ou nada” onde a sua formação moral vai ser decisiva para o levar ao sucesso... ou à desgraça.</div><div>A capa de &quot;Lágrimas no Rio&quot; é um trabalho de Pedro Góis (<a href="https://www.facebook.com/pedrogoisdesign">https://www.facebook.com/pedrogoisdesign/</a>)</div></div>]]></content:encoded></item><item><title>Coletânea OBSESSÕES</title><description><![CDATA[Mais um dos meus textos seleccionados para uma coletânea. O conto "Prioridades" foi escolhido para a coletânea "Obsessões" da Lua de Marfim Editora ******************************************** Caros Participantes da Colectânea “Obsessões”, Muito Obrigada por estarem presentes nos nossos projectos literários e pelo envio de tão fantásticas participações. É por isso que a LUA sorri! Aos 133 participantes seleccionados, os quais constam na lista que abaixo transcrevemos, os nossos parabéns. É hora<img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_1bf5542468d243dfaa6e2ac1dd54ea61.jpg"/>]]></description><dc:creator>Lua de Marfim Editora</dc:creator><link>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2015/12/21/Colet%C3%A2nea-OBSESS%C3%95ES</link><guid>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2015/12/21/Colet%C3%A2nea-OBSESS%C3%95ES</guid><pubDate>Mon, 21 Dec 2015 20:38:31 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_1bf5542468d243dfaa6e2ac1dd54ea61.jpg"/><div>Mais um dos meus textos seleccionados para uma coletânea.</div><div>O conto &quot;<a href="http://manuelamaro.wix.com/autor#!Prioridades/th2f5/5678639a0cf2c2b7798d99d0">Prioridades</a>&quot; foi escolhido para a coletânea &quot;Obsessões&quot; da Lua de Marfim Editora</div><div>********************************************</div><div>Caros Participantes da Colectânea “Obsessões”,</div><div>Muito Obrigada por estarem presentes nos nossos projectos literários e pelo envio de tão fantásticas participações. É por isso que a LUA sorri!</div><div>Aos 133 participantes seleccionados, os quais constam na lista que abaixo transcrevemos, os nossos parabéns. É hora de celebrar.</div><div>Aos participantes não seleccionados os nossos agradecimentos com a certeza que nos encontraremos no próximo projecto.</div><div>Pedimos aos participantes que ainda não enviaram as declarações de autorização e/ou o documento de identificação respectivo que o façam no prazo máximo de 3 dias, sob pena de exclusão.</div><div>Em breve anunciaremos a data e o local de lançamento deste fantástico livro.</div><div>Recebam todos um sorriso especial: aqui da LUA.</div><div>Participantes seleccionados:</div><div>Ana Filipa Silva</div><div>Ana Gomes Branco</div><div>Ana Isabel Fonseca</div><div>Ana Maria de Oliveira Vilela</div><div>Ana Maria Santos</div><div>Ana Oliveira Dias</div><div>António Branco</div><div>António Esteves Serra</div><div>António Granja</div><div>António Jorge</div><div>António MR Martins</div><div>António Murteira da Silva</div><div>António Pereira</div><div>Beni Chaúque</div><div>Betty Blue</div><div>Carla Bernardes</div><div>Carla Tavares</div><div>Carlos Arinto</div><div>Catarina Freire</div><div>César Tomé</div><div>Cláudio Gonçalves</div><div>Conceição Piçarra Canhoto Vintém</div><div>Cristiana Pereira</div><div>Cristina Murteira</div><div>Cristina Teixeira Pinto</div><div>Dionísio Dinis</div><div>Don Santos</div><div>Eduarda Faia - condicional</div><div>Eduardo Montepuez</div><div>Eloah Amorim Bairral</div><div>Ema Marto</div><div>Estêvão de Sousa</div><div>Eurico Luciano Rassude</div><div>Fánia Vasco José Manuel Pagocho</div><div>Fátima Freitas</div><div>Filipa Gomes</div><div>Francisca M. Patarata do Monte Pires</div><div>Francisca Sousa</div><div>Gabriela Lopes</div><div>Gabriela Pais</div><div>Gabriela Rocha Martins</div><div>Goreti Dias</div><div>Gracinda Sousa</div><div>Helena de Sousa Freitas</div><div>IF</div><div>Ilda do Vale de Sousa</div><div>Inês Ribeiro Lopes</div><div>Inês Rocha</div><div>Isabel Antunes</div><div>Isabel Lopo</div><div>Isabel Santos</div><div>Isidro Sousa</div><div>Jair Guerra</div><div>Jesús Recio Blanco</div><div>João Barreiros</div><div>João Marinheiro</div><div>João Serrão</div><div>João Videira Santos</div><div>Joaquim Bispo</div><div>Jorge Manuel Ramos</div><div>José Adriano Passeira</div><div>José Alex Gandum</div><div>José Duarte Soares</div><div>Juliana Teresa Esperança</div><div>Leonel Nogueira</div><div>Leopoldo Fachada</div><div>Lino Mukurruza</div><div>Lucília Gonçalves Pinheiro</div><div>Luís Ausse</div><div>Luís Filipe Pereira</div><div>Luísa Cruz</div><div>Lurdes Aguiar Trilho</div><div>Mª João Monteiro</div><div>Mafalda Gonçalves Johannsen</div><div>Manuel Amaro Mendonça</div><div>Manuel de Albergaria</div><div>Marcela Lima</div><div>Marcella Reis</div><div>Marco Barrancos</div><div>Margarida Piloto Garcia</div><div>Maria André Leite</div><div>Maria Cristina Pinheiro Moita</div><div>Maria da Conceição Saraiva Roxo Orvalho</div><div>Maria de Fátima Esteves Martins</div><div>Maria de Fátima Gouveia</div><div>Maria Dias</div><div>Maria Dulce Guerreiro</div><div>Maria Magalhães</div><div>Maria Vieira</div><div>Mariana Gil</div><div>Marta Moita</div><div>Marta Velha</div><div>Marta Vinhais</div><div>Maximina Girão</div><div>MBarreto Condado</div><div>Micaela Morais</div><div>Mouzinho Narope</div><div>Muachigombana Massingue</div><div>Nuno Reis Esteves</div><div>Olívia Santos</div><div>Otildo Justino Guido</div><div>Paulo Gomes</div><div>Paulo Lemos de Almeida</div><div>Paulo Nogueira</div><div>Paulo Rodrigues</div><div>Pedro Marraque e Eugénia Pires</div><div>Pedro Ventura</div><div>Prazeres Jacinto</div><div>Quita Miguel</div><div>Raquel Sofia</div><div>Regina Luz</div><div>Rosa Branquinho</div><div>Rosa Santos Oliveira</div><div>Rosário Pereira</div><div>Rui Jesus</div><div>Rui Machado</div><div>Rui Quental Mendes</div><div>Sara Agostinho</div><div>Sara Timóteo</div><div>Semeano Oliveira</div><div>Sérgio Batista</div><div>Sofia Margarida Pereira</div><div>Sónia Nunes</div><div>Suzete Carvalho</div><div>Suzete Santos</div><div>Tatiana Trilho</div><div>Teresa Crespo</div><div>Teresa Pêgo</div><div>Urze Ventura</div><div>Vanda Sôlho</div><div>Vera Sousa Silva</div><div>Violeta Seixas Yolanda Silva</div></div>]]></content:encoded></item><item><title>Coletânea O Poder do Vício</title><description><![CDATA[O conto "Tudo em Jogo" foi selecionado para fazer parte da coletânea "O Poder do Vício" da papel D'Arroz Editora Agora sim - todos os Autores de O PODER DO VíCIO - uma colecção de "vícios"... Colectânea do 6º Concurso Literário da papel D´Arroz Editora Suzete Fraga - foi a vencedora! Mais uma vez - parabéns!! atentos aos mails com as novidades sobre a edição AUTORES PODER DO VÍCIO ALBERTO CUDDEL Alijah Hollerbach ANA PAULA BARBOSA ANDREIA DIAS ANGELA CABOZ ANGELINA VIOLANTE- AVELINO ROSA BÁRBARA<img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_b6ec7fe1fb1c429da4f78c4a07ef7a95.jpg"/>]]></description><dc:creator>Papel D'Arroz Editora</dc:creator><link>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2015/12/15/Colet%C3%A2nea-O-Poder-do-V%C3%ADcio</link><guid>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2015/12/15/Colet%C3%A2nea-O-Poder-do-V%C3%ADcio</guid><pubDate>Tue, 15 Dec 2015 23:28:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_b6ec7fe1fb1c429da4f78c4a07ef7a95.jpg"/><div>O conto &quot;<a href="http://manuelamaro.wix.com/autor#!Tudo-em-Jogo/th2f5/563d2df90cf275e9c59b713a">Tudo em Jogo</a>&quot; foi selecionado para fazer parte da coletânea &quot;O Poder do Vício&quot; da papel D'Arroz Editora</div><div>Agora sim - todos os Autores de  O PODER DO VíCIO - uma colecção de &quot;vícios&quot;... Colectânea do 6º Concurso Literário da papel D´Arroz Editora  Suzete Fraga - foi a vencedora! Mais uma vez - parabéns!!  atentos aos mails com as novidades sobre a edição AUTORES PODER DO VÍCIO  ALBERTO CUDDEL Alijah Hollerbach ANA PAULA BARBOSA ANDREIA DIAS ANGELA CABOZ ANGELINA VIOLANTE- AVELINO ROSA BÁRBARA BATISTA BETTA FERNANDES  BRUNO SANTOS CARINA SANTOS CARLA GOMES CARLA SANTOS CLARA MACARRÃO CLÁUDIA GUERREIRO DANIEL COSTA ELICIO SANTOS NASCIMENTO EMÍLIA PEDREIRO ERALD BAST FÁTIMA ENCARNADO FERNANDO MORGADO GABRIELA LOPES SÓNIA CARDOSO GLAURA GERHARD HELENA F HERMÍNIO VEIGA DA SILVA ILANA LIMA ISA PATRÍCIO ISABEL FONSECA JOÃO PERALTA JOSÉ GUTERRES  MANUEL AMARO MENDONÇA MARCELLA RODRIGUES DOS REIS MARCELO DE OLIVEIRA SOUZA MARIA COSTA  MARIA HELENA RODRIGUES DE JESUS MARIA JOÃO PACHECO MARINA FERRAZ MURILO SILVA LILLO NATÁLIA VALE NUNO SOBRAL CAMELO PAULA SANTOS QUITA MIGUEL REGINA COELHO ROSA BRANQUINHO SARA TIMÓTEO SERGIO SOLA SUZANA D´EÇA SUZETE FRAGA TERESA MORAIS  TIAGO GONÇALVES</div></div>]]></content:encoded></item><item><title>Coletânea BOAS FESTAS</title><description><![CDATA[O conto "Natal em Família" foi selecionado para fazer parte da coletânea "Boas Festas" da Silkskin Editora. BOAS FESTAS Antologia de Natal Prosa e Poesia Foram seleccionados cinquenta autores para integrar «Boas Festas», a antologia de Natal que a Silkskin Editora publicará - já no fim de Novembro. Esta obra inclui 29 textos em prosa (contos e crónicas com as mais variadas histórias ambientadas na quadra natalícia) e 51 poemas natalinos ao longo de 260 páginas. Todos os Autores estão de<img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_50545c166eb94a6c8928d7d1c1a5b74d.jpg"/>]]></description><dc:creator>Sylkskin Editora</dc:creator><link>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2015/11/23/Colet%C3%A2nea-BOAS-FESTAS</link><guid>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2015/11/23/Colet%C3%A2nea-BOAS-FESTAS</guid><pubDate>Mon, 23 Nov 2015 22:29:44 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_50545c166eb94a6c8928d7d1c1a5b74d.jpg"/><div>O conto &quot;<a href="http://manuelamaro.wix.com/autor#!Natal-em-Família/th2f5/56539dae0cf29bcc7d6d47aa">Natal em Família</a>&quot; foi selecionado para fazer parte da coletânea &quot;Boas Festas&quot; da Silkskin Editora.</div><div>BOAS FESTAS Antologia de Natal Prosa e Poesia</div><div>Foram seleccionados cinquenta autores para integrar «Boas Festas», a antologia de Natal que a Silkskin Editora publicará - já no fim de Novembro. Esta obra inclui 29 textos em prosa (contos e crónicas com as mais variadas histórias ambientadas na quadra natalícia) e 51 poemas natalinos ao longo de 260 páginas. Todos os Autores estão de parabéns! Divulgamos (já a seguir) o nome de todos os autores que integram este verdadeiro «presente» de Natal... assim como a capa da antologia.</div><div>BOAS FESTAS 50 Autores - 80 Textos - 29 Contos e Crónicas - 51 Poemas Coordenação: Isidro Sousa | Edição: Silkskin Editora  www.facebook.com/silkskineditora Email: silkskineditora@gmail.com</div><div>AUTORES:</div><div>Akira Sam Albertina Vaz Amélia Ferreira Ana Maria Dias Ana Paula Barbosa Ângela Cerqueira Angelina Violante António B. Fonseca António Guedes Alcoforado Arnaldo Teixeira Santos Carla de Sá Morais Carla Santos Ramada Carlos Arinto Chico Mulungu David Sousa Diniz de Sousa Eduardo Ferreira Eduardo Oliveira Estêvão de Sousa Fernanda Cruz Filipe Vieira Branco Guadalupe Navarro Isidro Sousa J. V. Forte Joaquim Bispo Joaquim Calado Mendes Jorge Manuel Ramos José Teixeira Lia Molina Lucinda Maria Manuel Albergaria Manuel Amaro Mendonça Manuel Timóteo Matos Marcella Reis Margarida Piloto Garcia Maria Côrrea Maria João Pacheco MtM Teresa Manuel Ondina Duarte Paula Laranjo Pedro Miguel Ferreira Rafa Goudard Ricardo de Lohem Ronair Gama Rosa Branquinho Sara Timóteo Sávio Christi Sérgio Sola Suzete Fraga Vítor Duarte</div></div>]]></content:encoded></item><item><title>Prioridades</title><description><![CDATA[** Texto seleccionado para a coletânea "Obsessões" da Lua de Marfim Editora Fábio, de olhos fixos no ecrã, roía nervosamente a caneta. Apontamentos em dezenas de folhas estavam espalhados sobre o tampo da secretária, por baixo dos cotovelos e sobre o teclado. As linhas pretas sobre fundo branco pareciam ondular e emitiam reflexos sobre as lentes dos óculos. De tempos a tempos, ideias brotavam através dos dedos para as teclas e fundiam-se em frases que se materializavam no texto. De súbito, uma<img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_5b2f17aec6704848b714836c2701cbac.jpg"/>]]></description><dc:creator>Manuel Amaro Mendonça</dc:creator><link>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2015/11/18/Prioridades</link><guid>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2015/11/18/Prioridades</guid><pubDate>Wed, 18 Nov 2015 21:17:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_5b2f17aec6704848b714836c2701cbac.jpg"/><div>** Texto seleccionado para a coletânea &quot;Obsessões&quot; da Lua de Marfim Editora</div><div>Fábio, de olhos fixos no ecrã, roía nervosamente a caneta. Apontamentos em dezenas de folhas estavam espalhados sobre o tampo da secretária, por baixo dos cotovelos e sobre o teclado. As linhas pretas sobre fundo branco pareciam ondular e emitiam reflexos sobre as lentes dos óculos. De tempos a tempos, ideias brotavam através dos dedos para as teclas e fundiam-se em frases que se materializavam no texto.  De súbito, uma dúvida assaltou-o e começou a rebuscar os rascunhos até que, pelo canto do olho, percebeu a presença encostada ao umbral da porta. Olhou, entre o surpreendido e o confundido para Eduarda que, de braços cruzados, exibia uma expressão de desagrado. - É... para ir jantar? - Perguntou hesitante. - Era. Era mesmo para ir jantar. - A voz rouca dela era firme e cheia de acusações. - Há uma hora atrás, quando te vim chamar e me disseste que já ias. - Uma hora?!? - Ele continuava confundido. - Chamaste-me? Não me lembro. - Sim, uma hora, Fábio Ferreira. Mais de uma hora que estive à tua espera. Acabei agora mesmo o meu jantar… frio! - Oh, meu amor, desculpa-me, mas eu... - Sim, eu sei, tens esse teu maldito livro na cabeça e não tens espaço para mais nada. Há mais de quatro meses que não pensas noutra coisa... mesmo! - … tenho que acabar este livro, enquanto não o fizer, não consigo sequer dormir! A posição dela alterou-se. Colocou as mãos atrás do corpo e olhou para o chão enquanto se queixava baixinho: - Não aguento mais isto… - Por favor... - Ele ergueu-se e tentou abraça-la, sendo sacudido de imediato. - Não vês que é uma fase? Assim que acabar o livro tudo será diferente. - Diferente? Diferente até quando? Até ao próximo livro? Achas que é fácil? Viver num mundo sozinha, em que tu estás de corpo presente mas com a cabeça sabe-se lá onde? Faço-te perguntas e não respondes ou respondes tanto tempo depois que já nem sei do que falas. Há quanto tempo não temos uma conversa sobre qualquer coisa? Passo refeições sozinha, a olhar para televisão, sem saber o que está a dar... contigo a meu lado. - Mas estou ao teu lado sempre que posso... Acusas-me de ser lento a responder-te porque estou ausente e não te dou atenção. Para ti é fácil, a tua cabeça está cheia de ligações ao mundo e ao ambiente que te rodeia. A minha, está cheia de mundos e de vida interior... quando demoro a responder, é porque já vivi uma vida inteira, entre a tua pergunta e a minha resposta. Ela olhou-o estranhamente e ele sorriu-lhe com tristeza enquanto apreciava o cabelo claro, curto, que lhe dava um aspeto de rapazinho e o rosto fino e sardento que ele tanto amava. Tentou acariciar-lhe o rosto mas ela evitou o contato.  - Ausente, sempre! - Concluiu ela. - Seja absorvido por um livro, seja a escrevinhar com demência em qualquer papel, ou enclavinhado no computador! - A voz alterada atenuou-se e as lágrimas pareciam querer explodir nos olhos castanhos. - Onde estás tu, que não estás comigo? Que é que te leva para esse mundo distante, onde eu não estou e não te faço falta? - Não é verdade, que não me fazes falta! Eu amo-te, preciso de ti e não posso viver sem ti! - Para te lavar a roupa, arrumar a casa e... fazer amor... quando te lembras. Quantas vezes dormiste, nessa secretária, só este mês? Quantas vezes vieste gelado para a cama, já de madrugada, apenas para te enroscares em mim e adormecer de imediato? Estou farta! - Desculpa-me! Eu compreendo que não deve ser fácil para ti mas, não consigo evitar. São os mundos, dentro da minha cabeça, milhões de mundos, aos quais me ligo e me perco. Quando as ideias começam a fluir, é como um transe onde visualizo cada cena, cada personagem, cada expressão. Tenho que escrever tudo, antes que se vá. Antes que desapareçam para sempre, como farrapos de um sonho aos primeiros raios da alvorada. - Não posso mais! - Ela repetiu agora voltando-lhe as costas e dirigindo-se para o quarto. - Fica-te com os teus mundos e não me incomodes... eu vou arranjar, o que for preciso, para não te incomodar mais. A porta do quarto estrondeou com força fazendo tremer os vidros na cristaleira. Ele quedou-se em pé olhando o corredor e a luz que se escoava por baixo da porta. Sabia que devia ir ter com ela, tentar compor as coisas, a sua cabeça fervilhava de ideias, de coisas que precisava escrever. Olhou para a secretária e, no chão, reluzia o apontamento que ele procurava. Apanhou-o, sentou-se em frente ao computador e recomeçou a escrever. A luz do sol entrava pela aberturas das persianas, Fábio dormia com a cabeça sobre a secretária, os óculos dobrados a marcar-lhe o rosto e a boca aberta numa respiração pesada. Alguns papéis espalhavam-se pelo chão. Eduarda, mala na mão, olhou-o uma última vez. As lágrimas corriam-lhe livremente pelo rosto enquanto, por breves instantes, refulgiram com aquele brilho que ele acendia neles há uma eternidade atrás. Depois, como que acordada de um sonho, limpou as lágrimas com as costas da mão e pousou as chaves da casa na secretária ao pé do homem adormecido. Caminhou, lenta mas firmemente e saiu do apartamento, fechando a porta com cuidado para não acordar o marido.</div></div>]]></content:encoded></item><item><title>Coletânea A BÍBLIA DOS PECADORES</title><description><![CDATA[O conto "Tudo por Amor" foi selecionado para ser incluído nesta magnifica coletânea. Antologia de textos literários inspirada nas histórias da Bíblia Organização: Isidro Sousa A Colombiana – PEDRO MIGUEL FERREIRA A Coroa da Jamaica – EDSON AMARO DE SOUZA A Estátua de Sal – GUADALUPE NAVARRO A História e Seus Ciclos – ROSA BRANQUINHO A Morte de Reinaldo – ISIDRO SOUSA A Pequena Grande Cruz – MARCELLA REIS A Recuperação de um Andarilho – LIA MOLINA A Serpente da Discórdia – TON BOTTICELLI A<img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_c88dbaf0466448ca9da3a5dd3a3bbfdc.jpg"/>]]></description><link>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2015/11/5/Colet%C3%A2nea-A-B%C3%8DBLIA-DOS-PECADORES</link><guid>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2015/11/5/Colet%C3%A2nea-A-B%C3%8DBLIA-DOS-PECADORES</guid><pubDate>Thu, 05 Nov 2015 14:43:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_c88dbaf0466448ca9da3a5dd3a3bbfdc.jpg"/><div>O conto &quot;<a href="http://manuelamaro.wix.com/autor#!Tudo-por-Amor/th2f5/5639267c0cf275e9c5963103">Tudo por Amor</a>&quot; foi selecionado para ser incluído nesta magnifica coletânea.</div><div>Antologia de textos literários inspirada nas histórias da Bíblia Organização: Isidro Sousa </div><div>A Colombiana – PEDRO MIGUEL FERREIRA A Coroa da Jamaica – EDSON AMARO DE SOUZA A Estátua de Sal – GUADALUPE NAVARRO A História e Seus Ciclos – ROSA BRANQUINHO A Morte de Reinaldo – ISIDRO SOUSA A Pequena Grande Cruz – MARCELLA REIS A Recuperação de um Andarilho – LIA MOLINA A Serpente da Discórdia – TON BOTTICELLI A Tentação de Ivam – AKIRA SAM A Violência no Mundo – TÂNIA TONELLI A XV Geração – JORGE MANUEL RAMOS Acredita em Mim – SAKURA SHOUNEN Amargura – SARA TIMÓTEO As Fases da Lua – BÁRBARA BAPTISTA Barrabás – ESTÊVÃO DE SOUSA Cinzento Era o Diabo e Nem o Lobo Mau o Comeu – CARLOS ARINTO Como Um Grão de Mostarda – PAULA HOMEM Desistência – ANA MARIA DIAS Dezessete – ANTÓNIO GUEDES ALCOFORADO Ex-Umbris ad Lucem – ISA PATRÍCIO Filha da Luz – MARI MARQUES Filho Com Nome de Código – TERESA MORAIS Jesus Decide Voltar à Terra – MARIA CÔRREA Maria Madalena – ANA PAULA BARBOSA Mulher Padece... – MARIA DE FÁTIMA SOARES Não Te Negarei... – SÉRGIO SOLA No Tempo Em Que as Flores Sorriam – DANIEL VICENTE Nova Vida – RICARDO DE LOHEM O Beijo de Judas – JOSÉ TEIXEIRA O Evangelho Perdido de Barrabás – EDUARDO FERREIRA O Fantasma do Pai – CAMILO DE LÉLIS O Mestre – JOAQUIM BISPO O Peregrino – JOSÉ DUARTE MATEUS BEATRIZ O Princípio do Fim – ROBERT MAR Os Infiéis – FERNANDO MORGADO Os Pardais de Jesus – JORGE PINCORUJA Perdoa-me, Meu Deus! – PAULO RODRIGUES Possuir é Amar...?! – MARIA HELENA GUEDES Quem Nunca Pecou? – LUCINDA MARIA Sebastian Icarus e a Conspiração Luminus Seven – JONNATA HENRIQUE Sheol – YOLANDA SILVA Sombras do Passado – SUZETE FRAGA Tenório e Falcão, Saligia – EDUARDO C. DUQUE Trapalhadas Amorosas – ANGELINA VIOLANTETudo Por Amor – MANUEL AMARO MENDONÇA Um Novo Amor – JERACINA GONÇALVES</div></div>]]></content:encoded></item><item><title>6º Concurso literário da Papel D'Arroz Editora - 3º Classificado</title><description><![CDATA[Aqui estão os resultados finais Concurso Literários "O PODER DO VÍCIO" 1º Lugar - Suzete Fraga 2º Lugar - Bruno Santos 3º Lugar - Manuel Amaro Mendonça﻿ Com o conto "Tudo em Jogo" Vão ser incluídos na coletânea com o mesmo nome "O Poder do Vício"<img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_8b9bc5bcfbb548f18192abf228bf0ecf.jpg"/>]]></description><dc:creator>Manuel Amaro Mendonça</dc:creator><link>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2015/11/5/6%C2%BA-Concurso-liter%C3%A1rio-da-Papel-DArroz-Editora-3%C2%BA-Classificado</link><guid>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2015/11/5/6%C2%BA-Concurso-liter%C3%A1rio-da-Papel-DArroz-Editora-3%C2%BA-Classificado</guid><pubDate>Thu, 05 Nov 2015 14:18:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><div>Aqui estão os resultados finais Concurso Literários &quot;O PODER DO VÍCIO&quot; 1º Lugar - Suzete Fraga 2º Lugar - Bruno Santos 3º Lugar - Manuel Amaro Mendonça﻿</div><div>Com o conto &quot;<a href="http://manuelamaro.wix.com/autor#!Tudo-em-Jogo/th2f5/563d2df90cf275e9c59b713a">Tudo em Jogo</a>&quot;</div><div>Vão ser incluídos na coletânea com o mesmo nome &quot;<a href="http://manuelamaro.wix.com/autor#!Coletânea-O-Poder-do-Vício/th2f5/5679dca00cf2c2b7798ef3c7">O Poder do Vício</a>&quot;</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_8b9bc5bcfbb548f18192abf228bf0ecf.jpg"/></div>]]></content:encoded></item><item><title>Tudo por Amor</title><description><![CDATA[Imagem: Grant Beecher - A Dramatic Death - Filckr ** Conto publicado na coletânea "A Bíblia dos Pecadores" “E o cadáver de Jezabel será como esterco sobre o campo, na herdade de Jizreel; de modo que não se possa dizer: Esta é Jezabel.” 2 Reis 9:37 Ângela era uma mulher bem sucedida. Casada com um dos mais importantes industriais das conservas portuguesas, era ela própria filha de outro industrial do mesmo ramo, arruinado durante a expansão de Henrique Mello, seu sogro. Sentiu-se humilhada quando<img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_aecf1cf2244b4ca4b38106524113575f.jpg"/>]]></description><dc:creator>Manuel Amaro Mendonça</dc:creator><link>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2015/11/3/Tudo-por-Amor</link><guid>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2015/11/3/Tudo-por-Amor</guid><pubDate>Tue, 03 Nov 2015 22:10:27 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_aecf1cf2244b4ca4b38106524113575f.jpg"/><div>Imagem: Grant Beecher - A Dramatic Death - Filckr</div><div>** Conto publicado na coletânea &quot;A Bíblia dos Pecadores&quot;</div><div>“E o cadáver de Jezabel será como esterco sobre o campo, na herdade de Jizreel; de modo que não se possa dizer: Esta é Jezabel.” 2 Reis 9:37</div><div>Ângela era uma mulher bem sucedida. Casada com um dos mais importantes industriais das conservas portuguesas, era ela própria filha de outro industrial do mesmo ramo, arruinado durante a expansão de Henrique Mello, seu sogro. Sentiu-se humilhada quando foi encaminhada para casar com Eduardo Mello, filho do responsável pela desgraça do seu pai, como se se tratasse de despojos de guerra. No entanto, com o passar dos anos, adaptou-se e verificou que Eduardo era muito fácil de lidar e a vida não era assim tão má. Gradualmente, conquistou as boas graças do sogro, o amor do marido... e a inveja do cunhado, Filipe e da mulher, Luciana. Não foi portanto de admirar que, quando faleceu Henrique Mello, o testamento deixasse a maior parte dos bens a Eduardo, nomeadamente a presidência das Conservas Lusas. Ambos os filhos de Henrique estavam bem um para o outro. Se Filipe, o mais novo, não estava habituado a fazer esforços para nada e detinha um curso de Direito, do qual não tirava grande partido, Eduardo, por seu lado, achava que o dinheiro crescia nas árvores apesar do seu curso de gestão. O testamento do pai, inexplicável, na opinião de Filipe, causou a discórdia e várias altercações entre os dois irmãos. Se por um lado Filipe achava que deveria ter uma quota igual ao irmão na conserveira, Eduardo não se conformava que, o quadro a óleo da sua mãe e de quem o irmão quase nem se recordava, não tivesse ficado para ele. Mas o que estava escrito eram as ultimas e soberanas vontades do pai e eles não chegavam a acordo em eventuais trocas. Eduardo geria a empresa sem consultar Filipe e este último conservava o quadro para afrontar o irmão. No meio destas águas turvas estavam Luciana, paraplégica na sequência de uma queda nas escadas onde perdeu o seu único filho e Ângela, ruiva escultural, de voz suave, olhos brilhantes e hipnóticos e... uma vontade de ferro. Da cama que era o seu trono, Luciana espicaçava o marido, contra o irmão e a cunhada, incentivando-o a tomar medidas legais para contestar o estranho testamento que terá sido mudado pouco tempo antes da morte do sogro. Ângela, por seu turno, parecia passar ao lado de tudo isto e, sobre os mares tempestuosos destas relações, apoiava o marido na administração da empresa enquanto revelava capacidades de gestão muito superiores. Eduardo estava feliz. A esposa era de uma beleza estonteante, uma mãe extremosa e uma mulher dedicada... além de uma gestora capaz de administrar a empresa sozinha deixando-o livre para outros assuntos. Cada vez presidia a menos reuniões e dava carta branca a Ângela. Os rendimentos da Conservas Lusas estavam em crescimento. Após a aquisição da maior parte da concorrência durante a gestão do pai, estava-se numa fase de otimização de recursos e processos no “reinado” de ficção de Henrique. Uma das últimas reuniões a que presidiu foi para dar “um puxão de orelhas” a alguns diretores que não queriam acatar as determinações de Ângela e admitir nas reuniões do conselho de direção, com caráter definitivo, a presença de um novo “consultor” na pessoa de João Teixeira, amigo de infância da esposa. Assim podia dedicar-se com mais cuidado à sua última diversão, uma moreninha simpática que trabalhava nos Recursos Humanos. Era uma manhã como as outras e Ângela estava no gabinete da administração, furiosa com os relatórios que lhe chegavam às mãos e que davam conta das quedas nas vendas e do crescente volume de reclamações. Aliado à greve que decorria na fábrica da Nazaré, era um caldo explosivo para o seu temperamento pouco paciente... devia estar a ficar velha, pois já não reconhecia os pequenos contratempos pelo seu tamanho. A parede à sua esquerda, era uma enorme vitrine onde podiam ser apreciados os quase quinhentos metros de extensão dos edifícios fabris. Uma varanda sem outro resguardo que não o vidro e que permitia ver, três pisos abaixo, as enormes caixas da ventilação das câmaras frigoríficas. Apercebeu-se dos dois vultos à entrada do gabinete a sussurrar. Fingiu continuar a trabalhar. Não precisou de levantar os olhos para identificar João Teixeira. - Entra! - Ordenou, ainda sem levantar os olhos, quando ele se preparava para bater na porta. João entrou seguido de um homem baixo e gordo em cuja calva brilhavam gotas de transpiração. Ela recostou-se, rosto inexpressivo, olhando os dois. Os seus pensamentos corriam em alta velocidade; “João e o Francisco Gouveia, o diretor de produção. Oh, como ela desprezava aquele homem covarde e adulador. Sempre todo transpirado... tinha que o suportar. Era um mal necessário. A presença dos dois a esta hora era tudo menos um bom sinal...” Não os mandou sentar e continuou a olha-los interrogativamente. - Ângela... - Começou João, hesitante. - ...o Francisco veio ter comigo... com um problema. Ela ergueu uma sobrancelha e debruçou-se sobre a secretária pousando os braços no tampo numa atitude defensiva. - Sim?!? - Ela impacientou-se. - Desembucha, vá. Que aconteceu desta vez, Francisco? - Bem, doutora Ângela, - O homem ficou apavorado quando a atenção se voltou para ele causando um visível alivio a João. - a ASAE esteve esta manhã na fábrica de Matosinhos. - E que tem isso? Não é a primeira vez nem será a última. - Ela alternou o olhar entre os dois homens. - Tratem disso como o costume. - O problema é esse... - Começou João. - Não fomos avisados. - Explicou Francisco. - E o inspetor que veio não foi o do costume. - Falem com ele! Ora bolas, desenrasquem-se! Liguem para o “palhaço” que resolve estas coisas na ASAE. - Ela começa a levantar a voz. - Já tentei. - Lamentou-se Francisco. - Não atende o telemóvel e na secretaria da ASAE dizem que está de baixa, doente. Ela continuava a alternar o olhar que parecia soltar chispas entre os dois homens. Sentia-se encurralada e nenhum daqueles imprestáveis parecia ser capaz de arranjar uma solução. Mexeu-se desconfortável na cadeira. - Encontraram algo que não deviam? - Perguntou ela, percebendo já que sim. - A carga de Sevilha, que chegou ontem ao fim do dia, não estava ainda arrumada... - Francisco sentia-se cada vez mais infeliz. - Merda!!!! - Explodiu Ângela. - Imprestável, idiota! Não foste avisado montes de vezes? Chegue quando chegar, tem que ser imediatamente misturada com as restantes, não se pode deixar à vista o peixe que chega de lá, faziam horas extra e arrumavam tudo! Não é para isso que estás lá?!? - Ele tentou. - João saiu em defesa do apavorado homem. - O Francisco pediu para fazerem horas mas o Armandino da comissão de trabalhadores armou ali uma grande confusão e quase se pegaram à porrada à frente dos funcionários. Parecia até que já foi de propósito para apanharem a carga imprópria esta manhã. - Merda, merda, merda! - Ela continuava a gritar. - Que achas que devemos fazer? - João tentava ser construtivo. - Sei lá! - Exclamou Ângela. - Temos que aguardar o relatório. Vamos levar com uma multa gigantesca... isto, se não nos quiserem fechar a fábrica. E esse Armandino... é uma fonte de problemas... - Achas que é um problema a resolver? - Perguntou João olhando-a diretamente nos olhos. - Senhor Francisco. - Ela pareceu recuperar a compostura. - Vá para o seu trabalho ver se resolve a merda que deixou acontecer. Insista em encontrar esse bendito inspetor para ele fazer valer o dinheiro que lhe pagamos e não se atreva a trazer-me mais más notícias hoje. O pequeno homem acenou nervosamente com a cabeça e saiu do gabinete em passo de corrida a enxugar a testa. - Esse Armandino. - Começou ela pensativamente. - Pode ter alguma coisa que ver com a greve da Nazaré? - Não seria nada que me surpreendesse. Desde que reduzimos as quotas de compras aos pescadores locais e começamos a trazer o peixe mais barato de Sevilha que ele tem sido o causador de montes de problemas na laboração e instigador dos trabalhadores que à boca pequena vão comentando a falta de qualidade de algum produto.  - Na verdade, João, temos dois problemas... vamos precisar de alguém mais ágil na direção de produção... vê se consegues que um problema trate do outro. Eu vou pensando em quem vou escolher para a vaga na direção. João contornou a secretária pelo lado direito e debruçou-se sobre o rosto de Ângela beijando-a ternamente na boca. - Já sabes que não quero que faças isso aqui. - Ela censurou suavemente. - Sim, minha senhora. - Ele brincou abandonando o gabinete num passo apressado. As coisas estavam a começar a complicar-se. Tinha que resolver este problema sem perturbar Eduardo e a sua concubina. Ele tem que continuar afastado dos destinos da empresa, ela é que tem que gerir aquilo, porque ele não consegue viver com o odioso e fazer o que precisa ser feito. Para agravar a situação, na noite anterior o marido e o cunhado tiveram mais uma violenta discussão sobre a herança. Eduardo quer comprar o quadro da mãe mas Filipe quer metade do controlo da empresa em troca... diz que vai contestar o testamento... não convém nada que ande a “desenterrar fantasmas”... é aquela venenosa da Luciana... mais outro problema a tratar. Mas este terá de ser ela a resolver. Naquela noite, um vulto que se deslocou-se furtivamente na enorme varanda do segundo piso da vivenda de Eduardo, geminada com a de Filipe, e passou sem dificuldade, da varanda de uma casa para a outra sem necessidade de pisar as telhas do alpendre da entrada. Em baixo, no jardim, um dos rottweiller farejou o movimento e rosnou baixinho, desinteressando-se de imediato. Ângela, envergando um fato de macaco de licra preta, ocultou-se nas sombras evitando as áreas iluminadas ou cobertas pelas câmaras de vigilância. Experimentou as portadas da varanda e acabou por descobrir uma que cedeu... naquela noite de verão era praticamente impossível que estivessem todas fechadas. Entrou sem ruído no quarto da cunhada e aproximou-se da cama de casal, onde ela estava sozinha, para se certificar que dormia. Depois, abriu muito devagar, a porta que ligava ao quarto do cunhado. Um ronco ritmado e forte dizia-lhe que estava num sono profundo. Pé, ante pé, pegou a almofada do cadeirão junto da janela e regressou ao quarto de Luciana fechando suavemente a porta de ligação. Aproximou-se novamente da cunhada e calcou-lhe a almofada sobre o rosto adormecido com toda a força. Sobressaltada, a mulher despertou e tentou lutar contra a ameaça que não percebia e esbracejou a tentar agarrar alguma coisa sem sucesso. Ângela ficou ainda mais uns longos segundos a bloquear o rosto depois da vítima ter parado de esbracejar. Atirou a almofada para o chão e contemplou a máscara de morte da cunhada, de olhos esbugalhados e boca escancarada em busca de ar. Saiu por onde entrou tendo o cuidado de deixar as portas como estavam. Estava “inocentemente” no seu posto de trabalho, no gabinete da administração das Conservas Lusas quando Eduardo surgiu intempestivamente e, num discurso meio atabalhoado, conta que a cunhada fora encontrada morta naquela manhã, com indícios de ter sido assassinada. Filipe fora levado para a esquadra para ser interrogado.  Aguentou com paciência e respondeu às questões do marido enquanto olhava para a carta que lhe entregaram em mão esta manhã. Era destinada a Eduardo e era do Presidente da Câmara a manifestar grande preocupação com as informações que lhe foram fornecidas relativamente a uma inspeção da ASAE efetuada num fábrica no concelho. Aparentemente foram detetadas graves irregularidades que iriam dar origem a um processo de contra-ordenação muito grave contra as Conservas Lusas. Assim que o marido deixou o gabinete, entrou João.  - Dá-me boas notícias. - Pediu ela. - O nosso problema numero um está tratado e o numero dois está em curso. - Piscou-lhe um olho e sorriu. - Mas tu não pareces muito contente. - Já temos bronca da grossa com a câmara. Conseguiram falar com o sacana do inspetor? - Não. Não está ninguém em casa dele. Já percebeu que alguém atirou merda no ventilador... Ela pousou o cotovelo na secretária e esfregou o rosto numa atitude de stress. - A minha cunhada foi assassinada esta noite. Desconfiam do marido. - Aquele lingrinhas? - João não conseguiu disfarçar o espanto. - Foi apanhado? - Foi levado para depoimentos. - Já lá fica. - Sentenciou. - Agora deixa-me por favor. Tenho que escrever a resposta ao Presidente da Câmara e ver como vou dar isso a assinar ao Eduardo... e depois ver com quem falo para limpar esta porcaria sem dar muito barulho. - Sim senhora doutora. - Ele piscou o olho divertido e abandonou o gabinete. Ele não tinha de saber da sua atividade. Aliás, quanto menos soubesse, melhor. Naquela manhã o marido andou numa agitação só. Telefonava para os advogados, foi por duas vezes ao tribunal para conseguir a libertação do irmão. Não foi autorizado, pois teria que ser ouvido por um juiz e esse só o faria no dia seguinte. Teria de passar a noite nos calabouços da Judiciária. Ângela começava a ficar preocupada. Eduardo deveria estar contente. Se o irmão fosse preso, acabavam-se os problemas com a herança e teria finalmente o quadro que tanto quer. Se bem o pensou, melhor o fez e apresentou-se na casa do cunhado, com João, para levantar o quadro da mãe dos Mello. A governanta que abriu a porta não estava muito segura sobre o que fazer até que Ângela, candidamente, lhe recordou que, se o cunhado ficasse preso, seria ela a decidir o destino dos empregados da casa. Saíram dali com a enorme pintura embrulhada. Levaram-na para o escritório para a apresentar a Eduardo. Ela até sentia as lágrimas nos olhos ao imaginar a alegria que ele sentiria sentir ao rever o quadro da mãe. Tudo o que fazia era por aquele homem... Eduardo, seu marido. Já não tinham conta os esforços e sacrifícios feitos por ele, só para o ver feliz. Conseguira que o testamento lhe fosse favorável, melhorara os rendimentos da empresa, facilitara-lhe a vida, permitindo que trabalhe menos... até lhe arranja as amantes... de que ele desfruta durante algum tempo, antes de voltar para ela, arrependido. E agora o quadro. Estava ansiosa por ver a cara dele. Mas não foi naquele dia que a pôde ver pois ele não voltou naquela tarde. No dia seguinte, disse-lhe que tinha uma surpresa no escritório, mas ele quase nem ouviu, que precisava de ir para o tribunal rapidamente. O irmão iria ser ouvido naquela manhã. Ângela foi retomar o seu lugar no escritório, envolta nos papeis e em cada vez mais reclamações. - Doutora Ângela. - A voz em tom de urgência da secretária puxou-a para fora dos seus pensamentos. - Venha depressa à produção por favor. - Que se passa? - Respondeu de mau humor. - Está lá a Judiciária. Vêm prender o Francisco Gouveia. Está acusado da morte do Armandino Marques. - O Armandino morreu? - Fingiu surpresa. - Sim, tiraram o corpo do mar ontem ao fim do dia. Encontraram a carteira dele em casa do Francisco. - Desço já, já. Apressou o passo pelo corredor que levava a uma das varandas com vista para área de produção e notou logo o grande ajuntamento de funcionários, em círculo, junto de uma das escadas de acesso ao escritório. Francisco, com ar infeliz, tinha as mãos algemadas atrás das costas e estava seguro pelo braço por um dos homens à civil da Polícia Judiciária. João falava com outro dos agentes. - Que se passa aqui? - Interrogou com autoridade. - Bom dia. - Respondeu o que falava com João. - Deduzo que seja a responsável pela empresa, a doutora Ângela Mello. Sou o inspetor Mariano da brigada de homicídios da Polícia Judiciária e temos ordens para deter Francisco Gouveia por suspeita de envolvimento na morte de Armandino Marques. - Eu nem sabia que o Armandino tinha morrido. - Disse ela. - Como é que isso aconteceu? - Neste momento está a decorrer uma investigação e... - Cabra fingida! - A voz estrangulada de Francisco sobrepôs-se. - De certeza que foste tu que o mandaste matar e deitar-me as culpas... - Cala-te! - Ordenou o agente que o guardava com um puxão do braço. - … o Armandino estava a ser um estorvo, tu própria o disseste. - Continuou ele ignorando a interrupção. - Quantos foram mais? O Fernandes, na greve do ano passado? Que ninguém sabe o que foi feito dele? Quantos mais? As secretárias do diretor que desapareciam de um dia para o outro? Não és uma mulher, és um demónio que saiu dos infernos, vives do mal e vais morrer pelas tuas ações... És maldita, morrerás num lugar escuro, comida por bichos e a tua memória será uma lembrança de horror e repulsa que todos quererão esquecer. - Chega! - Gritou o outro agente. - Leva-o para o carro para que não diga mais disparates. Senhora doutora, as nossas desculpas, vamos levar este facínora. Assim que os agentes abandonaram o portão da fábrica, os chefes de serviço começaram a dar ordens para que todos regressassem ao trabalho. Abalada pela maldição, Ângela quedou-se, em choque, encostada ao corrimão das escadas, até que João a amparou e ajudou a subir e encaminhar-se para a segurança do gabinete. Não se acabavam porém, naquela lamentável cena, todas as novidades daquele dia. Chegados ao gabinete da direção, deparam com os dois irmãos, de braços cruzados sobre o peito, que os esperam em silêncio. Sobre a secretária, o quadro desembrulhado da matriarca Mello. - Podes dizer-me o que significa isto? - Exigiu saber Eduardo apontando o quadro. - Como é que o meu quadro veio parar a este escritório, logo na altura em que sou detido injustamente acusado de uma morte? - Os olhos de Filipe faiscaram de ódio enquanto avançava e agarrava-a pelo braço. - Vamos, responde! - Tira daí a mão! - Gritou João empurrando-o com violência. - E tu, desaparece-me da frente, cabrão oportunista! - Filipe ameaçou, apontando o dedo a João, após recuperar o equilíbrio. - Ou o quê? - João era uns bons vinte centímetros mais alto que Filipe e bastante mais musculado, mas isso não impediu que o outro se atirasse a ele e se envolvessem numa luta. - Parem com isso! - Gritou Eduardo numa voz autoritária que ninguém lhe conhecia mas que era bem herança de seu pai. - Parem com isso imediatamente! João empurrou Filipe para longe de si enquanto protegia Ângela ainda atordoada e incapaz de reagir. Eduardo postou-se em frente a João e exigiu: - Quero falar com a minha mulher, agradeço que se retire. João olhou para a visada que, com as lágrimas nos olhos, assentiu com a cabeça. Ele afastou-se para trás dela mas não abandonou o aposento. - Fala, Ângela. Que está o quadro do meu irmão a fazer aqui? - Meu amor. - Ela gemeu. - Sempre te ouvi dizer que adoravas aquele quadro, que o desejavas e só ele te impedia de o ter. Assim que me disseste que ele estava preso, vi a altura ideal para te devolver o que é teu por direito. - Não posso crer que achaste que eu iria aceitar tirar uma coisa do meu irmão. Ainda para mais de forma tão torpe, tão vil... onde estão os teus princípios? - Havia uma repulsa no olhar dele que a magoou profundamente. - Os meus princípios?!? - Ela olhou-o como se o não reconhecesse- Os MEUS princípios? Os meus princípios, perderam-se no dia em que o mafioso do teu pai me fez casar contigo após ter arruinado o meu... e mesmo assim eu amei-te tanto. Mesmo assim abdiquei de mim para te dar a ti... E sofri em cada humilhação que me fizeste aceitar... em cada amante que tinhas, que eu te arranjava. Em cada coisa que querias e eu conseguia para ti e que tu não agradecias. As sevícias que suportei do baboso do teu pai para que ele mudasse o testamento em teu favor... - Eu sabia! - Gritou Filipe fazendo estremecer Eduardo que não acreditava no que estava a ouvir. - Foi por isso que o testamento foi mudado, puseste-te debaixo do velho lúbrico, sua cabra, para conseguir o que querias. E a Luciana? Foste tu não foste? Tu, ou essa bosta que trazes sempre contigo e que sei que metes na tua cama. - Que dizes, infeliz? - Eduardo pareceu recuperar. - Sim, é verdade! - Reafirmou o irmão. - Já o sei há muito tempo e não to dizia porque não irias acreditar em mim. - Matei sim! - Reconheceu finalmente Ângela. - Matei essa invejosa que te envenenava contra nós! Filipe atirou-se ao pescoço dela e chocaram ambos contra o enorme vidro através do qual se podia admirar toda a extensão da fábrica. Rachou, mas suportou o impacto. João precipitou-se a ajudar e os três, chocaram uma vez mais contra o vidro. Agora era peso a mais e ele cedeu em mil pedaços... Filipe caiu com a cabeça para fora e com o corpo dentro, mas João e Ângela caíram, desamparados, através da vitrine, agora sem proteção. João bateu na varanda imediatamente abaixo com uma pancada surda que fez tremer as paredes. Ângela, bateu com força na esquina da mesma varanda e foi a rodopiar mais um piso para o meio das enormes ventoinhas de refrigeração das câmaras frigoríficas. Um buraco enorme numa das cabines anunciava o lugar da queda. A equipa de bombeiros levou mais de duas horas para cortar a amalgama de ferros e plástico da cabine que impedia o acesso ao corpo. Quando chegaram perto e conseguiram iluminar o local, viram uma quantidade enorme de ratos a fugir em todas as direções, deixando exposto um corpo contorcido, semidevorado.</div></div>]]></content:encoded></item><item><title>Natal em Família</title><description><![CDATA[** Selecionado para publicação na coletânea "Boas Festas" da Silkskin Editora Afonso deu um último arranjo à toalha de mesa que estava um pouco encorrilhada. As crianças, Maria e Pedro de doze e nove anos respetivamente, riam e empurravam-se em tentativas simuladas para derrubar o outro da cadeira. Ele deitou um olhar em volta; a luz que inundava a sala espaçosa, a árvore decorada com cores vivas e brilhantes, os presentes por baixo. Tudo estava a regressar ao normal. Sim, tudo iria ficar bem. -<img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_ad81ea9fbf174140aadeedba32bb26d7.jpg"/>]]></description><dc:creator>Manuel Amaro Mendonça</dc:creator><link>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2015/10/28/Natal-em-Fam%C3%ADlia</link><guid>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2015/10/28/Natal-em-Fam%C3%ADlia</guid><pubDate>Wed, 28 Oct 2015 23:13:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_ad81ea9fbf174140aadeedba32bb26d7.jpg"/><div>** Selecionado para publicação na coletânea &quot;Boas Festas&quot; da Silkskin Editora</div><div>Afonso deu um último arranjo à toalha de mesa que estava um pouco encorrilhada. As crianças, Maria e Pedro de doze e nove anos respetivamente, riam e empurravam-se em tentativas simuladas para derrubar o outro da cadeira. Ele deitou um olhar em volta; a luz que inundava a sala espaçosa, a árvore decorada com cores vivas e brilhantes, os presentes por baixo. Tudo estava a regressar ao normal. Sim, tudo iria ficar bem. - Podes sentar-te, “môrzito”. - A sua esposa, Francisca, nunca perdera o hábito de o tratar por aquele apelido carinhoso. E ali estava ela, com a travessa das batatas cozidas com bacalhau, tão típicas da época. Era uma tradição que ele detestava, mas suportava. Sentou-se, compôs os pratos, moveu-os uns centímetros para um lado ou para o outro, nervosamente. Compôs os talheres em cima dos guardanapos enquanto admoestava as crianças: - Vá, meninos, comportem-se agora. Vamos comer, senão, ainda acabam por magoar-se. - Sim, papá!!! - Gritou Maria com a voz propositadamente esganiçada, como ela gostava de fazer. - Maria! - Avisou Francisca. - Então, que é isso? Comporte-se, menina! - Sim, papá!!!! - Gritou Pedro, imitando a irmã. - Então?!? - A voz forte do homem fez-se sentir, num ralho carinhoso. - Vamos sentar quietos e fazer o jantar de Natal como deve de ser ou não? - Pai. - O tom de voz de Maria mudou radicalmente para a de criança mimada. - Posso ver o que o Pai Natal me trouxe, antes de jantar? - Eu também quero!!! - Exclamou Pedro. - Não. Ninguém vai ver prendas antes de acabar de jantar. - Determinou Afonso. - Primeiro vamos todos comer como deve de ser. Vamos portar-nos muito bem e só depois veremos as prendas. - Brincou Francisca, compondo o guardanapo à volta do pescoço de Pedro. - O Pai Natal disse que só se pode abrir depois de jantar, senão para o ano não traz nada e põe o nosso nome na lista dos mal comportados. - Eu não sou mal comportado, pois não mãe? - Quis saber Pedro. - Não, meu querido filho, claro que não, és um menino muito bem comportado. Tu e a tua irmã são as maiores prendas que Deus nos poderia ter trazido. - Mãe! - Exclamou Maria. - Se tu já tens “estas prendas”, eu posso ficar com que o Pai Natal trouxe para ti? Os pais soltaram uma gargalhada quase em coro. - Não podes querer tudo para ti. - Afonso passou, carinhosamente, a mão pela cabeça da filha. - Este ano temos prendas para todos. A refeição correu de forma pacífica e era visível, no rosto agradavelmente corado de Francisca, que estava muito feliz. Conseguiram conversar de forma mais ou menos amena, envolvendo as crianças o mais possível, falando da escola e dos professoras, das peripécias do recreio e dos colegas. Cada vez que cruzavam olhares, milhares de palavras eram passadas de um para o outro sem qualquer som. Havia muita conversa para pôr em dia. Assim que acabaram de jantar, foi um furacão que varreu a área onde estavam os presentes. Num instante, todo o chão da sala estava cheio de pequenos bocados de papeis. Maria sentou-se no chão, ao pé do sofá, a