Salvo

Mariano Bento olhou o céu, de agitadas nuvens escuras, enquanto apressava o passo. Calcorreava o caminho que ia de Alijó a Sanfins, naqueles últimos dias do mês de setembro. Pela arreata, levava a sua mula cor de carvão, a Sedosa, com abundante carregamento de tecidos que lhe encomendaram entregar. Bem que Acindina, sua mulher, lhe disse várias vezes que não saísse hoje, que se avizinhava tempestade, mas ele podia lá deixar que ela lhe desse ordens? Ainda para mais, à frente do Manel do Telheiro e do Quim de Ribatua? Excomungada mulher, que tem sempre que dar uma opinião, mesmo que ninguém lha pedisse. Ele próprio estava para recusar fazer o trabalho naquele dia… agora estava ali, a meio ca

Montês

Era o fim de uma tarde quente de agosto, quando Benedito chegou a Santiago. Estava coberto de pó, com as roupas remendadas, as socas de madeira penduradas num varapau que trazia ao ombro e os pés descalços. Ninguém tinha dúvidas que umas boas léguas endureciam aquelas solas calejadas que pousava ritmicamente na calçada. O seu tamanho, uma cabeça acima da média, chamava a atenção e as pessoas que se cruzavam com ele não conseguiam deixar de deitar um segundo olhar, assim que o tinham pelas costas. Pelo seu rosto de tez morena e de barba rala, via-se que era ainda um jovem na casa do vinte e poucos anos. Foi olhando com curiosidade os edifícios de vários tamanhos que ladeavam a rua que ligav

Publicações recentes
Busca por etiquetas
Segue-me nas redes
  • Facebook Basic Square
  • Google+ Basic Square
Consultar arquivo
This site was designed with the
.com
website builder. Create your website today.
Start Now