Lucinda Maria – Adeus poetisa

Recebi com tristeza a notícia do falecimento da Lucinda Maria.

Conheci-a há cerca de quatro anos, através das antologias organizadas pelo já saudoso Isidro Sousa. Mais tarde, a relação aproximou-se através das Produções Debaixo dos Céus, onde tive o gosto de publicar dois dos seus livros: “Viagens” e “Sonetos”.

A primeira impressão que tive dela foi a de uma certa reserva, quase austeridade — que, com o tempo, deu lugar a uma pessoa com um humor inteligente, espírito brincalhão e uma perspicácia notável.

Nas revisões dos seus textos, havia sempre um equilíbrio difícil entre exigência e entusiasmo. Recordo uma frase que dizia com frequência, entre o sério e o humor: “Não, não. Não me mandes mais versões, senão vou alterar mais coisas!”

Foi também uma das pessoas que, em vários momentos, me deixou palavras de incentivo e uma leitura atenta do meu próprio trabalho.

Escrevia poesia e prosa, e os seus textos refletiam o profundo amor e orgulho pela sua terra natal, Oliveira do Hospital, e pela sua história.

Fica a memória de alguém ligada à escrita, às palavras e à forma generosa como se relacionava com o trabalho dos outros.

Apagou-se uma voz que fazia parte deste pequeno caminho literário.

Descansa em paz, Lucinda.

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One Comment

  1. É difícil falar da Lucinda Maria; pela incredulidade do vazio, pelo inatingível conhecimento profundo da pessoa e da sua obra, pela incompletude de qualquer palavra, frase ou comentário.
    Caldeando as palavras do Manuel Amaro Mendonça com o meu sentimento semelhante, é incontornável o vazio que ficou pela sua ausência – física, mas não espiritual -, e a orfansdade do seu hábito matinal com as imagens e mensagens que partilhava com os amigos.
    Dizem que devemos deixar partir as alma já sem corpo, mas é difícil esta separação.
    A Lucinda ficará entre nós.

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