brincar com o kit de maquilhagem e a enorme boneca que a deixou felicíssima. Pedro estava deitado no chão da sala a brincar com a garagem com vários piso cheios de automóveis que ele havia pedido ao Pai Natal mais do que uma vez. Afonso e Francisca, recostados e enlaçados, no sofá, apreciavam as brincadeiras da sua prole. - Já não sabia o que era um Natal em família... mas este ano foi todo diferente. - Ele comentou pensativamente enquanto ligava a TV com o controlo remoto. - Já há mais de quatro anos que não estavas disponível nesta altura. - Francisca confirmou. - O teu trabalho, como enviado do jornal no Alto Comissariado para os Refugiados, estava a afastar-te muito de nós. Como que a propósito, na televisão, estavam a passar imagens da chegada de mais umas centenas de emigrantes africanos às praias italianas. As cenas de dor, crianças e adultos desesperados, o resgatar dos corpos do mar, a chuva intensa que caía, eram imagens dolorosas. - Estes pobres diabos vêm da fome e da guerra para a fome e indiferença. - Afonso tinha lágrimas nos olhos. - Antes a indiferença que a guerra! - Afirmou Francisca. - E não somos assim tão indiferentes, estamos a fazer mais por eles, que são de outros países, do que às vezes pelos nossos. Também há fome por cá. Graças a Deus não há guerras. - Concordo de certa forma mas... é uma dor de alma... - Mas já agora, nunca explicaste completamente o que se passou, para deixares a tua função no Alto Comissariado. - Oh, isso foi... um pequeno desentendimento com um elemento do staff do Guterres. Mas já passou, “convidaram” o jornal a tirar-me daquelas funções, mas eu não me importei muito, já estava farto. O cretino que causou esta confusão toda também não teve muita sorte, ouvi dizer que foi assassinado num assalto, lá na Itália, à saída de um bar. Nem conseguiu ter a felicidade de me ver sair do país, diz-se que “Cá se fazem e cá se pagam”. - Que horror. Não devias ficar contente com a morte de alguém, ainda que nos tenha feito mal. - Francisca soergueu-se para o olhar nos olhos. - Não estou contente nem triste. O tipo era-me completamente indiferente, só achei engraçada a coincidência... “Deus não dorme!” - Piscou-lhe um olho e beijou-lhe rapidamente os lábios. - Pelo menos assim estás mais próximo de nós, não tens todas aquelas viagens para fazer, apenas umas noitadas por entre outras. - Sim, estou feliz por regressar... retomar o meu lugar na redação do jornal, voltar a escrever artigos mais genéricos. Na televisão passava agora a noticia de mais um homicídio na cidade. Já se contavam sete homicídios, no espaço de poucos meses, ligados a um assassino em série a que chamavam “A Sombra”. A polícia, desesperada, não conseguia pistas para o apanhar. - Terrível, este assassino. - Comentou Francisca. - Dizem que agride as vítimas com algo pesado e que, depois de estarem sem sentidos, faz-lhes um corte na jugular e deixa-as a morrer. - Então até não é muito mau. - Afonso deu um sorriso trocista. - A maior parte deles nem deve perceber o que lhes aconteceu. - Parvo! - Ela exclamou. - Isso é coisa que se diga? - A sério! - Ele continuou. - Podia até tortura-las, tirar-lhe bocados, como fazem os grandes assassinos que vemos nos filmes, sei lá eu. Mas põe-nas a dormir e depois manda-as à vida... ou à morte, mais propriamente. A notícia continuava e o jornalista fazia uma relação das vítimas, que foram assassinadas nas próprias casas, e dos produtos roubados. Eram, na sua maioria, mulheres com posses, que viviam sozinhas, ou não tinham companheiro certo. Os roubos eram normalmente dinheiro e joias, além de algumas obras de arte esporádicas. O assassino sempre fora cuidadoso em deixar de lado peças famosas, ou demasiado valiosas, que pudessem ser identificadas. Mas desta vez cometera um erro; uma das peças era muito valiosa e tinha, inclusivamente, seguro próprio. No ecrã foi exibida a fotografia de um magnífico pingente de ouro e pedras preciosas e o jornalista pediu, a quem visse aquela peça, participasse imediatamente às autoridades. A família da vítima oferecia uma choruda recompensa, assim como a companhia de seguros. - Tá tramado! - Disse Afonso pensativamente. - Parece impossível que consiga andar por aí alguém a matar pessoas e a polícia não consiga fazer nada. - Francisca estava apreensiva. - Não é fácil. Estes criminosos estão cada vez mais mais evoluídos. Têm acesso a informações e tecnologias como nunca tiveram antes. Por acaso, até acho que vou abordar esse tema na minha próxima crónica de opinião no jornal. Será “Polícia versus criminosos, estaremos a perder a corrida?” - Oh. A tua crónica? Já ta deram outra vez? - Não te disse que tenho estado a reocupar o meu lugar na redação? Eles têm que reconhecer o meu valor. - Mas não tinham dado a crónica ao... àquele tipo horrível, com o capachinho ruivo e os óculos grossos... o Norberto, não era? - Sim, era esse, mas eu avisei logo o meu chefe que o Norberto não era de confiança. Tinha aparecido há coisa de um ano e tal, sem ninguém saber de onde, armou para lá umas confusões na redação, “calcou cabeças” e “subiu às costas” de quem pôde para conseguir o que queria. Agora, penso que já deve ter atingido os objetivos dele, desapareceu há umas semanas... não atende o telemóvel, a casa alugada está vazia e com a renda paga até ao fim do mês. - Por isso devolveram-te a crónica. - E um bónus, que eu reclamei logo. - Afonso soltou uma gargalhada. - Caiu muito bem agora nesta altura do Natal. Beijaram-se ternamente e começaram a acariciar-se. - Não achas que são horas das crianças irem para a cama? - Ele perguntou. - Penso que sim. - O sorriso dela dizia tudo. - Meninos, vamos dormir. - Oooohhh, mãe!!!! - As crianças gemeram em uníssono. - Nada de confusões! - Insistiu ela erguendo-se e batendo as palmas. Afonso deixou-se ficar um pouco, com um sorriso nos lábios, olhando a sua adorada família. Por fim ergueu-se também e gritou para a área dos quartos: - Vou à cave ver a caldeira e já vou ter contigo ao quarto. Era realmente um homem afortunado, com uma família bela e feliz como aquela... que mais poderia desejar? Acendeu a luz da escadaria da cave e desceu, pensativamente. Na ampla divisão, dirigiu-se a um armário, que abriu com uma chave que trazia no bolso. Pegou uma mochila preta do interior e caminhou para a porta da caldeira onde ardia um lume forte, visível através do vidro. Abriu a portinhola e, de dentro da mochila, tirou uma cabeleira ruiva e uns óculos com armações de massa, que olhou por uns segundos com um sorriso nos lábios. Atirou os objetos para o fogo com umas palavras de despedida: - Adeus Norberto! Espero que encontres um jornal onde escrever lá no Diabo que te carregue. Mais uns segundos a olhar para o fundo da mochila e tirou um fantástico pingente em ouro e pedras preciosas que fez rodar em frente dos olhos enquanto comentava:  - É uma pena... ias render bom dinheiro, se as outras renderam o que renderam, tu ias garantir umas boas férias com a família...&quot; Atirou a peça para o lume enquanto comentava para consigo: - Sete homicídios?!? Palermas, já passei os vinte. Atirou também a mochila para o interior da caldeira, fechou a porta e abandonou a divisão, a caminho da cama onde a sua adorada mulher o aguardava. </div></div>]]></content:encoded></item><item><title>Tudo em Jogo</title><description><![CDATA[** Reconhecido com o 3º prémio no 6º Concurso literário da Papel D'Arroz Editora ** Escolhido para ser incluído na coletânea "O Poder do Vício" da Papel D'Arroz Editora Naquele fim de tarde, a pequena e escura taberna estava enevoada de fumo de tabaco e as vozes tonitroantes de homens enchiam o espaço. Por entre as mesas toscas de madeira, ladeadas de bancos corridos, o chão de lajes grosseiras estava manchado e sujo de anos de vinho entornado. Os candeeiros a petróleo, nas paredes de madeira<img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_0596f254a9fa46ddad9d950bb02b55a4.jpg"/>]]></description><dc:creator>Manuel Amaro Mendonça</dc:creator><link>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2015/9/29/Tudo-em-Jogo</link><guid>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2015/9/29/Tudo-em-Jogo</guid><pubDate>Tue, 29 Sep 2015 01:45:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_0596f254a9fa46ddad9d950bb02b55a4.jpg"/><div>** Reconhecido com o 3º prémio no 6º Concurso literário da Papel D'Arroz Editora</div><div>** Escolhido para ser incluído na coletânea &quot;O Poder do Vício&quot; da Papel D'Arroz Editora</div><div>Naquele fim de tarde, a pequena e escura taberna estava enevoada de fumo de tabaco e as vozes tonitroantes de homens enchiam o espaço.  Por entre as mesas toscas de madeira, ladeadas de bancos corridos, o chão de lajes grosseiras estava manchado e sujo de anos de vinho entornado. Os candeeiros a petróleo, nas paredes de madeira enegrecida, travavam uma luta desigual com as trevas e o fumo que dominavam o estabelecimento. Uma enorme lareira crepitava e emprestava mais um pouco de luz bruxuleante ao ambiente. Estavam os clientes todos amontoados, ao fundo, em volta da mesa onde estavam a ser decididos destinos. Sentados, cercados pela pequena multidão, estavam quatro homens. Dois deles eram sem dúvida camponeses; vestes modestas e rostos tisnados do sol com barbas crescidas, cortadas há muitas horas. Outro, envergava um blaser preto, discreto e rosto barbeado, mas também queimado de muitas horas ao ar livre. O último deles aparentava ser o mais abastado de todos. Casaca preta comprida, cabelo impecavelmente cortado, rosto pálido e barba curta, devidamente aparada, sobreposta por um respeitável bigode de pontas retorcidas. Os três primeiros habitavam aquela aldeia e eram jogadores assíduos de dados na tasca do António “Bisarma”, um gigante com um metro e noventa e mais de cento e vinte quilos de peso. O último deles era um recém chegado que se apresentou como um negociante de propriedades chamado Fernando Sarmento. Os dois camponeses, o Manel “Esbarrola” e o “Chico da Horta”, jogavam habitualmente com o João Morais, lavrador proprietário conhecido pelo “Fanhoso”, em apostas mais ou menos elevadas. Muitas vezes as partidas levaram os magros rendimentos dos camponeses, mas outras tantas, o lavrador deixou gordas maquias nos necessitados bolsos dos companheiros. Naquela tarde, o forasteiro entrou na taberna para beber e, após algum tempo a assistir ao jogo, mandou servir mais uma rodada de tinto a todos os presentes, apresentou-se e perguntou se podia juntar-se ao trio. Após um olhar rápido entre todos, assentiram e Sarmento sentou-se ao lado do Fanhoso. Em cima da mesa, além dos quatro dados e uma caneca de barro com vinho, havia três copos de madeira e pequenos montes de moedas que ficavam à direita de cada jogador. Jogavam ao vinte e um. Cada jogador lançava os quatro dados e, se o valor fosse inferior a vinte e um, escolhia um ou mais dados e podia jogar duas vezes até atingir o valor máximo menor ou igual que vinte e um. Se o valor fosse ultrapassado, perdia imediatamente, senão, finda a ronda de todos os jogadores, ganhava o que conseguisse o valor mais elevado. As moedas corriam em cima da mesa ora para um lado ora para outro e, após algumas jogadas equilibradas, o forasteiro rapidamente começou a arrebanhar todo o dinheiro da mesa. Mais duas canecas do tinto adamado se beberam antes do Chico da Horta, nervoso, gaguejar um “Já não tenho tusto” e levantar-se, juntando-se aos assistentes. O Manel Esbarrola, assim conhecido pelo temperamento irascível e pelas gabarolices que lhe eram características, começou a “ferver” assim que as últimas moedas se lhe escaparam da mão: - Demónios dos infernos. Excomungado jogo que não me dá sorte nenhuma. - Ferrou um soco na mesa que fez saltar dados, moedas, copos e canecas. - Não consegui fazer as sortes virarem. Sarmento olhou surpreendido para o Fanhoso que acenou negativamente, de olhos no chão, desaprovando a já esperada conduta. - Eh, lá, ó Manel! - Trovoou o Bisarma de trás do balcão. - Já sabes que não quero cá coices! Se escoicinhas na mobília ponho-te na rua. O Esbarrola voltou-lhe as costas e atirou um braço ao ar enquanto resmungava um “Deixa-me cá”. Os outros dois jogadores olharam-se e o Fanhoso negou com a cabeça, informando que também para ele o jogo estava terminado. O forasteiro ficou-se sentado à mesa a brincar com os dados enquanto os restantes clientes retomavam os lugares que ocupavam antes do jogo se tornar interessante. - Deixe-me jogar mais uma. - Pediu o Esbarrola de repente. Sarmento olhou-o nos olhos antes de responder: - Não me disse que não tinha mais dinheiro? - Sim, mas posso jogar outras coisas. - Voltou-se para o companheiro que se mantinha ao seu lado. - Chico, arranja-me cá um cigarro. - Arre porra, homem, os últimos dois que fumaste fui eu quem tos deu. Achas que a mim não custam dinheiro? - O Chico da Horta atirou. - Hoje não larpas mais nenhum que eu te dê. Manel deitou um olhar azedo ao amigo antes de tornar ao forasteiro. - Então? - Inquiriu. - Que me diz vossemecê? - Que tem que me possa interessar? - O indivíduo tornou o olhar para a mesa enquanto brincava com os dados numa atitude descontraída. - Tem terras? - Terras não tem. Esse lorpa perdeu, nessa mesa, as que o pai lhe deixou quando morreu. - Interveio o taberneiro, de braços pousados no balcão e atento à conversa. - Não tenho terras, mas tenho um cavalo. - Afirmou o Esbarrola, ignorando o Bisarma. - E quer jogar o seu cavalo? O seu ganha pão? - Perguntou o estranho, fitando-o nos olhos. - Não faças isso, Manel. - Avisou o Chico da Horta. - Se o perdes ficas sem emprego ou vais para carrejão. - Sim quero! - Respondeu ele ignorando completamente os restantes. - Sente-se, por favor. Eu aposto todo o dinheiro que aqui ganhei esta noite contra o seu cavalo. - Convidou Sarmento. - Senhor António, traga mais uma caneca. Assim que o adversário se sentou, o homem tirou do bolso do casaco um pequeno molho de papéis. Soltou um deles, que se revelou uma folha amarelada dobrada em quatro e perguntou: - O seu nome é Manuel... - Esbarrola! - O grito, coroado de gargalhadas, veio de uma das outras mesas. Todos estavam atentos à conversa. - ...Bugio. - Esclareceu Manuel, ignorando-os. Continuando o seu ritual, o forasteiro retirou de outro bolso uma caneta que destapou e começou a escrevinhar enquanto lia alto: - Eu, Manuel Bugio, declaro que este documento atesta a propriedade do meu cavalo e será entregue a Fernando Sarmento se ele me ganhar a uma partida de dados. Testemunha deste acordo foi o senhor António Pereira, taberneiro. O tasqueiro pousou a caneca sobre a mesa e olhou espantado para a caneta de tinta permanente que o homem empunhava. Nunca tinha visto nenhuma, embora já tivesse ouvido falar, até o senhor abade escrevia com aparos que molhava na tinta. - Senhor António. - Interpelou Sarmento. - Quer ser nossa testemunha, ler e assinar este contrato? O Bisarma repetiu, de forma errática, as mesmas palavras que escutaram e garatujou o seu nome, numa letra infantil. - Agora você, Manuel. - Pediu o forasteiro. - Eu... não sei escrever. - Lamentou. - Não há problemas. Pegue na sua faca e faça um corte num dedo. Ponha uma pinga no fundo do papel e calque com um dedo.. Lentamente, os restantes clientes da taberna levantavam-se e refaziam o círculo à volta da mesa com os dois contendores para observaram o estranho ritual. Tiraram as sortes e Manuel começou... era prometedor, encheu o copo e esvaziou-o. Ganhou a primeira mão e passaram à segunda, também iniciada por ele, mas foi Sarmento quem arrebatou maior pontuação. Estavam empatados e a próxima decidiria tudo. Manuel encheu o seu copo e despejou-o quase de um trago. O forasteiro lançou os dados e na sua jogada não conseguiu mais que um dezoito. Animado, Manuel iniciou o seu jogo; o lançamento só lhe deu quinze pontos; uma quadra, duas quinas e um ás. Pegou no dado com apenas uma pinta e lançou-o. Saiu um duque; fez um gesto de contrariedade, dezasseis ainda não chegava, só tinha mais uma hipótese. Relançou o dado novamente para obter, de novo, o um. Perdeu. Sarmento, calmamente, dobrou o papel que comprovava a propriedade do cavalo e meteu-o no bolso. Manuel, ainda debruçado sobre a mesa, estava em transe, mas, de repente, levantou-se com brusquidão atirando o banco onde estivera sentado para o chão. Deu dois murros com os punhos fechados na mesa. Sarmento recuou instintivamente, mas não se levantou. O taberneiro agarrou no braço de Manuel e preparava-se para o “acompanhar” à porta quando ele mudou de atitude: - Senhor Sarmento, por favor. Não me faça isto... - Implorou. - Isto o quê, meu amigo? Jogamos ambos, de boa fé, de acordo com o que nos propusemos. Eu ganhei, você perdeu. - Por favor. Eu prometo que lhe pago o valor do cavalo. Só preciso de mais algum tempo. - Não posso. Tenho de ir embora daqui a pouco. - Por favor. Não me deixe assim. Dê-me mais uma oportunidade... Havia um silêncio pesado na taberna, ninguém respirava a aguardar a resposta. - Está bem. - O forasteiro anuiu ao mesmo tempo que se ouvia um suspiro aliviado de toda a audiência. Mas ele logo continuou. - Que mais tem para jogar? - Vai-te embora rapaz! - Aconselhou o Bisarma. - Manel, não insistas, hoje o mar não tá para peixe. - Pediu o Chico da Horta. - Deixa ficar assim. Alguma coisa se há-de arranjar. Outras vozes faziam coro, condoídas com a situação do homem, que apesar de tudo era responsável pela sua própria desgraça. - A minha casa. - Manuel sentenciou de forma quase inaudível. - Quero jogar a minha casa. - Espera Manel! - Interveio o Fanhoso – Não faças isso! Eu ajudo-te alguma coisa, adianto-te algum dinheiro. Não jogues a casa que te desgraças, homem. - Ouve, Manel! - Agora era o taberneiro que insistia. - Não faças isso, esse homem não quer saber de ninguém, está a causar a tua desgraça! Mataste a tua mãe de desgosto quando perdeste as terras, deixas a família passar fome, porque gastas tudo no jogo. Agora vais deixá-los sem teto? Valha-te Deus, lembra-te que a tua mulher está grávida e que tendes já um filho. Que queres fazer da vida, celerado?  Manuel sacudiu a manápula pesada do Bisarma e insistiu com Sarmento: - Que me diz? - Tudo o que ganhou hoje, cavalo incluído, contra a minha casa. Não disse que está interessado em propriedades? - Sente-se Manuel! - Sarmento permitiu-se um sorriso de escárnio enquanto tirava novamente o pequeno maço de folhas amareladas de onde tirou uma cuidadosamente dobrada. - Vamos escrever isto, sim? Eu, Manuel Bugio, declaro que este documento atesta a propriedade da minha casa e será entregue a Fernando Sarmento se ele me ganhar a uma partida de dados. Testemunha deste acordo foi o senhor António Pereira, taberneiro. - Eu não assino isso! - Recusou-se o Bisarma. - Não vou ajudar a desgraçar esse infeliz.  - Porque não? - Perguntou Sarmento. - E o senhor Chico da Horta? Quer assinar? Devolvo-lhe o dobro do dinheiro que perdeu esta noite. O homem corou e notou-se que travava uma terrível luta interior. No entanto, a necessidade de dinheiro era mais forte, aproximou-se e gemeu um quase inaudível “Desculpa Manel”. - Testemunha deste acordo foi o senhor Francisco... - Continuou o forasteiro, após riscar o nome do taberneiro. - …Terroso. - Concluiu o Chico. - Eu também não sei escrever. - Não tem mal. - Descansou-o Sarmento. - Só preciso de uma cruz. A promessa dele é que exige sangue. Depois de todo o ritual terminado, a mancha de sangue apensada em mais um contrato, o forasteiro define mais uma regra: - Apenas uma jogada cada um. Estou a ficar sem tempo. Pode começar o Manuel. A tremer, Manuel apertou os dados com toda a força antes de os lançar para o meio da mesa. Olhou incrédulo para o resultado. Contou por duas vezes as pintas, todos festejaram, vinte de uma mão só! Era um milagre, todos gritavam, ia recuperar tudo e ficava com lucro. Sem perder a calma, Sarmento atirou os seus quatro dados que pareceram demorar uma eternidade a imobilizar-se e... não era possível! Dois seis, um cinco e um quatro! Vinte e um! Ele conseguiu suplantar de uma mão só uma jogada quase única, só podia ser obra do Diabo! - Por todos os demónios!!! - Berrou Manuel fora de si enquanto atirava com os dados contra a parede e escacava a caneca no chão. - Chega! - Gritou o taberneiro, arrastando Manuel pelo braço. - Eu avisei-te, todos te avisamos, não vais agora fazer baderna aqui e partir-me a tasca toda. Põe-te lá fora. O frio vai arrefecer-te essa cabeçorra e pensar na grande merda que fizeste esta noite. - Senhor Sarmento, por favor! - Implorou Manuel enquanto era arrastado pelo gigante. - Não se vá embora! Espere um bocadinho, eu vou arranjar algum dinheiro e falamos outra vez, espere.... - Só vou beber mais um copo e depois vou embora. - Anunciou o forasteiro em voz alta antes do taberneiro bater a porta na cara ao destroçado Manuel. Cá fora já estava escuro. Pequenos fiapos de neve esvoaçavam empurrados por um vento ainda suave, mas gelado. Ele estremeceu com a mudança de temperatura, mas isso não impediu que se sentasse na pedra friíssima que servia de banco. Chorou. Chorou ali, que ninguém o via. Sozinho, no escuro, porque os homens não choram e ele não podia passar por mais essa vergonha. Os efeitos do vinho e dos nervos produziam um zumbido irritante dentro da cabeça que tinha dificuldades em manter erguida. Decidido, levantou-se, limpou as lágrimas com as costas da mão e caminhou em passos largos em direção a casa. À casa que já não era sua. Entrou porta dentro como um furacão, abrindo-a com força e fazendo-a bater na parede. - Credo! Homem de Deus que me matas de susto! - Alarmou-se Maria das Virtudes, sua mulher, que se afadigava na cozinha. A barriga proeminente anunciava mais uma boca para alimentar. Não lhe respondeu e passou por ela, como se não a visse, com um olhar alucinado e o rosto sujo das lágrimas que escorreram. Entrou no quarto onde dormiam e começou a remexer as gavetas da mesa de cabeceira e depois as gavetas da cómoda. Maria aproximou-se lentamente, apavorada, sem se atrever a dizer palavra enquanto observava a revista descontrolada que estava a ser feita. - Que está a fazer o pai, mãe? - Uma voz fina de criança fez-se ouvir quando um menino se juntou à mulher e agarrou a borda da saia. - Shhh, filho, não digas nada. Vai para a tua cama, vais? - A voz tremente de Maria pediu. Entretanto, Manuel tinha atingido o seu objetivo e exibia, triunfante, um cordão em ouro que retirara de um dos gavetões. - Que vais fazer com isso? - Ela esforçou-se por mostrar firmeza. - Cala-te, mulher! Isto é a nossa salvação! - Retorquiu ele. - A nossa salvação? Ou o resto da nossa desgraça? Há quanto tempo não entra dinheiro nesta casa, que o gastas todo na taberna e no maldito jogo? Esse é o último valor que temos, tirando a casa e o cavalo. Foram os meus pais que mo deram. Não vou deixar que o leves. - Não vais deixar? - Ele torceu o rosto numa careta de desprezo e desafio enquanto parecia crescer em frente a ela. - Já não temos casa nem cavalo. Com este cordão vou tentar que ao menos fique a casa. - Ah, excomungado, maldito! - Ela começou a agredi-lo com sapatadas pouco eficazes. - Amaldiçoada seja a hora em que o diabo te pôs no meu caminho! - Está quieta, cabra estúpida! - Ele começou a socá-la, com o cordão envolto na mão. - Está quieta ou dou cabo de ti. Ele continuou a bater-lhe enquanto ela caía e gritava e não parou depois que ela se calou. A criança chorava alto, agarrada à mãe, até que ele lhe deu um estalo que a atirou ao chão, atordoada. Deu mais dois pontapés na mulher e preparava-se para sair quando irrompem pela casa os sogros que acudiam aos gritos da filha. Depois de uns segundos de espanto, o homem atirou-se a Manuel e envolveram-se numa sequência de murros e pontapés, arrastando-se até à cozinha enquanto a mulher acudia à filha que jazia no chão, balbuciante. Agora era outra a mulher que gritava e chorava agarrada à filha e ao neto. Na cozinha, Manuel tentava, sem sucesso, soltar-se do furioso homem que o agredia. Devolvia os socos e tentava defender-se como podia até que chocou contra uma banqueta de madeira que quase o fez cair. Evitando um último soco, pegou na banqueta e começou a agredir o sogro com toda a fúria até que este se imobilizou no chão. Largou “a arma” e saiu a correr. Dirigiu-se para a saída da aldeia, e, quando chegava à encruzilhada, avistou Sarmento que se afastava, montado num cavalo e levando outro pela arreata. - Senhor Sarmento, senhor Sarmento! - Chamou. O homem imobilizou-se e voltou-se para ver quem o chamava. Assim que Manuel se aproximou o suficiente, com o rosto marcado e com sangue, as roupas rasgadas, o interpelado comentou do alto da montada: - Você não desiste, homem? Não deveria estar a procurar um lugar onde ficar? Para a semana estarei cá de novo e quero a minha casa vazia. - Por favor! - Implorou Manuel. - Não me faça isso. Veja, tenho aqui este cordão de ouro, pelo menos dê-me o papel da casa. O homem desceu, pegou o cordão, examinou-o e devolveu-o ao proprietário: - Acha que isso é suficiente para comprar a casa? - Não. Eu sei que não. Mas se o aceitasse como boa-fé, para a semana terei mais dinheiro e vou pagando até ao valor que achar bem. Juro! - Quer jogar uma mão? - Sarmento exibiu um riso de escarninho. - Ganha e fica com a casa e o cavalo... - E se perder, perco o cordão também... - Concluiu o desgraçado camponês. - Não. Vamos apostar outra propriedade que tens. - Outra? - Admirou-se. - Não tenho mais nenhuma! - Tens sim. Tens os teus serviços... a tua vida. Manuel olhou-o, incrédulo. O vento continuava a atirar flocos de neve que esvoaçavam entre os dois homens enquanto eles tentavam ler os pensamentos um do outro, através dos olhos. - Os meus serviços? Que eu seja seu criado? - Não própriamente meu, também eu tenho um patrão. Seríamos como colegas. - Mesmo que eu perca... - Sentenciou Manuel – Você rasga o papel da casa? - Sim, pode ser. - O outro anuiu, tirando do bolso mais uma folha amarelada que começou a rabiscar na sela do cavalo enquanto dizia em voz alta: - Eu, Manuel Bugio, declaro, através deste documento, que me entrego de corpo e alma ao serviço do Grande Comandante se o senhor Fernando Sarmento me ganhar numa partida de dados. Sarmento passou-lhe o papel que ele olhou, com olhos vazios, tentando perceber a enormidade do significado daquele papel que não sabia ler. - Quem é o Grande Comandante? - Questionou. - Apenas uma pessoa muito importante que tem grandes exércitos de homens às suas ordens. Não gosta que usem o seu nome em vão, pelo que nunca o escrevemos e chamámo-lo sempre de Grande Comandante. Já sabes o que fazer, não é? Uma pequena gota de sangue? - Não há testemunhas... - Observou Manuel, ausente. - Não são necessárias. Este contrato não pode ser quebrado. - Rematou Sarmento, pousando os dados sobre a pedra talhada que servia para as pessoas descansarem das jornadas. - Deixa mesmo a casa? - Perguntou uma vez mais enquanto marcava a impressão digital com sangue. - Está aqui o papel. Joguemos em cima dele. Se perder pode fazer com ele o que quiser... e se ganhar também, claro. Está aqui o do cavalo. Jogamos só uma vez cada um! - Jogue você primeiro. - Manuel convidou. Sarmento atirou os dados e saíram nove pontos, Uma quadra, dois duques e um ás. Ele jogou todos menos a quadra. Obteve uma sena, um terno e outra quadra; dezassete pontos. Jogou o terno e saiu um duque... ficou-se pelos dezasseis. Animado, Manuel jogou. Estava ali a oportunidade de recuperar tudo... finalmente a sorte iria sorrir-lhe! Só precisava de mais um ponto que ele. Os dados rolaram, preguiçosamente, até se imobilizarem, de forma obscena, em quatro horríveis senas! Vinte e quatro pontos de uma só mão! Ultrapassou os vinte e um. Perdeu uma vez mais! Em choque, deixou-se ficar, digerindo lentamente tudo o que tinha jogado e perdido... - A casa fica para minha mulher? - Gemeu a pergunta de forma quase inaudível. - A tua mulher não passa desta noite... perdeu o vosso filho e não está nada bem... o teu sogro nunca mais vai ser o mesmo, mas viverá. A tua sogra cuidará do outro menino e ficarão bem! - Explicou Sarmento enquanto montava. - Como sabes tudo isso? - Há muita coisa que eu sei... em breve, também tu saberás. De qualquer modo essa família já não é tua, agora, pertences a outra maior. Anda, irmão, monta no teu cavalo e vamos levar a desgraça a outro lado. Os dois cavaleiros afastaram-se na estrada batida pela neve que o vento atirava com uivos fortes. Com ela voavam também dois papéis amarelos que atestavam a condenação do vício de um homem.</div></div>]]></content:encoded></item><item><title>Terras de Xisto e Outras Histórias</title><description><![CDATA[Terras de Xisto e Outras Histórias" é uma colectânea de contos diversos escrita por Manuel Amaro Mendonça sem preocupações com um tema ou mote que os una. Em muitos deles, circunstâncias dramáticas obrigam a transformações ou ações do mesmo nível e os personagens são muitas vezes levados a contrariar a sua própria natureza. Noutros, as guerras são interiores, com tempestades de sentimentos antagónicos.<img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_5cc1cbc690054ed68cc8da34d47b2193.jpg"/>]]></description><dc:creator>Manuel Amaro Mendonça</dc:creator><link>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2015/7/31/Terras-de-Xisto-e-Outras-Hist%C3%B3rias</link><guid>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2015/7/31/Terras-de-Xisto-e-Outras-Hist%C3%B3rias</guid><pubDate>Fri, 31 Jul 2015 22:57:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_5cc1cbc690054ed68cc8da34d47b2193.jpg"/><div>Terras de Xisto e Outras Histórias&quot; é uma colectânea de contos diversos escrita por Manuel Amaro Mendonça sem preocupações com um tema ou mote que os una. Em muitos deles, circunstâncias dramáticas obrigam a transformações ou ações do mesmo nível e os personagens são muitas vezes levados a contrariar a sua própria natureza. Noutros, as guerras são interiores, com tempestades de sentimentos antagónicos.</div></div>]]></content:encoded></item><item><title>Coletânea QUANDO O AMOR É CEGO</title><description><![CDATA[Lançamento da coletânea "Quando o Amor É Cego" da Papel D'Arroz Editora com diversos autores para a qual foi selecionado o meu conto "Luís e Isabel"<img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_86c04ed5dbe84088abc76d20de74accc.jpg"/>]]></description><dc:creator>Papel D'Arroz Editora</dc:creator><link>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2015/6/26/Colet%C3%A2nea-QUANDO-O-AMOR-%C3%89-CEGO</link><guid>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2015/6/26/Colet%C3%A2nea-QUANDO-O-AMOR-%C3%89-CEGO</guid><pubDate>Fri, 26 Jun 2015 22:24:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><div>Lançamento da coletânea &quot;Quando o Amor É Cego&quot; da Papel D'Arroz Editora com diversos autores para a qual foi selecionado o meu conto &quot;<a href="http://manuelamaro.wix.com/autor#!Luís-e-Isabel/th2f5/560b0d8b0cf2f0ed7a27efb8">Luís e Isabel</a>&quot;</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_86c04ed5dbe84088abc76d20de74accc.jpg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_c05e0a8706084270864393b345d5410a.jpg"/><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_e95c73f5d97d424f8f37cdd0cbf7096c.jpg"/></div>]]></content:encoded></item><item><title>Margarida</title><description><![CDATA[Sentada nos últimos lugares do autocarro, Margarida encolheu-se quando o homem se sentou a seu lado.Naqueles lugares apertados, era praticamente impossível não tocar nas pessoas e eles estavam tão próximos, que ela conseguia sentir o cheiro da loção da barba. Corou ao sentir o calor da perna em contacto com a sua através dos jeans coçados.Mexeu-se, desconfortável, tentando afastar a perna dele.Pelo canto olho, espreitou-lhe o rosto moreno de nariz largo e sobrancelhas hirsutas encimado pela<img src="http://static.wixstatic.com/media/bec278bf84a4cd7e8b9b344dfb03905c.jpg/v1/fill/w_307%2Ch_283/bec278bf84a4cd7e8b9b344dfb03905c.jpg"/>]]></description><dc:creator>Manuel Amaro Mendonça</dc:creator><link>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2015/06/02/Margarida</link><guid>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2015/06/02/Margarida</guid><pubDate>Tue, 02 Jun 2015 22:08:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/bec278bf84a4cd7e8b9b344dfb03905c.jpg"/><div>Sentada nos últimos lugares do autocarro, Margarida encolheu-se quando o homem se sentou a seu lado.</div><div>Naqueles lugares apertados, era praticamente impossível não tocar nas pessoas e eles estavam tão próximos, que ela conseguia sentir o cheiro da loção da barba. Corou ao sentir o calor da perna em contacto com a sua através dos jeans coçados.</div><div>Mexeu-se, desconfortável, tentando afastar a perna dele.</div><div>Pelo canto olho, espreitou-lhe o rosto moreno de nariz largo e sobrancelhas hirsutas encimado pela cabeleira negra e encaracolada. O olhar parecia preso lá longe, na parte dianteira do veículo.</div><div>Queria ver-lhe os olhos, mas não se atrevia a voltar-se e olha-lo diretamente. Os olhos sempre foram aquilo que mais a atraía nos homens...</div><div>Não que esse fato adiantasse para alguma coisa; tinha vinte e dois anos e apenas teve um namorado. Se se pode chamar namoro ao que ela e o &quot;pau de virar tripas&quot; do seu vizinho pré adolescente fizeram durante dois anos... onde nem um beijo na boca aconteceu.</div><div>Com o coração a bater apressadamente, pegou o telemóvel e, simulando estar a escrever uma mensagem, inclinou o vidro do aparelho de forma a apanhar por reflexão o rosto do companheiro de viagem. Apreciou-o demoradamente e tentou fixar-lhe os olhos... que repentinamente a focaram através do reflexo.</div><div>Surpreendida e atrapalhada, quase deixou cair o equipamento. Virou rapidamente o mostrador para o chão enquanto se esforçava por regularizar a respiração entrecortada e acalmar o rosto que abrasava.</div><div>“Bem feita.” Censurava-se. “Sempre se deixara ficar quieta no seu canto, que lhe dera para fazer aquela fita?”</div><div>Apertou as mãos nos ferros do banco da frente e fechou os olhos com força inclinando a cabeça para baixo. “Será que esta aflição é um ataque cardíaco? Não sou muito nova para isso?”</div><div>Assim que começou a acalmar-se, puxou a cabeça ligeiramente para trás e inspirou fundo. Abriu os olhos e aquele rosto moreno, de olhos como carvões incandescentes, fitava-a num misto de preocupação e divertimento enquanto perguntava: &quot;Está a sentir-se bem?&quot;</div><div>Margarida soltou um gritinho de susto e, completamente atordoada, levantou-se abruptamente gemendo disconexa: &quot;Sim, estou bem. Estou bem, obrigada. Sim, é a minha paragem, tenho que sair aqui, com licença.&quot;</div><div>Na atrapalhação quase caiu sobre o passageiro e saiu a correr do transporte público... ainda não seria naquele dia que arranjaria um namorado.</div></div>]]></content:encoded></item><item><title>Luís e Isabel</title><description><![CDATA[Imagem: Claudio Mangini / Waiting for a call - Flickr* Conto publicado na coletânea "Quando o Amor é Cego" da Papel D'Arroz EditoraLuís olhou demoradamente o rosto de linhas perfeitas, adormecido entre os alvos panos rendados.O corpo magro mas bem proporcionado deitado no ataúde, envolto em rendas e flores, quase parecia uma boneca de jade numa caixa.Por momentos, também ele fechou os olhos com força para reter as lágrimas que pareciam querer explodir fruto da dor que morava em seu peito.Não<img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_362eea151c24437499d54deb79850e5f.jpg"/>]]></description><dc:creator>Manuel Amaro Mendonça</dc:creator><link>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2015/5/11/Lu%C3%ADs-e-Isabel</link><guid>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2015/5/11/Lu%C3%ADs-e-Isabel</guid><pubDate>Mon, 11 May 2015 22:15:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_362eea151c24437499d54deb79850e5f.jpg"/><div> Imagem: Claudio Mangini / Waiting for a call - Flickr</div><div>* Conto publicado na coletânea &quot;Quando o Amor é Cego&quot; da Papel D'Arroz Editora</div><div>Luís olhou demoradamente o rosto de linhas perfeitas, adormecido entre os alvos panos rendados.</div><div>O corpo magro mas bem proporcionado deitado no ataúde, envolto em rendas e flores, quase parecia uma boneca de jade numa caixa.</div><div>Por momentos, também ele fechou os olhos com força para reter as lágrimas que pareciam querer explodir fruto da dor que morava em seu peito.</div><div>Não podia entender como fora tão cego... como deixara que tudo aquilo tomasse o rumo que tomou e desencadeasse numa trama incontrolável.</div><div>Amar demais também é erro...</div><div>Não conseguira nunca dizer que não àquela mulher.</div><div>Como era possível dizer-lhe que não?</div><div>Como era possível desgosta-la? Se ela dizia que queria algo, ele desdobrava-se em esforços para o conseguir. Se ela dizia que não gostava de algo, ele desfazia-se imediatamente do que fosse... por mais que lhe custasse.</div><div>Quando deu por si, toda a situação fugira do seu controlo e ela, que ele tanto amava, por quem ele se desdobrava em agrados e atenções, achou que já chegava... e partiu para os braços de outro homem.</div><div>Desde que perderam a criança com poucos meses de gestação num aborto espontâneo, aquela Isabel, doce, alegre e feliz, tornou-se mimada, fútil e sem conseguir dedicar-se ao que quer que fosse mais do que uns escassos minutos seguidos. Alternava entre períodos de melancolia e frenética alegria.</div><div>Agora tudo parecia distante e nubloso, mas ao mesmo tempo vivido e doloroso.</div><div>Claro que ele compreendeu e aceitou as explicações dela para acabar o casamento...</div><div>… os belos olhos azuis marejados de lágrimas num pedido de desculpas desesperado, gritado e implorado.</div><div>… quem pode recusar a liberdade à bela ave que conservamos numa gaiola? Por mais dourada que ela seja?</div><div>“Amo-te demais” conseguiu ele dizer numa voz estrangulada pela dor “para te prender num sítio onde não queres estar.”</div><div>E ela, esplendidamente bela, soltou gritinhos de felicidade, deu-lhe abraços e molhou-lhe o rosto com as suas lágrimas salgadas... misturando-as com as dele:</div><div>“Eu sabia que ias compreenderias meu amor.” ela não percebia como essas palavras eram facadas dolorosas no coração fraco dele.</div><div>Também por amor, compareceu num casamento feliz onde a bela Isabel se uniu ao hercúleo Carlos. Não conseguiu sentir raiva de nenhum deles.</div><div>Seis anos se passaram e estava tudo ainda tão claro na sua mente.</div><div>Numa interrupção das recordações, fitou de novo o rosto dela, percebe que possui uma serenidade e uma majestade que ele não notara antes. As pálpebras, caídas sem esforço sobre os olhos que ele sabia azuis, eram como um reposteiro que abriga da luz do sol mantendo todo o universo na penumbra.</div><div>Era assim que ele se sentia agora... afastado do seu olhar, numa penumbra eterna, num purgatório do qual não sabia se sairia algum dia.</div><div>Lembrava-se ainda da ultima coisa que lhe escrevera... que não tivera coragem de lhe mostrar, como milhares de outras coisas que não tivera coragem de dizer ou fazer;</div><div>Tivesse eu palavras,</div><div>Para descrever a dor que me consome o peito.</div><div>Conseguir explicar a amargura que ferra a alma.</div><div>E as lágrimas que me queimam os olhos.</div><div>Tivesse eu palavras,</div><div>Para te dizer como és importante para mim.</div><div>Mostrar-te como é vazia minha vida sem ti.</div><div>Como fica vazio o meu coração sem teu amor.</div><div>Tivesse eu palavras,</div><div>Para implorar que fiques.</div><div>Já lhe tinha dito que podia seguir uma outra vida, longe dele, se essa era a vontade dela... e ela foi. E ele deitou fora o papel manchado pelas lágrimas que continha aquelas palavras. Como se assim encerrasse aquela página da sua vida e fechasse a porta ao sofrimento. Não conseguiu porém evitar que ficassem gravadas a fogo na sua memória.</div><div>Os anos seguintes foram pancadas que pouco a pouco iam doendo menos, ou às quais ele se dando menos importância. Com o tempo, um Luís magríssimo começou a conseguir manter uma relação amorosa com uma colega do emprego.</div><div>Até que nuvens de tempestade assombraram o paraíso e o casamento de Isabel começou a revelar-se problemático.</div><div>Por várias vezes os ciúmes doentios dela, infundados ou parcos em provas, causaram separações mais ou menos prolongadas. Invariavelmente Isabel telefonava, lavada em lágrimas, pedindo-lhe desculpas pelo que o fez passar e implorando que a não deixe sozinha.</div><div>Invariavelmente, Luís largava tudo o que estivesse a fazer para correr ao apartamento onde viveram momentos tão felizes e do qual nunca se desfizera da chave.</div><div>Invariavelmente ela encontrara já o seu consolo na bebida e nos comprimidos para dormir. Limitavam-se a ficar abraçados na cama enquanto ela chorava o sofrimento que Carlos lhe causava numa voz cada vez mais sumida. Até cair no sono.</div><div>Invariavelmente Luis telefonava a Carlos a pedir que volte para a mulher e faça por se entender com ela... embora no fundo do seu coração desejasse precisamente o contrário.</div><div>Invariavelmente, ao sair daquele tão familiar apartamento, de lágrimas nos olhos, hesitava se deveria ou não deixar para sempre a chave. Invariavelmente levava-a consigo junto ao coração onde a esperança teimava em não morrer e renascia a cada chamada.</div><div>Inevitavelmente a sua companheira percebeu que não havia espaço suficiente no peito dele para ambas e deixou-o.</div><div>Seis anos, uma vida...</div><div>Olhou para Carlos sentado no outro lado da sala, pálido, olhar perdido no infinito. Nunca conseguira odiar aquele gigante bem disposto, por muito que tentasse. Acabou sempre por fazer o possível para que eles se dessem bem, a felicidade de Isabel estava acima de tudo.</div><div>Nos últimos meses as crises sucediam-se mais amiúde e as separações entre eles mais prolongadas. Luís ainda passou uma ou duas noites no apartamento com ela, sem que acontecesse nada entre eles. Ela pedia-lhe que não a deixasse e ele ia ficando, em silêncio, ouvindo-a chorar e prometendo que ficaria até que adormecesse. Pela manhã percebia o olhar culpado dela que lhe pedia perdão por se servir do seu amor não retribuído e saía vazio e sem esperança.</div><div>Na última noite, cansado de uma semana de muito trabalho, observou a foto de uma longinqua e sorridente Isabel a vibrar no telemóvel. Sem alento, deixou que tocasse até ser atendido pelo correio de voz. Ela insistiu mais três vezes com o mesmo resultado. Da última vez deixou uma mensagem antes de desligar.</div><div>Luís colocou o equipamento em silêncio, tentou dormir e ignorar, Após imensas voltas na cama, ao fim de quase uma hora, ligou ao correio de voz para escutar a mensagem.</div><div>A voz que chorava, mas que mesmo assim aquecia a alma, implorava:</div><div>“Luís, por favor, atende. Eu sei que sempre abusei muito de ti, mas agora chega, acabei tudo com o Carlos. De vez. Preciso de ti meu amor, nunca deverias ter-me deixado fazer o que eu queria, devíamos ter ficado juntos para sempre. Volta, amor.”</div><div>A explodir de felicidade ele tentou devolver a chamada mas o telefone estava fora de serviço. Apercebeu-se que havia outra mensagem; a amada voz, nitidamente alcoolizada, sentenciava:</div><div>“Acabei de passar em tua casa e vi o carro à porta. Percebo que estejas cheio de mim e tens toda a razão em não me perdoar. Sou uma estúpida que não soube o que fazer da vida e só trouxe infelicidade a todos aqueles que toquei. Achei que eras culpado da nossa infelicidade, de termos perdido o bebé. Culpado pela tua mansa aceitação do inevitável, da tua serenidade perante o inimaginável... Mas a verdade é que, na minha maneira estúpida, nunca deixei de te amar. Espero que me perdoes”</div><div>Desesperado tentou mais algumas vezes o telemóvel dela e depois o de Carlos, que também não atendia.</div><div>Correu como louco para o carro e para o apartamento dela.</div><div>Abriu atabalhoadamente a porta e entrou no quarto de rompante.</div><div>Carlos estava sentado na cama ao lado do corpo adormecido de Isabel...</div><div>Luís hesitou e preparava-se para sair quando ele, sem levantar o rosto, gemeu: “Acabou tudo.” E ergueu um frasco de barbitúricos vazio.</div><div>Triologia Luis e Isabel</div><div>1ª Parte - </div><div>2ª Parte - </div><div>3ª e última parte </div></div>]]></content:encoded></item><item><title>O Livro</title><description><![CDATA[Livro ricamente encadernado que és...Encadernação de couro macioE belos relevos suaves.Letras bem contornadas.Gravadas a fogo.O indice...É só uma pequena amostra do que nos espera.Tão completo e elaborado,Quase pedindo para ser desfolhado,Explorado.Cada capítulo...Uma riqueza em recheioCom títulos fartos e convidativos.Cada página...uma história inolvidavel.Cada linha...cheia de significados e mensagens ocultas.E quando chegas à ultima páginaChoras por ter terminadoE queres retomar a leitura<img src="http://static.wixstatic.com/media/349757f6ec5e450f88f625641e5055b1.jpg/v1/fill/w_407%2Ch_271/349757f6ec5e450f88f625641e5055b1.jpg"/>]]></description><dc:creator>Manuel Amaro Mendonça</dc:creator><link>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2015/01/17/O-Livro</link><guid>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2015/01/17/O-Livro</guid><pubDate>Sat, 17 Jan 2015 08:17:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/349757f6ec5e450f88f625641e5055b1.jpg"/><div> Livro ricamente encadernado que és...</div><div>Encadernação de couro macio</div><div>E belos relevos suaves.</div><div>Letras bem contornadas.</div><div>Gravadas a fogo.</div><div>O indice...</div><div>É só uma pequena amostra do que nos espera.</div><div>Tão completo e elaborado,</div><div>Quase pedindo para ser desfolhado,</div><div>Explorado.</div><div>Cada capítulo...</div><div>Uma riqueza em recheio</div><div>Com títulos fartos e convidativos.</div><div>Cada página...</div><div>uma história inolvidavel.</div><div>Cada linha...</div><div>cheia de significados e mensagens ocultas.</div><div>E quando chegas à ultima página</div><div>Choras por ter terminado</div><div>E queres retomar a leitura começando de novo.</div><div>Repassando todas as histórias,</div><div>Ainda que repetidas,</div><div>Linha a linha.</div><div>Mesmo que tenhas que estar mais atenta</div><div>Às subtilezas das virgulas</div><div>E aos subentendidos das orações.</div><div>E cada leitura é uma experiencia nova e inebriante</div><div>Que nos deixa sem fôlego</div><div>E esgotados...</div><div>...mas felizes.</div></div>]]></content:encoded></item><item><title>Traição</title><description><![CDATA[Imagem: Anonymous Drinker - David Goehring - Flickr ** Conto incluído no livro "Terras de Xisto e Outras Histórias" publicado pela Createspace e distribuído pela Amazon Entrou cambaleante na casa de banho da discoteca e o cheiro intenso a urina e vómito atingiu-o com força. Apoiou-se na laje molhada, semeada de bocados de papel que servia de lavatório e enfrentou aquele rosto sério que o olhava todos os dias. O cabelo raiado de fios brancos estava molhado de chuva e de transpiração. Olheiras<img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_dabde0c8802242d7952cf0e24d850669.jpg"/>]]></description><dc:creator>Manuel Amaro Mendonça</dc:creator><link>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2015/1/7/Trai%C3%A7%C3%A3o</link><guid>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2015/1/7/Trai%C3%A7%C3%A3o</guid><pubDate>Wed, 07 Jan 2015 22:46:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_dabde0c8802242d7952cf0e24d850669.jpg"/><div>Imagem: Anonymous Drinker - David Goehring - Flickr</div><div>** Conto incluído no livro &quot;Terras de Xisto e Outras Histórias&quot; publicado pela Createspace e distribuído pela Amazon</div><div>Entrou cambaleante na casa de banho da discoteca e o cheiro intenso a urina e vómito atingiu-o com força. Apoiou-se na laje molhada, semeada de bocados de papel que servia de lavatório e enfrentou aquele rosto sério que o olhava todos os dias. O cabelo raiado de fios brancos estava molhado de chuva e de transpiração. Olheiras negras acentuavam-lhe a vista cansada. As pernas tremiam-lhe, estava e sentia-se um trapo. Além de ligeiramente bêbado… ou completamente. Já há muito tempo não bebia assim e a capacidade para dominar os efeitos da bebida há muito que vinha a reduzir. Fez um trejeito de desprezo para ele próprio. enquanto a cabeça oscilava ligeiramente num desequilíbrio mais ou menos controlado. - Na mesma noite desrespeitaste três das tuas regras essenciais. – A voz rouca e entaramelada sentenciou para o espelho, enquanto erguia uma das mãos e contava pelos dedos. – Bebeste de mais, fizeste sexo com uma desconhecida e essa desconhecida tinha idade para ser tua filha. Estás a ficar velho, a perder qualidades e o respeito pela tua própria forma de vida! Inclinou-se e passou água no rosto por várias vezes. Limpou-se e atirou com os papéis para o lavatório.  Endireitou-se mirando-se numa caricatura de pose altiva, sentenciando para si próprio; “Quem te viu e quem te vê!” Trôpego, abandonou a divisão apalpando as chaves do carro no bolso do casaco molhado e dirigiu-se para a saída do edifício. À porta foi abordado por uma jovem magra, molhada como ele, que tremia de frio e excitação com os braços envolvidos no corpo numa tentativa de se aquecer. O cabelo que de tão loiro era quase branco, escorria sobre a cabeça e pingava copiosamente sobre os ombros. Os olhos de um azul celeste olhavam-no com receio e admiração, enquanto se lamentava: - Fechaste o carro enquanto fui à casa de banho e molhei-me toda quando regressei e dei com o nariz na porta. Ele olhou-a como se fosse a primeira vez que a via, passou a mão pelo rosto e esfregou os olhos com força. – Estás bem? - Ela insistiu, tentando espreitar por entre os dedos dele e soltando um risinho acriançado. – Bebeste um bocadinho de mais não foi? Simão, oscilante, olhou-a e devolveu-lhe um sorriso triste e cansado: - É, miúda, bebi um bocadinho de mais. Foi isso. Agora vou-me embora. - Há pouco não me chamavas miúda! – Provocou a jovem em tom irritado. - Tens razão, há pouco não. Só que, nesse momento, eu era um bocado mais cretino do que sou agora. Desculpa-me! – Passou-lhe a mão pelo rosto numa carícia antes de se afastar, em passos largos, para a saída. Desconcertada, deixou-se ficar uns segundos a olhá-lo saindo em passos inseguros. - Já tens o que querias não é, filho da p...? – Explodiu ao mesmo tempo que as lágrimas irrompiam dos olhos claros. – Também não vales nada, não passas de um velho caquético e baboso. Nem conseguiste dar a segunda! Correu para a casa de banho, furiosa, soltando uivos de indignação e deixando boquiabertos aqueles com quem se cruzou. Ele não escutou, ou ignorou-a e saiu para a chuva forte não se preocupando sequer em acelerar o passo. As gotas que lhe castigavam o rosto eram bem-vindas e já nem sentia a roupa encharcada. Abriu a porta do BMW, cinzento metalizado, já com alguns anos e atirou-se para o assento do condutor. Pousou a cabeça no volante tentando recompor-se. Tinha saído com alguns colegas de trabalho para jantar e festejar o aniversário de um deles, no fim, ele e outros três, decidiram terminar a noite numa discoteca e assim fizeram. Com o passar das horas e o consumo de álcool, em crescendo, um a um foram-se embora restando apenas ele. Quando estava quase para desistir também, reparou na miúda loira (não deveria ter mais de 18 anos... se os tivesse) que o olhava com insistência. Não era muito bonita, mas, debaixo da intoxicação alcoólica, os seus “instintos de macho caçador” foram ativados e num instante estavam a dançar na pista... tinha noção que poderia ter exagerado um pouco nos seus movimentos, mas o que é certo é que não tardaram a estar aos beijos dentro do seu carro.  O sexo foi atrapalhado e louco, como se lembrava ter sido noutras ocasiões semelhantes, há mais anos do que gostava de reconhecer. Uma vez mais provou a si próprio que, ao contrário do que se diz, o álcool não tira a ereção... pelo menos não completamente. Enfim, não foi nenhum Kama Sutra, mas para ele chegava, se ela queria mais, temos pena... talvez outro dia. Agora, porém, sentia-se um pouco mais afetado pela bebida. Meteu a chave na ignição, inclinando a cabeça por baixo do volante e viu um dos lenços de papel utilizados, no chão. Com uma expressão de repulsa pegou-lhe com a ponta dos dedos e atirou-o pela janela.  Nesse preciso momento, uma mão enorme entrou pelo vidro aberto, agarrou-o pelo cabelo curto e tentou puxá-lo pela abertura. Graças ao facto do cabelo ser curto, conseguiu libertar-se e olhar, incrédulo, para um homem baixo de olhar feroz que gritava algo e tentava agarrá-lo novamente. Atrás dele, a miúda de há pouco exibia um ar de triunfo. - Mas que queres? Que é que te deu? - O assustado Simão afastava-se o mais que podia da mão sapuda que, por sorte, pertencia a um braço curto. - Vou partir-te as ventas, filho da p.... Meteste-te com a minha irmã? - Gritava o energúmeno. - Sabes que é uma menor? Cabrão! - Eu?!? Ela é que se meteu comigo. - Enquanto isso conseguiu fechar o vidro e a mão do agressor precipitou-se, rapidamente, para o exterior para não ser trilhada. Uma sequência de pontapés na porta e murros no vidro, acompanhados de insultos...foram a resposta do indivíduo. Tremendo, debaixo da agressão teimosa que o veículo recebia, conseguiu pôr o motor a trabalhar e tentou abandonar o parque, quase passando por cima do agressor. A chuva no para-brisas, a luz dos faróis e o chão molhado, aliados ao estado de embriaguez, tornavam a tarefa de conduzir quase impossível. Ao contornar a primeira fila de carros estacionados, o indivíduo, qual búfalo, saiu bufando do meio das viaturas e atirou-se sobre o capô. O aterrorizado condutor guinou algumas vezes, atirando-o ao chão e acelerou. - Mas que sorte da merda! - Simão estava agora mais consciente, afastada a embriaguez pelo pavor que sentia. – A cabra da gaja tinha que ter uma besta de um touro por irmão. No início da nova fila de carros, uma vez mais, o indivíduo surgiu à frente do veículo; agora armado com um guarda-chuva que atirou contra o para-brisas, antes de saltar para o lado, para evitar ser colhido. - Valha-me Deus! No que eu me meti. - Gemeu contemplando o para-brisas. – Minha Nossa Senhora de Fátima! Se me livro desta não quero saber mais de gaja nenhuma. Só vou ter olhos para a minha mulher. Vou ser um modelo de virtude! Já na chegada à cancela de saída do parque (que por acaso estava aberta), passou como um foguete para a estrada sem se acautelar com o trânsito e ainda a tempo de ver o vingativo indivíduo a sair do meio das viaturas estacionadas, quase a apanhá-lo outra vez. Por sorte, não havia veículos na estrada àquela hora tardia e conseguiu, com alguma dificuldade e manobras perigosas, estabilizar o automóvel para circular na faixa de rodagem certa. - Fonix! - Gemeu – O que me havia de calhar no “fim da festa”. Os olhos seguiam, constantemente, para o retrovisor com medo de divisar alguém a segui-lo. - Parecia o puto do Rocky. Cabrão! Ainda com as mãos e as pernas a tremer, a velocidade a que se afastava do local fazia-o, gradualmente , sentir-se mais seguro. Escapara de uma situação perigosa apenas com um para-brisas estalado e algumas amassadelas na chapa. Muita sorte!. - Só vou ter olhos para a minha mulher... - Reiterou – Modelo de virtude... Segurava o volante com força, reduzindo a velocidade, mas não parando nos semáforos vermelhos enquanto pensava na sua promessa. - Mas não posso começar já... amanhã é dia de estar com a doce Eduarda.</div></div>]]></content:encoded></item><item><title>Criminoso</title><description><![CDATA[Imagem: Sergio Fabara Muñoz - Umbrella - Flickr A chuva caía copiosa sobre os telhados correndo vertiginosamente para as caleiras rotas e vãos de telhado lançando-se generosamente sobre os transeuntes que, por azar, passavam sob elas. De vez em quando, um relâmpago abrilhantava o céu escuro coberto de nuvens ameaçadoras. Até o vento fraco parecia aliado daquele tempo pouco convidativo e lembrando que era ele o portador daquelas nuvens prenhes de água que inundavam as ruas imundas de lixo. Miguel<img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_29f1cb77913a4c499bb7e6819766f2d4.jpg"/>]]></description><dc:creator>Manuel Amaro Mendonça</dc:creator><link>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2014/7/2/Criminoso</link><guid>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2014/7/2/Criminoso</guid><pubDate>Tue, 01 Jul 2014 23:34:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/a84154_29f1cb77913a4c499bb7e6819766f2d4.jpg"/><div> Imagem: Sergio Fabara Muñoz - Umbrella - Flickr</div><div>A chuva caía copiosa sobre os telhados correndo vertiginosamente para as caleiras rotas e vãos de telhado lançando-se generosamente sobre os transeuntes que, por azar, passavam sob elas.</div><div>De vez em quando, um relâmpago abrilhantava o céu escuro coberto de nuvens ameaçadoras.</div><div>Até o vento fraco parecia aliado daquele tempo pouco convidativo e lembrando que era ele o portador daquelas nuvens prenhes de água que inundavam as ruas imundas de lixo.</div><div>Miguel caminhava apressadamente sem guarda-chuva, através das poças que insistiam em chapinar acima do cano curto das botas.</div><div>Até a camisa, por baixo do casaco ensopado, começava já a ressentir-se e o tecido húmido arrepiava a pele.</div><div>As coisas não lhe corriam nada bem desde que saíra da cadeia. Há algum tempo que não lhe aparecia um “trabalhinho” realmente bom, e seguro, onde pudesse retemperar as suas depauperadas finanças.</div><div>A última carteira que “trabalhara” no autocarro rendera-lhe um livro de senhas de transportes, um bilhete de identidade imprestável de tão mal tratado, uma fotografia de uma mulher gorda e dois filhos ranhosos e cinco euros e cinquenta cêntimos… Realmente…</div><div>As coisas não estavam mesmo nada bem, o carro não tinha gasolina, o irmão recusava-se a emprestar-lhe mais dinheiro e até a gaja que dizia que esperaria por ele até que saísse da prisão se tinha “baldado” sem que nenhum dos amigos soubesse para onde.</div><div>Vagueava então pelas ruas à procura de algo descuidado... uma carteira “à mão de semear”, um carro aberto. Até os trocos que um incauto cliente do café deixara para pagar a sua despesa mudaram-se por encanto para a sua algibeira.</div><div>A água ensopava o cabelo curto e escorria livremente pelo rosto, pingando do queixo e do bigode loiro e fino que mantinha cuidado.</div><div>Mesmo na cadeia, nunca deixara de cuidar do seu aspeto, não deixava crescer o cabelo nem a barba e aparava cuidadosamente o bigode de que se orgulhava. Um dos presos mais velhos chamava-lhe Errol Flynn, parece que era um galã do cinema do tempo do “preto e branco”. A alcunha pegou e começaram a chamar-lhe Flynn.</div><div>Aproximava-se da esquina onde costuma estar aquela “garina” que andava a “micar” há alguns dias, sempre no mesmo sítio… ele olhava-a insistentemente ao passar e ela devolvia-lhe o olhar, descarada. Parecia ter “pastel”...</div><div>Reduziu o passo e fingiu uma descontração que não tinha.</div><div>Ali estava ela. Embrulhada numa capa amarela, guarda-chuva aos quadrados, com o cabelo negro, rebelde enfeitando o rosto moreno. E os olhos… os olhos vivos e atentos a todos os movimentos à sua volta, brilhantes e cheios de vida.</div><div>Era alta para mulher, na casa dos trinta. Magra mas insinuante, elegante, mesmo vistosa.</div><div>A chuva parecia não a incomodar minimamente e ali estava na mesma esquina, sem que ele soubesse à espera de quê…</div><div>Ao aproximar-se olhou-a nos olhos e ela devolveu-lhe um olhar profundo e incendiado tão ausente quanto atento… Sentiu o chão fugir-lhe debaixo dos pés quando ela sorriu.</div><div>O seu sorriso, era como se o sol rompesse da terra expulsando as nuvens e a chuva. Por instantes, aquele rosto iluminou-se enquanto aquela dádiva de Deus surgia e desaparecia com a mesma rapidez... Os olhos desinteressaram-se dele e encararam-no com frieza.</div><div>Tentou falar, mas o que lhe saiu foi um grasnar rouco, fruto do nervosismo.</div><div>Tossicou e tentou de novo:</div><div>Olá.</div><div>Com aquele olhar penetrante, ela, pouco mais baixa que ele, perscrutou-o de alto abaixo. O guarda-chuva continuou a abriga-la apenas a ela. Um sorriso irónico acompanhou a resposta:</div><div>Olá.</div><div>Já há vários dias que te encontro aqui… - Tentou.</div><div>O sorriso desvaneceu-se dando origem a uma expressão séria: - E?</div><div>E nada – desculpou-se – simplesmente me interrogo que faz uma miúda como tu, aqui sozinha, à espera não sei de quê.</div><div>Deves ter muito a ver com isso. – O olhar endureceu – És policia?</div><div>Eu? – A gargalhada saiu-lhe com gosto – Se há coisa que não sou é policia.</div><div>O desinteresse regressou e os olhos retornaram para o vazio do outro lado da rua.</div><div>Então”vaza”. “Desampara-me a loja”.”Dá de frosques.”</div><div>Eh, calma. – Pediu – Só queria meter um pouco de conversa neste dia horrível e gelado. Parecias-me uma tipa porreira para conversar um pouco.</div><div>Aqueles olhos estonteantes olharam-no no fundo da alma e gelaram-no dos pés à cabeça: - Não estás confundido, ó “pázinho”? Achas que estou aqui no ataque, é?</div><div>Poça… - Lamentou-se – Desculpa lá se é isso que te faço pensar, mas aí, a minha pergunta seria “Quanto é?”, não te parece?</div><div>Silêncio. O olhar pareceu aquecer um pouco e a chuva deu a impressão de amainar. O guarda-chuva deslocou-se para proteger um pouco a cabeça irremediavelmente molhada de Miguel: - Que queres então?</div><div>Sei lá, conversar, já não falo com ninguém há tanto tempo, tu pareces uma miúda simpática… Sinto-me sozinho percebes? E tenho-te visto aí tão só estes dias…</div><div>Uma língua voluptuosa humedeceu uns lábios carnudos entreabertos quentes e sensuais mas não respondeu.</div><div>Se não queres, amigos à mesma… - Conformou-se.</div><div>Os lábios formaram um sorriso acompanhado de um olhar semicerrado, desconfiado.</div><div>Que queres falar então? Do tempo? – E afastou o guarda-chuva olhando para cima para que a água lhe caísse livremente no rosto logo tornando à posição inicial. – Está molhado.</div><div>Ele olhou para o lado, constrangido, dando a oportunidade dela o apreciar calmamente.</div><div>Vamos tomar um café? – Recuperou ele repentinamente.</div><div>Um encolher de ombros desinteressado acompanhou a resposta: - Pode ser. Onde?</div><div>Ali na esquina do outro lado. Vem.</div><div>Ele esperou de lado, facultando-lhe a passagem e indicando a direção com o braço direito. Ela acedeu, caminhando majestosamente à sua frente, enquanto atravessava a rua.</div><div>Já no estabelecimento, sentados, fez sinal ao empregado que lhe trouxesse dois expresso. A mão esquerda contava as moedas que ainda conservava no bolso: - Espero que não queira mais nada. – Suspirou de si para si.</div><div>Todo o salão cheirava a molhado e o chão estava marcado por dezenas de sapatos de todos os tamanhos e feitios que calcorrearam a área em busca de uma bebida quente e reconfortante.</div><div>Os vidros, através dos quais se viam pessoas apressadas, escorriam as gotas sujas duma chuva insistente e gordurosa.</div><div>Estás todo encharcado… - Observou a jovem em jeito de conversa aparentando um pouco de simpatia.</div><div>É – confirmou – eu e os guarda-chuvas nunca nos demos muito bem. Acho que é qualquer antipatia de nascença.</div><div>Um olhar curioso devorou-o fundo nos olhos logo interrompido pela chegada do empregado que pousava as chávenas.</div><div>Flutuava um silêncio frio entre ambos enquanto ela tratava do seu café e ele colocava as moedas sobre a mesa.</div><div>Então? – exigiu ela ao fim de mais alguns segundos e dois goles de café – Que queres falar? Tens algum tema em mente? Aviso-te já que não percebo nada de futebol e abomino a política.</div><div>Sim. – Um olhar franco e levemente irónico iluminou-lhe o rosto – A minha ideia de convidar uma mulher bonita como tu era de falar de política ou futebol.</div><div>Belo. Agora já sou uma mulher bonita, estamos a progredir, há pouco era só uma miúda simpática. De que vamos falar então? Vamos, deves ter um tema, não?</div><div>Sentiu-se intimidado com tanta impulsividade e olhou-a sem saber bem o que responder até que se lamentou:</div><div>Assim não estás a fazer as coisas nada fáceis. Que queres que te diga quando falas para mim como se fosses um bófia a interrogar-me? A seguir estás a dizer-me “Bufa cá para fora, quem era o meliante que te ajudou a palmar o auto-rádio ó meliante”.</div><div>A gargalhada dela soou como as águas de uma torrente cristalina:</div><div>Está bem, ganhaste. Desculpa, não estou mesmo a facilitar as coisas. Estavas intrigado comigo, não é verdade? Pois bem, primeiro de tudo, chamo-me Célia e tenho estado a vigiar a entrada do meu apartamento. Acho que o meu ex-marido vai lá quando eu não estou.</div><div>Então pode estar lá agora, não? Fiz-te abrandar a vigilância ao trazer-te aqui…</div><div>Nãã. Não te preocupes, já há três dias que vigio a espaços e não o apanho. Ou já desistiu ou sabe que estou à espreita…</div><div>Bem, eu já reparei em ti há alguns dias.</div><div>… ou eu sou um desastre como detetive.</div><div>Pois…</div><div>Se calhar é isso, não é? Também acho que não me devo importar mais com isso, aliás, ele nunca levou nada, nem nada.</div><div>Então que vem lá fazer?</div><div>Acho que quer saber se vem lá algum homem e quer descobrir provas… Mas chega de falar de mim. E tu? Que fazes quando não andas a tropeçar em “miúdas simpáticas” na rua?</div><div>Eu? – Reagiu surpreendido – Bem, chamo-me Miguel e sou eletricista de automóveis, mas estou desempregado.</div><div>Novamente os olhos semicerrados.</div><div>Queres dizer que ou foste despedido ou saíste da cadeia há pouco.</div><div>Ele estremeceu com a certeza da “pancada” e disfarçou com um sorriso amarelo:</div><div>Que te faz pensar isso? És telepata?</div><div>Não, tolinho. “Palmar auto-rádios”? Parece-me uma boa pista.</div><div>É, não fui muito inteligente. Mas também não esperava uma “lata” tão grande da tua parte a “mandar-me” logo com essa.</div><div>Lata, eu, é? Pois, até fui eu que meti conversa contigo.</div><div>Mas não foi por isso que “fui dentro”. Havia um “chavalo” que lhe tinham caído no bolso umas gramas mais do que as que precisava. Por isso, achou que meter a mercadoria na minha mochila quando os “bófias” chegaram, era uma boa ideia.</div><div>Pois. É preciso ter “galo”, ou fracos amigos. E se calhar não consomes nem nada. Não tens aspeto disso. Eu tinha-lhe “dado cabo do canastro” em dois tempos.</div><div>Bem tentei na altura. Mas os “bófias” não colaboraram e agora é tarde que ele já “bateu as botas”. Uma overdose.</div><div>Acontece aos melhores. Eu nunca me meti nessas merdas.</div><div>Nem eu, mas por vezes a gente vê-se nelas.</div><div>A mão dela tocou na dele sobre a mesa e olhou demoradamente o singelo anel que brilhava:</div><div>Ouro?</div><div>Sim. – Acedeu – Toda a minha riqueza. Um anel que o meu pai não conseguiu deitar a mão para vender após a morte da minha mãe. Também não vale muito.</div><div>Ela levantou-se lentamente deixando-o acompanhar o seu corpo com os olhos:</div><div>Vou para casa.</div><div>Nem falamos muito. Não te soube bem falar um pouco?</div><div>Aqueles olhos profundos emolduraram-se com um sorriso que o fez oscilar enquanto se levantava também.</div><div>É. Acho que também estava a precisar de falar um pouco. Queres vir tomar qualquer coisa mais quente que esta miserável desculpa para café?</div><div>O rosto dele iluminou-se e os seus olhos pareceram ganhar uma vida e um brilho que estavam escondidos bem fundo:</div><div>Está bem. De certeza que não queres mais nada daqui? – Interiormente encolheu-se com a possibilidade de uma resposta positiva.</div><div>Não. Acho que não. De qualquer forma não devemos de afetar ainda mais as tuas (suponho) já frágeis economias. – Aquele piscar de olhos derreteu-lhe o coração fazendo-o bater mais forte – Senta aí um pouco e dentro de 5 minutos sobes a minha casa. É o 172, 3º Direito, a porta de baixo está só encostada e a do apartamento tem a fechadura forçada. Ontem tive visitas indesejáveis.</div><div>Ele continuou em pé ainda atordoado com a proposta.</div><div>Senta-te – continuou ela – não quero que nos vejam a subir juntos. O meu ex pode ainda andar por aí. Cinco minutos, ok?</div><div>Sentou-se e ficou, sem uma palavra, a olhar aquele corpo bem torneado que se adivinhava debaixo da capa amarela afastando-se a decididos passos largos.</div><div>Assim que lhe pareceu, levantou-se e dirigiu-se para a porta deixando algumas moedas na mesa.</div><div>Caminhou rente às paredes, para evitar molhar as suas já encharcadas roupas e aproximou-se do nº 172.</div><div>Quase a medo e tentando não perder de vista toda a área envolvente, empurrou a porta que cedeu sem qualquer dificuldade.</div><div>O prédio já não era novo e ainda que não estivesse maltratado, agradecia uma boa pintura. O corrimão da escada, que começou a subir pé ante pé, estava quase solto.</div><div>Terceiro direito – Sussurrou para si próprio ao chegar ao patamar e olhando a fechadura obviamente forçada.</div><div>A porta abriu-se, antes da sua mão ter tempo de lhe tocar, enquanto um braço o agarrava e puxava para dentro rapidamente. O rosto sorridente de Célia quase colou no seu.</div><div>Ena, quase me sinto raptado. – Gracejou Miguel enquanto a porta batia atrás de si.</div><div>Não quero que te vejam aqui. Os meus vizinhos são muito coscuvilheiros e já tenho problemas que me bastem.</div><div>Os olhos dele percorreram rapidamente o hall e o mobiliário que o decorava enquanto pensava – É, decididamente a garota tem “pasta”, pode ser uma boa.</div><div>Agrada-te? – Perguntou ela notando a atenção dele.</div><div>Sim, sim, bastante acolhedor. Um dia gostaria de ter uma casa assim…</div><div>Tens de “dar o corpo ao manifesto”, honestamente claro, porque a fugir da lei não se consegue ter nada.</div><div>Pareces versada no tema…</div><div>Não. É apenas um facto que toda a gente sabe, mas alguns não querem aceitar. Vamos ficar aqui na entrada? – Disse indicando a porta da cozinha - Queres tomar então uma bebida quente? Um café, um chá? Leite?</div><div>Outro café ia bem, aquele não estava muito quente e hoje até fazia jeito.</div><div>Entraram na cozinha impecavelmente arrumada e uma vez mais, o olhar atento de Miguel percorreu todo o mobiliário enquanto ela parecia procurar algo nos armários.</div><div>As portas abriam e fechavam rápida e silenciosamente até que ela confessou – Não sei onde para o café. Não percebo nada desta cozinha pois a minha empregada é que trata disto tudo…</div><div>Pois, os inconvenientes de ter empregada. – Gracejou – Já experimentaste na dispensa? Assumindo que tens uma.</div><div>Claro, que estúpida sou. – E saiu do aposento deixando-o sozinho.</div><div>A máquina do café estava ligada pelo menos. – Os seus pensamentos flutuavam – Tudo muito limpo muito arrumado. Empregada. E ele que vivera sozinho tantos anos, realmente os homens são um desastre no que toca a arrumação.</div><div>Achei. – Sobressaltou-o ela empunhando um pacote de café, vitoriosa – Mas senta-te aí à mesa enquanto eu trato disto.</div><div>Obedeceu enquanto a observava, de costas. Era realmente bem feita, cintura fina, nádegas arredondadas, ombros bem proporcionados… Pena ter de se “abotoar” ao que houver à mão e “dar de frosques” rapidamente.</div><div>O cheiro do café começou a encher o ambiente, aconchegante.</div><div>Ela voltou-se com duas chávenas fumegantes que pousou na mesa. Ele não pode deixar de reparar, sob a cor tijolo da camisola de lã, o contorno de uns seios pequenos mas apetecíveis.</div><div>Aqui está. Espero ainda ter alguma prática nisto. – Desejou sentando-se à sua frente.</div><div>Cheira bem, pelo menos e as chávenas estão quentes. – Afirmou enquanto adoçava a bebida.</div><div>Fez-se um silêncio constrangedor enquanto ambos bebiam.</div><div>Está ótimo. – Elogiou ele – Mesmo quente como eu precisava.</div><div>Ainda bem que gostas. Estava com medo de já não o saber fazer. – Levantou-se, pegou na sua chávena e aproximou a mão da dele – Já está?</div><div>Sim, obrigado. – Estendeu o recipiente e ambas as mãos se tocaram deixando-os estáticos por segundos.</div><div>Ela rodou rapidamente, colocou a louça no balcão e tornou para junto dele, que continuava sentado. Aqueles seios ficaram perigosamente perto do seu rosto.</div><div>Vamos até à sala um pouco? – Convidou olhando-o de cima para baixo com um sorriso maroto.</div><div>Está bem. – Ele levantou-se lentamente com os olhos fixos nos dela.</div><div>Célia pegou-lhe na mão e puxou-o até à sala junto do sofá de couro preto.</div><div>Também ali o olhar perscrutador circulou em toda a volta do aposento decorado de forma moderna em tons branco, preto e prata. Até se fixar nela.</div><div>Estavam os dois parados, em pé, um em frente ao outro, com uns escassos centímetros de distância.</div><div>Ela foi a primeira a reagir e empurrou-o para o sofá onde ele se sentou desamparado embalado pelo som de uma gargalhada musical.</div><div>Miguel agarrou-a e puxou-a para o seu colo. Aproximou o rosto do dela e inspirou o doce perfume que a envolvia, ligeiramente misturado com o hálito a café que saía da boca entreaberta.</div><div>Beijaram-se com sofreguidão. Línguas em fúria procurando a supremacia, tentando subjugar a outra. Braços e mãos, lutavam, enroscavam-se, um tentando tirar a roupa ao outro.</div><div>A força dele foi decisiva, erguendo-se com ela ao colo, ainda de bocas coladas e deitou-a de costas por baixo dele.</div><div>Camisolas voaram para o chão e o soutien soltou-se expondo o mais apetecível par de seios que ele já tivera ao alcance; pequenos mas fartos, mamilos rosados e perfeitamente eretos pedindo para serem acariciados e beijados…</div><div>Ele não se fez rogado e cobriu-os de beijos enquanto as suas mãos exploravam cada curva e testavam a sua dureza.</div><div>As mãos dela também não sossegavam, ora envolvendo os dedos no seu cabelo, ora entrando pela camisa desapertando mais um botão acariciando o peito coberto de pelos.</div><div>Também a camisa dele foi para o chão, acompanhada rapidamente do resto da roupa de ambos.</div><div>O jovem pôde então desfrutar da visão completa daquele corpo maravilhosamente firme que se expunha convidativamente ante seus ávidos olhos. Aí estava uma fonte de inspiração para um qualquer Boticelli. Rosto belo, seios fartos, ancas largas de curvas suaves.</div><div>Lutaram alternadamente pela supremacia e pelo prazer de dominar o parceiro.</div><div>Durante muito tempo desfrutaram do prazer imenso que os seus corpos proporcionaram até caírem nos braços um do outro. Esgotados e sonolentos sentiram a bem-vinda inconsciência chegar…</div><div>…</div><div>O toque do telefone insistia e Miguel recusava-se a aceitar que o devia atender.</div><div>A irritante campainha não se calava até que ele saltou, completamente desperto.</div><div>Continuava nu, embora coberto com uma manta, deitado no sofá de cabedal preto duma casa estranha. Sozinho.</div><div>E o telefone continuava a tocar na mesa ao lado do sofá onde estava um papel com uma palavra escrita: “Atende.”</div><div>Levantou o auscultador, receoso e a voz de Célia ecoou do outro lado da linha, trocista:</div><div>Até que enfim ó dorminhoco! Isso é que é dormir, o telefone já toca há perto de dez minutos.</div><div>Reparou que todas as gavetas que conseguia ver na sala estavam abertas e seu conteúdo espalhado pelo chão.</div><div>Onde estás? – Conseguiu articularLonge. – Riu – Já tenho o que quero e tu foste um amor em proporcionar-me um bom acompanhamento.</div><div>Não percebi.</div><div>Escuta meu querido, eu estava a vigiar essa casa há já vários dias para detetar se havia ou não movimento para lhe fazer uma visitinha. Os donos estão para fora, sabes?</div><div>Quê?</div><div>É isso mesmo, somos colegas. Tu contentas-te com auto-rádios e eu quero voos mais altos. De qualquer modo foste um amor, e muito competente.</div><div>És louca? Trouxeste-me para uma casa que não era tua e entraste nestas “cenas” aqui sem qualquer problema de poder ser surpreendida… Foste tu que forçaste a fechadura?</div><div>Claro meu querido, sou uma profissional. Há que viver perigosamente para que esta vida tenha algum sabor.</div><div>Decididamente és completamente louca. Onde estás, posso ir ter contigo?</div><div>Não me parece. Foi muito bom mas é melhor ficarmos por aqui. Pode ser que um dia os nossos caminhos se voltem a cruzar.</div><div>Espera.</div><div>Não. E tu também não devias esperar, alguém pode achar que há muito barulho num apartamento vazio e chamar a Polícia. – Soltou uma gargalhada contente consigo própria – Aproveita e vê se há alguma roupa melhor que esses trapos que trazes. Um beijo e até nunca. Ah, é verdade, estive para te “gamar” o anel mas tive pena... acho que estou a ficar velha. Xau!</div><div>A chamada desligou-se.</div><div>Furioso, atirou com o auscultador.</div><div>Parece impossível – Rugiu com os seus botões – Agora sei o que quer dizer seduzido e abandonado.</div><div>Acabou por dar uma boa gargalhada contente com o que acabara de dizer.</div><div>Maldita gaja. Tanto de boa como de louca… Muito mais boa aliás…</div><div>Dez minutos depois abandonava o apartamento saqueado, já de roupa nova, com uma mochila às costas e com cinquenta euros no bolso que Célia esquecera na mesa da sala.</div><div>Fora uma aventura e tanto e, enquanto saía do prédio, desejava ardentemente que o destino se voltasse a cruzar com aquela mulher. Ela, tão ardente quanto carinhosa, conseguiu frustrar os seus intentos e fazer-lhe aquilo que ele gostaria de fazer a ela.</div></div>]]></content:encoded></item><item><title>História Interminável</title><description><![CDATA[Num turbilhão de luzDei por mim sem saber como tinha chegado ali.E tive consciência de quem era.Criança inocente brincando com o presente acabado de receber.Sem ter noção das palavras, os dias eram de Verão, aquecidos pelo amor dos pais e dos avós.Os dias passam-se e cresci.As palavras fazem parte do dia-a-diaE centenas de estranhos fazem parte dos meus dias de PrimaveraTemperados e doces com os avós longe e os pais a distanciar-se.Em plena estação conheci o meu amor e deu-se inevitável<img src="http://static.wixstatic.com/media/64356acc9ec1449cbd5795e70597abaf.jpg/v1/fill/w_432%2Ch_288/64356acc9ec1449cbd5795e70597abaf.jpg"/>]]></description><dc:creator>Manuel Amaro Mendonça</dc:creator><link>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2011/02/18/Hist%C3%B3ria-Intermin%C3%A1vel</link><guid>https://www.debaixodosceus.pt/single-post/2011/02/18/Hist%C3%B3ria-Intermin%C3%A1vel</guid><pubDate>Fri, 18 Feb 2011 23:21:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://static.wixstatic.com/media/64356acc9ec1449cbd5795e70597abaf.jpg"/><div>Num turbilhão de luz</div><div>Dei por mim sem saber como tinha chegado ali.</div><div>E tive consciência de quem era.</div><div>Criança inocente brincando com o presente acabado de receber.</div><div>Sem ter noção das palavras, os dias eram de Verão, aquecidos pelo amor dos pais e dos avós.</div><div>Os dias passam-se e cresci.</div><div>As palavras fazem parte do dia-a-dia</div><div>E centenas de estranhos fazem parte dos meus dias de Primavera</div><div>Temperados e doces com os avós longe e os pais a distanciar-se.</div><div>Em plena estação conheci o meu amor e deu-se inevitável casamento</div><div>Aproximava-se o fim da Primavera quando conheci o meu filho.</div><div>Era o fim de uma época quando ele crescia e meus pais se distanciavam</div><div>Dias mornos de Outono salteados com chuva.</div><div>O mundo muda-se.</div><div>Os professores do meu filho são cada vez mais novos e os amigos estão distantes e cada vez menos.</div><div>Meu filho cresce e torna-se um homem e a estação está no auge.</div><div>Os meus pais são uma memória distante.</div><div>O Outono aproxima-se do fim e os dias frios tornam-se uma constante.</div><div>As chuvas de Inverno apanham-me em cheio.</div><div>Está frio e dói-me o corpo.</div><div>Meu filho casou e está longe.</div><div>Trouxe-me um neto para que o conhecesse.</div><div>Minha esposa, cabelos de neve, cuida de mim e atura pacientemente as minhas casmurrices.</div><div>As dores são muitas e os dias intermináveis…</div><div>Este Inverno não tem mais fim e eu estou tão cansado.</div><div>Não durmo muito com as dores e o ócio embrutece-me e deixa-me sonolento.</div><div>Os olhos pesam-me finalmente e ajeito-me para dormir.</div><div>Acalmo a cabeça na travesseira perante o olhar cansado mas preocupado do meu amor.</div><div>Sorrio para a sossegar e fecho os olhos com um suspiro.</div><div>E é um turbilhão de luz numa paz imensa e celestial.</div><div>Dei por mim sem saber como tinha chegado ali.</div><div>E tive consciência de quem era.</div><div>Criança inocente brincando com o presente acabado de receber.</div><div>Sem ter noção das palavras, os dias eram de Verão, aquecidos pelo amor dos pais e dos avós.</div></div>]]></content:encoded></item></channel></rss>